Nunca pretendi ser consensual

É sobejamente sabido que a vinda de Abel Xavier para Moçambique, na condição de Seleccionador Nacional, não acolheu consenso no meio desportivo do país, por razões que já nem cabem neste espaço. Na conversa que tivemos nesta longa-metragem, o luso moçambicano, longe de si se deixar abalar, manifesta as suas convicções e prontidão para lidar neste meio, pois, segundo ele, o envolvimento de emoções, opiniões, críticas e especulações faz parte do mundo do futebol e da sociedade. Por isso mesmo, julga normal.

Já no terreno, vive ou sente, na pele, esta onda de contestação à sua figura, como treinador dos Mambas?   

–Repare. Eu respeito as opiniões. Acho que é normal que haja crítica, dúvida, incerteza, porque vivemos num estado democrático, onde as pessoas têm a sua própria opinião e devem expressa-la da forma como elas entendem ser mais adequada. Eu encaro isso com muita naturalidade. Obviamente que tenho que me concentrar naquilo que, para mim, é o essencial. Mas devo dizer que tenho tido muito reconhecimento e muito apreço por parte dos moçambicanos, que me desejam boa sorte, força e que também me alertam para outras coisas, porque, no fundo, estamos a falar de quê? Não estamos a falar do país? Estamos a falar de divisões, aonde o próprio contexto de selecção é de união? União de personalidades, união de etnias, de religiões… O balneário de futebol é integração! É aceitação! Eu acho que, de alguma forma, o que se passa no contexto do futebol, que é um mundo muito próprio, também poderia ser exemplo para a sociedade.

Acompanhe a entrevista na íntegra na edição impressa.