R REPORTAGEM

Campeões desintoxicam-se nas areias da Costa do Sol

Votos do utilizador: 0 / 5

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

Mais um revés na implementação do programa de preparação do Maxaquene. Problemas de ordem logística e atraso nas inspecções médicas ditaram o adiamento do estágio programado para Namaacha, por uma semana. Para não perder mais tempo, Arnaldo Salvado começou quinta-feira a preparação da equipa, na Praia da Costa do Sol.

No princípio deste mês, quando a direcção do Maxaquene fez a apresentação pública de sete reforços, ficou igualmente dito que a equipa partiria quinta-feira, dia 10 de Janeiro, para a vila fronteiriça da Namaacha, onde iria observar um estágio pré-competitivo de 10 dias. Entretanto, contra todas estas previsões, Arnaldo Salvado começou a preparar a equipa nas areias da Praia da Costa do Sol, na infernal tarde de quinta-feira, tendo ficado para amanhã a partida para Namaacha.

 

ALTERAÇÃO

DO PROGRAMA

Este adiamento, para o treinador do Maxaquene, é mais uma semana de atraso para aquilo que havia sido planificado para o início desta época.

São várias situações que obrigaram a este adiamento. Arnaldo Salvado e seus pupilos têm de esperar, primeiro, que as condições logísticas estejam criadas, numa altura em que todo o material desportivo se encontra retido no campo da Machava, designadamente a carrinha, as bolas e todos os outros materiais afins. Não se conseguiu desbloquear a situação a tempo e agora é necessário encontrar-se dinheiro para a aquisição do novo material desportivo, o que não é fácil de uma hora para a outra, quando isso não está orçamentado. Por isso, as condições logísticas não estavam ainda criadas para que se partisse para Namaacha. Com o campo da Baixa a reclamar obras, para que não se atente contra a integridade física dos atletas, os campeões nacionais estão, neste momento, sem campo para treinar, razão pela qual se teve de recorrer às areias da Praia da Costa do Sol, uma vez que só amanhã é que, definitivamente, a equipa poderá arrancar para o local do estágio.

Na praia, Arnaldo Salvado fez trabalho de “endurance”, com interrupção no fim-de-semana, uma vez que o treino foi no Estádio da Machava. Esta manhã, o treino volta a ser na praia, para depois se partir amanhã para Namaacha, onde se vai dar continuidade a este trabalho, mas com um pouco mais de intensidade, introduzindo a velocidade. De Acordo com o técnico “tricolor”, será, essencialmente, a tentativa de inclusão, o mais rápido possível, de jogadores novos, naquilo que se pretende como forma de jogar da equipa do Maxaquene, não só para as Afrotaças, mas também para o campeonato nacional.

No primeiro dia de trabalho, Arnaldo Salvado teve um grupo de 15 jogadores, já inscritos na CAF, dos 22 recomendados pela estrutura que superintende o futebol continental. Mesmo destes 15, alguns ainda não têm a situação contratual com o clube regularizada, ainda que os dirigentes do clube tentem resolver os problemas caso a caso.

Mercê da colaboração do Ferroviário, ainda no fim-de-semana, o Maxaquene teve a possibilidade de treinar no Estádio da Machava e poderá ser assim nos dias que se seguirem ao estágio, pois os trabalhos em curso, no campo da Baixa, deverão durar um mínimo de dois meses

Além de problemas logísticos, também há um atraso nas inspecções médicas, o que implica ainda mais atraso nas inscrições na CAF, para a participação da equipa nas eliminatórias para a fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos.

São incertezas e adiamentos com que Arnaldo Salvado tem vindo a conviver desde que o Maxaquene se sagrou campeão nacional. Para ele, o momento já não é de lamentações, mas de busca de soluções para que se consiga ultrapassar todos os problemas que se instalaram nos “maxaca”.

– Não há dúvidas de que tudo isto poderá interferir bastante na preparação da equipa. São duas semanas de atraso, quando eu precisaria de, pelo menos, seis semanas para ter a equipa minimamente em condições físicas para o jogo das eliminatórias da CAF, mas não vai ser possível. Vamos ter só um mês de preparação, o que é demasiado pouco. Vamos ter de alterar um pouco o que seria a preparação prevista e nos concentrar mais em aspectos de organização táctica. Tivemos muitas saídas e muitas entradas de jogadores na equipa e por isso há que trabalhar muito na organização táctica. É essencialmente este trabalho que vamos fazer na Namaacha, procurando jogar com as equipas da Suazilândia e da África do Sul. Já temos quatro jogos garantidos e teremos outros quatro na Taça de Honra. Penso que quando chegar a vez de jogarmos para as eliminatórias da CAF teremos a equipa minimamente preparada para poder ter alguma dignidade na sua participação.

 

CONTRATOS

POR REGULARIZAR

Em relação aos jogadores à sua disposição, Salvado diz estar a viver uma realidade menos satisfatória, mesmo depois da euforia resultante da apresentação, há duas semanas, dos jogadores que reforçarão o Maxquene.

Há dois jogadores reclamados por dois clubes, nomeadamente David, pelo Costa do Sol, e Maurício, pela Liga Muçulmana, para além de outros que ainda estão em processo de revisão de contratos, facto que não deixa o técnico do Maxaquene sossegado.

– Infelizmente, esta é uma situação que a Federação Moçambicana de Futebol continua teimosamente a querer manter. Os clubes não têm conhecimento nem acesso aos contratos, para saber das respectivas validades, o que acaba provocando choques entre as colectividades, o que não é nada conveniente. Em toda a parte do mundo, as pessoas sabem quando é que o contrato de um jogador termina, só em Moçambique é que não, e não sei a quem é que isto interessa. São dois jogadores que foram apresentados, sobre os quais temos dúvidas. Temos ainda alguns jogadores, internamente, que faziam parte do clube, mas que ainda precisam de ver os seus contratos revistos, mas ainda não houve acordo.

Nesta situação estão Gabito, Campira, Kito, Soarito, Dário Chissano, Jair, entre outros. Alguns começaram a treinar, mas outros ainda não e isso não dá garantias a Salvado de poderem fazer parte do plantel para este ano.

 

Macamito está a treinar

 

Em ocasiões anteriores, Arnaldo Salvado apareceu, através deste semanário, a sugerir uma homenagem a Macamito e Genito, defendendo que os dois não tenham de se arrestar nos campos, depois de muito terem contribuído para as glórias do clube, insinuando não poder contar com eles nesta temporada. Convidado a clarificar este assunto, o timoneiro maxaquenense disse:

– Genito não fará parte do plantel. Macamito ainda está a treinar e agora está com o grupo. O resto vai depender da vontade dele. Essa é uma posição minha, muito pessoal. Eu gostaria que assim fosse, que os jogadores saíssem quando os adeptos ainda se lembram deles e quando estão no mais alto da sua capacidade de actuação. Penso que seria uma situação agradável a direcção do Maxaquene pensar nesse aspecto, mas a eles compete.

 

PERANTE OS NOSSOS ADVERÁRIOS DA CAF

Nossa época futebolística

coloca-nos em desvantagem

Um dos aspectos levantados ao longo da conversa com o técnico do Maxaquene tem a ver com a situação em que as equipas moçambicanas se encontram no início das competições sob a égide da CAF. Salvado lamenta que continuemos com a época actual do nosso futebol, que, segundo ele, só nos coloca em desvantagem, dando como exemplo o campeonato tswana de futebol, que já rodou mais de 15 jornadas, estando as respectivas equipas no seu melhor momento de forma.

– Isto não é só problema do Maxaqauene, mas também da Liga Muçulmana, que só agora vai começar a sua preparação. O desenquadramento da nossa época desportiva só nos coloca em desvantagem, se bem que algumas pessoas digam que não tem influência nenhuma. São pessoas que não sabem nada do que é treinamento desportivo. Ser dirigente desportivo só porque se gosta do desporto não significa ter conhecimento de causa. Se nós não temos competitividade, não podemos exigir às nossas equipas que tenham mesmos ritmos de rendimento que as outras equipas da zona têm. Por isso é que nós, muito facilmente, somos eliminados. Se se fizer uma análise das últimas 10 participações, vai-se ver que isso é um facto. Se alguma vez conseguimos avançar, foi quando tínhamos uma época que não iniciava em Janeiro, como está a acontecer agora. Foi nesses moldes em que o Ferroviário e o Costa do Sol conseguiram chegar à fase de grupos, tirando, claro, a qualidade dos próprios jogadores, pois é inegável que a qualidade do nosso futebol vai decaindo de geração em geração.

 

HCB E OUTROS CLUBES CONTACTARAM-ME, MAS…

Sou fiel ao compromisso que tenho com o Maxaquene Diz-se na praça futebolística que, apesar de estar a preparar a época do Maxaquene, Arnaldo salvado poderá abandonar o emblema “tricolor” e rumar para o HCB de Songo, actualmente sem treinador, na sequência da saída de Victor Urbano para o Ferroviário de Maputo. Questionado sobre este assunto, o actual técnico “tricolor” disse:

– Não é só HCB que me contactou. Já tive vários outros convites, o que é absolutamente normal, pois sou um treinador que tem conquistado muitos títulos e as equipas onde estou são muito competitivas e lutam por lugares cimeiros e por conquistar competições. É normal que equipas que tenham essa ambição coloquem a possibilidade de me contratar. Sinto muito orgulho nisso, vejo o reconhecimento do meu trabalho. Tenho muita consideração para com as direcções desses clubes que me endereçaram o convite mas, acima de tudo, eu tenho carácter, tenho personalidade e tenho a minha palavra. Tenho mais um ano de contrato com o Maxaquene e não é porque, aparentemente, o barco está ao fundo que vou saltar dele só porque sei nadar. Não! Estarei no Maxaquene porque tenho a minha palavra, mesmo que não tivesse contrato escrito como tenho. Até podia rescindir o vínculo sem ter de indemnizar o clube, mas basta a minha palavra e vou cumprir o ano de contrato que tenho com o Maxaquene e vou fazê-lo com a mesma dignidade e empenho que fiz nos anos anteriores, tentando colaborar para que a direcção do clube e os atletas possam dar aos seus adeptos mais alegria, como demos nestes últimos três anos em que estou no clube, como demos em 2003, quando nos tornámos campeões nacionais. São projectos que não deixo de ter em conta para ocasiões futuras. No caso do HCB, é um desafio porque é uma equipa que nunca foi campeã nacional e, claramente, gostaria de trabalhar numa equipa que tenha todas as condições possíveis e poder-se planificar um trabalho com mais probabilidades de sucesso do que acontece, por exemplo, neste momento, no Maxaquene, para além de poder dar um título a uma equipa daquela região do país. Penso que um dia lá irei mas, neste momento, a minha concentração máxima é no Maxaquene, equipa com a qual tenho um compromisso.

Publicidade
Subscreve se no Jornal Digital

Moçambola 2019

Pos Equipe J V E D GC GM Pts DP
1. C. do Sol 30 20 6 4 25 56 64 +31
2. UD Songo 30 19 3 8 29 47 59 +18
3. Fer. Maputo 30 13 9 8 22 34 43 +12
4. Fer. Beira 30 12 9 9 25 34 43 +9
5. Fer. Nacala 30 12 5 13 31 28 40 -3
6. ENH 30 10 11 9 30 29 37 -1
7. LD Maputo 30 11 7 12 36 30 37 -6
8. Textafrica 30 11 7 12 30 22 37 -8
9. Des. Maputo 30 10 10 10 29 35 36 +6
10. Incomáti 30 10 10 10 31 29 36 -2
LD Maputo 5 : 4 Des. Maputo
Têx. Púnguè 1 : 1 Nacala
B. de Pemba 1 : 2 ENH
Chibuto 1 : 0 UD Songo
Fer. Nacala 1 : 0 Fer. Beira
Fer. Nampula 2 : 1 C. do Sol
Maxaquene 1 : 0 Fer. Maputo
Textafrica 1 : 1 Incomáti

Director: Almiro Santos
Chefes da Redacção:
Reginaldo Cumbana e Gil Carvalho

Desafio é um Jornal desportivo, produto da Sociedade do Notícias.

O Jornal esta disponível em formato físico impresso, o mesmo pode ser lido em formato electrónico.

Play Store

AppStore

SNLogo2

Propriedade da Sociedade do
Notícias, SARL
Direcção, Redacção e Oficinas
Rua Joe Slovo, 55 • Cx.Postal 327
E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
( Tel's: 21320119 / 21320120 )
Script:
Topo
Baixo