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Pantera Negra na ternura dos 71

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com os amigos, o que lhe valia umas “surras bem dadas” pela Dona Elisa. Aos oito anos faleceu o pai, aprofundando ainda mais a forte ligação que já tinha com a mãe.

Mais tarde, em inúmeras entrevistas, destacou sempre a ligação especial que tinha com a Dona Elisa, personagem fundamental na sua educação, pelos valores que lhe incutiu, como a 

lealdade, que viriam a ser tão importantes na sua vida e fundamentais para a rectidão e carácter que todos lhe reconhecem.

 

Começou por jogar com vizinhos e amigos numa equipa do bairro conhecida como “ Os Brasileiros”. Mais tarde foi tentar a sorte ao clube do seu coração, o Desportivo, que prontamente o recusou.

Eusébio não desarmou e tentou a sorte no Sporting de Lourenço Marques, filial dos leões de Lisboa, e foi de leão ao peito que viria a conquistar os primeiros troféus da sua carreira: Campeonato Distrital de Lourenço Marques e Campeonato Provincial de Moçambique.

 

A disputa Sporting x Benfica

 

As suas exibições fizeram furor e rapidamente ecoaram na metrópole - como era conhecido Portugal Continental nesses tempos - e o FC Porto foi o primeiro clube a demonstrar interesse.


Pouco depois foi a vez de o Sporting entrar em contacto com a sua filial moçambicana, chegando a acordo para a transferência e propondo que Eusébio viesse para Lisboa para um período de testes.

 

Enquanto os leões negociavam com o clube, o Benfica ia directamente a Eusébio e à sua mãe. Prontamente, a proposta das águias foi aceite e Dona Elisa prometeu que Eusébio ou jogava no Benfica ou não jogava em lado nenhum. Os leões, pressentindo o perigo, oferecem quinhentos contos ao jogador, mas este resiste à tentação e mantém-se fiel à palavra dada pela mãe.

A guerra Sporting x Benfica estoura nos jornais de Lisboa, e esgrimam-se argumentos em prol de ambos os lados.

O Benfica, antecipando-se a qualquer jogada leonina, faz voar Eusébio para Lisboa, para assim melhor controlar a situação.

 

Em 17 de Dezembro de 1960 embarcou rumo a Lisboa com o nome de Ruth Malosso.

Na Portela, Eusébio era esperado por um dirigente da turma da Luz e um jornalista do jornal “A Bola”. Foi levado para o Algarve, e lá ficou até que a Federação deu razão ao Benfica.

 

Finalmente de águia ao peito

 

Estreou-se num jogo de reservas contra o Atlético e apontou três golos. Cinco dias depois Eusébio via a sua nova equipa vencer a Taça dos Campeões em Berna, batendo o Barcelona na final.

Na época seguinte, a sua primeira no Benfica, Eusébio já fez parte da gloriosa vitória na final contra o Real Madrid por 5-3. Com dois golos, Eusébio foi a estrela da equipa e viu reconhecido o seu valor pela France Football, que lhe atribuiu o segundo lugar da Bola d´Ouro.

A nível interno, o Benfica só conseguiu o terceiro lugar, vencendo, contudo, a taça, mas nos anos seguintes Eusébio conquistaria o campeonato por onze vezes, em catorze épocas de águia ao peito.

 

Na selecção, Eusébio estreara-se a 8 de Outubro de 1961 apontando um golo na humilhante derrota por 2-4 contra o Luxemburgo.


Seria na qualificação para o Mundial de 1966 que Eusébio começaria a deixar a sua marca na selecção ao apontar sete golos em seis jogos.

Mas seria na fase final, em Inglaterra, que com nove golos se torna o melhor marcador da fase final.

 

Mundial de 66

 

Na memória de todos ficaram os dois golos que marcou na vitória por 3-1 sobre o Brasil, ou os quatro golos apontados contra a Coreia do Norte nos quartos-de-final, sendo fundamental para a reviravolta no resultado para 5-3.

Na meia-final apontou um golo que foi insuficiente para contrariar os dois de Inglaterra. Portugal acabou por conquistar o terceiro lugar com mais um golo de Eusébio na vitória por 2-1 contra a URSS.

 

Os “magriços” - como ficaram conhecidos os heróis de 66 -, foram recebidos em festa no regresso a Lisboa e o Governo utilizou o feito e em particular a imagem de Eusébio em seu proveito.

Em tom de brincadeira, Salazar “nacionalizou” Eusébio, tornando virtualmente impossível a sua saída para o estrangeiro.

 

Uma carreira ímpar

 

Após o sucesso de Inglaterra recebeu a Bola d'Ouro da France Football para o melhor jogador a actuar no continente.

Nos anos seguintes venceria também por duas vezes a bota de ouro destinada ao melhor marcador europeu.

 

Além do terceiro lugar em Inglaterra e de ter sido uma vez campeão europeu, Eusébio jogou ainda por três vezes a final da Taça dos Campeões, ganhou 11 campeonatos nacionais e cinco Taças de Portugal e ganhou sete vezes a bola de prata destinada ao melhor marcador do campeonato nacional.

 

Em toda a carreira apontou 733 golos em 745 jogos, além de ter atingido 64 internacionalizações e marcado 41 golos com a camisola das quinas.

 

Depois da Revolução de Abril, Eusébio pôde finalmente sair do país e em 1975 partiu a explorar o mercado norte-americano, tendo jogado nos EUA, Canadá e México.

Regressou a Portugal mais tarde para jogar pelo Beira-Mar e União de Tomar, mas as muitas lesões e inúmeras operações tinham feito miséria no seu massacrado joelho.

 

 

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SN-GRÁFICA

Moçambola 2019

Pos Equipe J V E D GC GM Pts DP
1. C. do Sol 30 20 6 4 25 56 64 +31
2. UD Songo 30 19 3 8 29 47 59 +18
3. Fer. Maputo 30 13 9 8 22 34 43 +12
4. Fer. Beira 30 12 9 9 25 34 43 +9
5. Fer. Nacala 30 12 5 13 31 28 40 -3
6. ENH 30 10 11 9 30 29 37 -1
7. LD Maputo 30 11 7 12 36 30 37 -6
8. Textafrica 30 11 7 12 30 22 37 -8
9. Des. Maputo 30 10 10 10 29 35 36 +6
10. Incomáti 30 10 10 10 31 29 36 -2
LD Maputo 5 : 4 Des. Maputo
Têx. Púnguè 1 : 1 Nacala
B. de Pemba 1 : 2 ENH
Chibuto 1 : 0 UD Songo
Fer. Nacala 1 : 0 Fer. Beira
Fer. Nampula 2 : 1 C. do Sol
Maxaquene 1 : 0 Fer. Maputo
Textafrica 1 : 1 Incomáti

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