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Meu currículo exige-me título

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Só falta uma taça para o currículo do jovem treinador Akil Marcelino, de apenas 31 anos de idade, mas o seu trajecto no nosso futebol parece demasiado longo. O técnico, que surgiu no panorama futebolístico em 2007 quando surpreendeu o país ao conduzir aquela que era na altura a única equipa privada (familiar) - Benfica de Macúti - com meios próprios, até 

ascender ao Moçambola e conseguir garantir a manutenção.

 

De lá para cá nunca mais parou. Akil Marcelino ganha espaço no futebol intramuros passando no ano seguinte para o Ferroviário da Beira, tendo conduzido sabiamente aquela colectividade para o terceiro lugar.

Portanto, depois desta experiência e tendo passado pelo Desportivo de Maputo e posterior regresso para o Ferroviário da Beira, o ano passado treinou o Têxtil de Púnguè e ajudou esta colectividade a não descer de divisão. Por isso e por mais alguma coisa, Akil Marcelino assume-se preparado para abraçar um projecto de um clube de topo que lhe garante lutar pelo título.

Aliás,a falta de uma estrutura organizacional e de um projecto que sirva de espelho para um bom trabalho numa colectividade serve de motivo que leva Akil Marcelino a afirmar pretender abraçar outros clubes.

Segundo ele, a estabilidade num clube que tenha uma estrutura conta muito para um treinador ousar conseguir sucesso.

“Quero um clube que tem um projecto sério e que lute pelos lugares cimeiros quiçá pelo título, porque sinto que já estou preparado. A minha capacidade e trabalho que tenho vindo a realizar me levam a afirmar isso, visto que têm me faltado algumas oportunidades”, referiu.

Akil Marcelino é um dos poucos técnicos do nosso país que tem apostado muito na sua formação e, segundo as suas palavras, é chegada a altura para dar outros voos e não continuar a treinar equipas que lutam para não descerem de divisão.

“Tenho investido muito na minha formação nos últimos anos e também ganhei muita experiência ao longo dos anos. Tenho calo suficiente para grandes desafios em trabalhar numa equipa com muita pressão e que luta pelo título. Sinto-me preparado para estas exigências, até porque tem sido assim nos clubes onde tenho passado, com muitas dificuldades financeiras, mas sempre a mostrar o meu trabalho” - refere.

O trabalho que desempenhou no Têxtil de Púnguè a ponto de conseguir a manutenção quando faltavam duas jornadas do fim do Moçambola do ano passado fez-lhe ficar ainda mais maduro, olhando para as condições de que dispunha.

“Estou hoje um treinador mais maduro e experiente para qualquer clube sério que tem um projecto ambicioso. A minha última passagem no Têxtil de Púnguè vai me servir no futuro. Sublinho, o meu valor no mercado nacional é apreciável, porque onde sempre passei deixei minha imagem de um jovem treinador com muita bagagem e inteligência pela forma que as minhas equipas se apresentam dentro do campo e na abordagem do jogo. É verdade que por vezes os resultados não aparecem e isto deve-se por vezes a muitas coisas que não preciso aqui citar”, comentou.

Por enquanto o técnico beirense não tem clube, mas convites não lhe faltam. Porém, acontece que todos que tem na carteira não vão de acordo com aquilo que pretende para o seu futuro.

“Estou tranquilo e sei que terei a oportunidade de abraçar um projecto ambicioso que vai me levar a vencer títulos. Sei que o meu nome está associado a alguns clubes com uma boa estrutura que não preciso revelar porque estou em negociações ainda com os tais clubes. Digo isto porque estou no futebol por paixão e não pelo dinheiro ou como meu ganha-pão. Quando decidi abraçar o futebol era para apoiar o meu país naquilo que possa ser útil para nosso futebol”, anotou.

Do seu estilo habitual, calmo e sereno, mas sem muitas reservas, Akil afirma que depois de ter cumprido com as suas obrigações contratuais para com os fabris da Manga o seu telefone nunca pára de tocar a receber convites de outros clubes.

Acontece que nem todos os referidos convites estão dentro dos seus planos, pois a ambição passa por abraçar um projecto que lhe garante no final do campeonato vencer algo que lhe possa dignificar.

“Sou muito jovem e ambicioso igual a muitos outros treinadores. Sinto que é chegada altura em abraçar projectos que no final podemos lutar por algo interessante. Não quero aqui menosprezar clubes mas sinceramente falando também preciso de uma oportunidade”, afirmou.

Questionado sobre a sua passagem pelo Desportivo de Maputo, o nosso interlocutor disse que o clube não estava devidamente preparado para grandes voos.

“O Desportivo naquela altura não estava igual a si mesmo, ou seja, a grandeza do seu nome. Se formos a fazer uma análise minuciosa iremos constatar que, de um tempo a esta parte o clube atravessa uma crise financeira. Não tínhamos campo para treino e as condições de trabalho não eram das melhores. Até porque a constituição do plantel também era um arranjo. Aliás, pergunto-vos: desde a era de Dominguez e companhia, em que Uzaras foi campeão, já viram de novo o Desportivo a festejar algum título? Creio que não. Portanto, houve uma série de obstáculo que tivemos que atravessar”, lembrou.

Mesmo assim o jovem treinador afirma que fez um grande trabalho à frente do clube, na medida que deixou o Desportivo na quarta posição com 19 pontos, a cinco do líder, na altura o Maxaquene.

EXPERIÊNCIA POSITIVA NO TÊXTIL DE PÚNGUÈ

Depois de ter deixado o Ferroviário da Beira no meio da época Akil Marcelino declinou convites de muitos clubes para voltar a trabalhar. Aliás, na altura disse que não estava em condições de abraçar novos projectos.

No ano passado, no início da época, foi abordado pelo Incomáti, Costa do Sol e Têxtil de Púnguè. Acontece que no Costa do Sol as negociações não foram para aí além, visto que as pretensões dos dirigentes canarinhos eram para o “José Mourinho” da Beira ser adjunto, algo que não foi do agrado do técnico. No Incomáti as partes não chegaram a acordo sobre os valores, assim como nos fabris da Manga.

Feito isto, o técnico ficou no desemprego, passando a atender os seus negócios, mas sempre atento no desenrolar do Moçambola. Aliás, de acordo com as suas palavras, com o andar das jornadas as chamadas de abordagem da parte de alguns dirigentes já se faziam sentir.

“Entro no Têxtil de Púnguè na quarta jornada, quando a equipa tinha apenas quatro pontos e ocupava a modesta 11ª posição no Moçambola. A minha entrada muito deveu-se à pressão que muitos amigos e figuras públicas da praça exerceram para ajudar o Têxtil de Púnguè. Algumas pessoas até aconselharam-me a não aceitar o convite, visto que a equipa não estava bem e o plantel era bem ajustado, sobretudo na defesa”, conta.

A recuperação psicológica foi a que se seguiu dentro do plantel para incutir nos jogadores a mentalidade vencedora, a despeito de, segundo ele, os jogos fora de portas não terem resultado. O trabalho táctico a misturar o posicionamento, sem descurar o físico, começou a se notar na equipa.

“Sinto que cumpri na íntegra os propósitos para os quais fui contratado. O Têxtil de Púnguè safou-se por mérito próprio. Conseguimos capitalizar o factor casa de uma forma formidável o ano passado. Só perdemos em casa diante do Ferroviário de Nampula na minha estreia. Depois desta derrota não mais perdemos em casa, mas algumas pessoas podem confundir o desaire com o Ferroviário da Beira. Aquele jogo era do Ferroviário e não do Têxtil de Púnguè. Portanto, depois daquela derrota da estreia ninguém conseguiu parar o Têxtil em casa e aquilo deveu-se ao trabalho que realizávamos ao longo da semana nos jogos caseiro, atendendo que tínhamos o público do nosso lado”, afirmou.

O Têxtil de Púnguè não começou tão bem o Moçambola do ano passado e na entrada de Akil Marcelino houve a necessidade de estruturar a equipa e montar a sua filosofia de trabalho. Entretanto, como é habitual e como rege o velho ditado “cada cabeça é uma sentença”, Akil Marcelino teve que montar a sua estrutura para dotá-la de ferramentas que achava serem capazes de superar os adversários.

Com a abertura do mercado de transferências, em Junho, o jovem técnico beirense teve que pedir à Direcção para recrutar alguns jogadores que, segundo ele, tanta falta faziam para o grupo de trabalho de que dispunha.

O Têxtil de Púnguè foi buscar o guarda-redes Neco (Ferroviário de Pemba), os defesas Judy (sem clube) e Tony (Chingale de Tete) e os médios Owen, Dino (Desportivo de Maputo) e Moniz (Maxaquene).

“O plantel não estava ajustado para aquilo que eu pretendia da equipa. Tínhamos quase oito avançados e três centrais, e entre eles estava o Mano, que por sinal não é de raiz. Tivemos que tentar equilibrar as contas no plantel, dispensando alguns e entrando outros. Como viram, a equipa começou a produzir e houve no seio do grupo muita competitividade e só o Têxtil de Púnguè é que saia a ganhar com isso”, referiu.

A chegada de Neco, segundo o treinador, conferiu outra competitividade na baliza, à semelhança de Tony, que ajudou bastante a defesa, juntamente com Judy.

“O nosso meio-campo teve raça com a chegada de Moniz, um atleta versátil em todo terreno que fez acordar outros. O mesmo posso falar de Dino e Owen, que no último terço do campeonato foram fundamentais para o grupo. Não quero aqui tirar o mérito do antigo treinador, Hilário Manjate. Aliás, ele soube montar uma equipa muito competitiva e dentro dos padrões das condições financeiras do clube. Há que dar mérito pela forma que escolheu os jogadores”, afirmou.

 

ADEPTOS FABRIS SÃO O DÉCIMO SEGUNDO JOGADOR

“Nunca antes na minha vida profissional tive adeptos formidáveis e com presença massiva nos campos para apoiar a sua equipa como os do Têxtil de Púnguè. O facto de termos vencido quase todos os jogos em casa o ano passado prova o calor e a força que a massa associativa e os adeptos que o Têxtil de Púnguè tem em casa”, palavras de Akil Marcelino, técnico que nas bandas do Chiveve é carinhosamente chamado por “José Mourinho”, numa alusão ao treinador do Real Madrid da Espanha

Akil Marcelino assumiu a batuta da equipa na sexta jornada do Moçambola, quando o Têxtil de Púnguè tinha somente quatro pontos e ocupava a modesta 11ª posição. Missão algo espinhosa, mas com a ajuda dos adeptos a equipa conseguiu capitalizar a importância do factor casa.

“Não é fácil trabalhar num clube com problemas financeiras com um plantel que espelha a sua realidade. Lográmos alcançar sucessos com o esforço dos adeptos e da massa associativa, algo que para mim não existe no país. É bom que se diga que o Têxtil de Púnguè tem uma claque incansável e exigente em todos os jogos. Fico feliz pelo apoio que recebi e pelo convite que me foi formulado para treinar uma das equipas quiçá melhor em termos de adeptos que temos no país”, disse.

Sem desvendar o seu futuro, Akil afirma que não vai continuar este ano nos fabris da Manga e agradece o apoio de todos que o ajudaram a trilhar caminhos sinuosos na colectividade. Aliás, sustenta que a equipa tem tudo para este ano conseguir alcançar os seus objectivos, caso que a base da agremiação por si montando continue.

“Tenho que sublinhar que o Têxtil construiu uma equipa muito forte e a Direcção deve tentar manter esta base. Há jogadores que para mim reclamam representar grandes equipa que lutam pelo título. A Direcção tem uma difícil tarefa para manter o grupo, mas tenho que dizer que fiz o meu papel com muito esforço e com o apoio dos beirenses e outros adeptos espalhados pelo país para que o Têxtil continuasse na alta-roda futebolística”, afirmou em jeito de conclusão.

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Moçambola 2019

Pos Equipe J V E D GC GM Pts DP
1. C. do Sol 30 20 6 4 25 56 64 +31
2. UD Songo 30 19 3 8 29 47 59 +18
3. Fer. Maputo 30 13 9 8 22 34 43 +12
4. Fer. Beira 30 12 9 9 25 34 43 +9
5. Fer. Nacala 30 12 5 13 31 28 40 -3
6. ENH 30 10 11 9 30 29 37 -1
7. LD Maputo 30 11 7 12 36 30 37 -6
8. Textafrica 30 11 7 12 30 22 37 -8
9. Des. Maputo 30 10 10 10 29 35 36 +6
10. Incomáti 30 10 10 10 31 29 36 -2
LD Maputo 5 : 4 Des. Maputo
Têx. Púnguè 1 : 1 Nacala
B. de Pemba 1 : 2 ENH
Chibuto 1 : 0 UD Songo
Fer. Nacala 1 : 0 Fer. Beira
Fer. Nampula 2 : 1 C. do Sol
Maxaquene 1 : 0 Fer. Maputo
Textafrica 1 : 1 Incomáti

Director: Almiro Santos
Chefes da Redacção:
Reginaldo Cumbana e Gil Carvalho

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