Vitória sobre a petulância

Joca Estêvão
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Na década de ‘70 o Presidente Samora Machel decidiu que os clubes se socorressem de empresas públicas, como integradoras ou patrocinadoras, por receio que algumas colectividades moçambicanas, sobretudo as históricas, passassem por uma crise que comprometesse a sua continuidade, uma vez que os “carolas” que as suportavam no país tinham dado uma retirada em debandada após a independência nacional.

A publicidade da EDM

Nessas coisas de publicidade e não publicidade normalmente não metemos penca, mas calha agora esta pequena incursão em razão de o Costa do Sol ter vencido a Taça de Moçambique e a empresa que o patrocina, a Electricidade de Moçambique, ter entendido...

Uma febre chamada Legends ou o preço da desorganização

Linha de Passe

Quando ainda se perspectiva a vinda do Barcelona Legends a Moçambique cogitei que os ex-jogadores dos Mambas poderiam encontrar uma forma de aproximação. Aliás, anteriormente Jorge Fernandes (Jojó), ex-jogador da nossa selecção, falara da desunião no seio daqueles que um dia partilharam o mesmo balneário, lutando pela mesma causa. Jojó dissera, nessa altura, que a relação entre os colegas de selecção do seu tempo, particularmente, não era boa, mas que havia necessidade dessas mesmas figuras aproximarem-se uns dos outros para formar uma força que poderia ser útil no processo de reestruturação do futebol moçambicano.

Mano-Mano foi o impulsionador e liderou bem a reaproximação dos seus colegas, votando a favor de Moçambique a exibição da equipa catalã. Era um sonho. É que mesmo com Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho (cogitando-se a possibilidade deste vir a Maputo), Davis, Edmilson, entre outros, já em idade bem avançada para dar um espectáculo igual aos tempos em que muito só viram pela televisão, era uma honra para os moçambicanos, mas para a confraternização das antigas glórias da selecção.

Juntaram-se várias gerações, concretamente a partir daquela que qualificou os Mambas ao CAN-1996, com excepção de Chiquinho que já tinha participado na fase final do Cairo em 1986.

Poucos como eu perceberam que no seio deste grupo havia jogadores que se achavam mais importantes que os outros. Aliás, esse facto não era novidade na selecção, mas por diversas vezes disfarçada. A nós importava que em campo essa guerra de protagonismos não se fizesse sentir e que acima de tudo estivessem os interesses da nação.

Neste processo de preparação do jogo com o Barcelona Legends houve questionamentos de alguns componentes dos nossos “Stars” sobre isto e aquilo, como por exemplo a razão sobre os escolhidos para a promoção do evento. Citamos apenas um exemplo.

O jogo, a festa e o espectáculo tiveram um resultado que se esperava devido ao preço dos bilhetes, que acabou sendo o centro das atenções, apesar de a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) ter vindo a terreiro para revelar que o Zimpeto tinha feito, naquele jogo, a sua melhor receita de sempre.

No balanço, a Keto, empresa que estava no topo da organização, faltou à palavra. Não quis aparecer mais para dar esclarecimentos sobre o fracasso referente à presença do público, mesmo após a promessa a nós feita, alegando que na altura da solicitação um dos responsáveis pela empresa estaria ocupado com o fecho do relatório e contas sobre o referido evento. O povo ficou a chuchar o dedo até hoje. Ninguém mais ouviu falar na tal Keto.

O impulsionador Mano-Mano prometeu que depois de tudo, assumindo de alguma forma o desaire, que servira de aprendizado, o momento era de avançar para estruturar os Mambas All Stars, criando uma comissão que pudesse controlar os eventos dos antigos jogadores da Selecção Nacional e que a FMF não estaria a leste do processo, como é óbvio.

Com o futebol de veteranos a decorrer, aliás, com uma associação existente, apercebe-se que há necessidade de se criarem outros eventos legendários. Já se cogitam torneios entre as lendas do Maxaquene, Desportivo de Maputo, Ferroviário de Maputo e Costa do Sol, todos de Maputo. Todos teriam ou vão ter um “Legend” no fim do seu nome. Seria ou é um movimento que pode trazer de novo as antigas figuras do nosso futebol junto do público que muito os admirou.

Na semana passada foi organizado por António Trigo (Paulito) e Joa, todos eles antigos praticantes oriundos de Nampula, um movimento no qual uma equipa com o nome de Moz Legends, composta por algumas das estrelas que estiveram no Zimpeto no passado dia 11 de Novembro, defrontando as velhas glórias de Nampula. É aqui que surge o meu questionamento. Que mensagem se pretende passar quando se organiza um evento com o nome de Moçambique, vestindo de equipamento azul, nunca visto deste que me entendo por gente, e sem a anuência da FMF?

Será o resultado da tal febre chamada Legends que está a afectar a todos nós ou a vontade de contrariar o que foi feito anteriormente ou querer mostrar que existe cisão no seio dos antigos componentes dos Mambas?

É, para mim, a lentidão de processos na organização e formalização da comissão dos Mambas All Stars ou Legends, como preferirem, que pode estar na origem de tudo isto. E por estar em causa o nome da nação moçambicana, preferia que se designasse Amigos de Beltrano ou Sicrano, contra Nampula Legends, ou Amigos de Fulano, para não banalizar o nome de Moçambique, nem dos Mambas.

Por hoje não digo mais nada.

 

Um especial Sporting-Chaves

Por estas alturas deve estar Bruno de Carvalho, o estrepitoso presidente do Sporting Clube de Portugal, para perceber a razão de o seu perímetro de segurança ter sido invadido por um infiel sem que o alarme soasse estridentemente no Estádio Alvalade XXI.

COSTA SEM “SOL”

Já lá vão os tempos de grande poderio do Costa do Sol, clube que nos últimos anos não é mais do que um tigre de papel e não o colosso dos anos anteriores, sobretudo na década 1990, quando conquistou tudo a nível nacional – incluiu-se quatro campeonatos consecutivos, de 1991 a 1994 – e no início do século XXI ensaiou, com José Neves e Rui Tadeu à frente, uma tentativa de ataque a África, em que se ficou pela fase de grupos na Liga dos Campeões, em 2002.

Um tributo ao mestre!

Os colegas do “desafio” quiseram homenagear Domingos Elias, que cumpriu com brio e competência o seu tempo de serviço e partiu para a reforma. Para que o homenageado fosse colhido de surpresa, telefonámos-lhe a solicitar que viesse para um último trabalho, uma entrevista com a ministra Nyeleti Mondlane, à qual o mesmo se mostrou imediatamente disponível. O resto segue-se registado na sequência captada por Urgel

Matula, um dos muitos jovens legatários daquele que foi, seguramente, o mais conceituado fotojornalista desportivos de Moçambique.

O DIREITO DE NURO AMERICANO NÃO SE EXPÔR NAS URNAS

Com alguma estupefação e assombro de todos quantos andaram distraídos, os sócios do Maxaquene exerceram, de forma voraz e faminta, o direito legitimado pelos estatutos e elegeram para presidente uma figura fora do âmbito e influência das ainda empresas integradoras, as LAM e a Aeroportos de Moçambique, sendo muito provável que agora se inicie um intrincado processo de extinção de um vínculo documentado pela história das integrações de clubes por empresas.

Rosa Inguane de retirada

Depois de muitas páginas dadas ao jornalismo desportivo e de ultimamente ter estado a dar voz e expressão a uma profissão onde construiu uma imaculável e incensurável carreira,

Quando ele também via o que nós não víamos

Com todos os outros o impulso começa precisamente na retina. De forma automática e inconsciente. É o órgão que, indiscriminadamente, comanda o dedo indicador, nervosamente postado por sob o aparelho. Assim como o soldado, entrincheirado numa qualquer frente de batalha, mantém o indicador instintivamente retesado, teso mesmo, porém suavemente encostado no gatilho da sua arma.

Com Domingos Elias era diferente. O processo de registo de emoções e de momentos era mais complexo, mais intrincado. A impulsão era instigada da alma e do coração, subia pelas artérias e por delicados vasos sensoriais até à retina. Depois retornava por aperfeiçoados sifões aperceptivos, bombeado por uma sensibilidade única, até ao momento em que o tempo parava e o registo ficava amoldado clamorosamente para a eternidade.

Assim foi o registo de uma grande parte da história contemporânea do desporto deste país. Ou talvez toda uma boa parte. Pela alma e pelo coração mais do que pelo calibre ou pelo tamanho de telescópicas lentes atreladas à sua inseparável máquina, de prodígios e de assombros, que toda a vida e carreira transportou a tiracolo, mas sobretudo levando-a atravancada e embaraçada ao peito e à alma.

Domingos Elias passa à reforma e deixa mais do que o espólio e o legado que nos faz singulares e únicos aos olhos dos leitores. O valor intrínseco dos momentos que registou ultrapassa o acontecimento, porque aos olhos do fotojornalista, mesmo as ocasiões mais disformes e desengraçadas ganhavam a graça e a forma que ele moldava. Carinhosamente, sem excepção e sem partição.

As rixas e as cotoveladas dos jogadores apareceram-nos como afectuosos abraços aos registos do Domingos; os pés em riste como simples disputas de bola desportivamente comprovadas; os golos dos adversários foram vistos como os nossos próprios golos; as lágrimas dos outros como a nossa dor e a alegria dos vencedores a comemoração dos vencidos. Tudo isto sem nunca se deixar arrebatar por assomos de clubismo e mesmo sem prejuízo da sua equipa de opção, o Matchedje. Porque aos olhos de Domingos Elias todos ganhavam, mesmo aqueles que perdiam. Por isso mesmo o desporto fotografado por Domingos Elias tinha o seu colorido sem mesmo o ter, tinha e seu imaginoso sem sequer chegar ao pitoresco.

Foi o mágico que transformou muitos sapos em príncipes; muitos campos de pastagem em monumentais relvados; muita grosseria em cortesia, enfim, muitos indivíduos de má catadura em indivíduos bem-apessoados. Foi assim que editamos um desporto melhor, mais higiénico e salubre, porque os aromas e os odores que impregnavam as imagens de Domingos nos contagiavam e nos induziam a escrever um desporto mais agradável do que aquele que se praticava.

Num último assomo de desnecessária lisonja, tomamos a liberdade de republicar esta imagem, da inauguração do Estádio Nacional do Zimpeto, cuja autoria é inquestionavelmente de Domingos Elias. Foi estampada num artífice que homenageou um Chefe de Estado, mas mais do que isso, prova o que temos estado a tentar poetizar, a aversão do fotógrafo pelo óbvio, pelo manifestamente fácil. A estória convertida por desta imagem é que estávamos todos no interior do Estádio, embevecidos e extasiados com o festival de fogo-de-artifício, quando o seu autor se esgueirou por todos nós e seguiu a sua intuição, colocando-se num ponto fora da exultação e do gáudio. Apenas um génio como Domingos se lembraria, num momento daqueles, de que a melhor imagem daquele tropel de júbilo e de exaltação colectiva estaria precisamente fora do Estádio…

De hoje em diante seremos como o Barcelona sem o Lionel Messi ou o Real Madrid sem o Cristiano Ronaldo, mas como recordou alguém na escassa homenagem que os colegas lhe renderam, um soldado não se reforma, passa à reserva.

Para terminar, na apoteose possível, recorremo-nos do nosso exíguo e acanhado bitonga para dizer “obrigado Domingos” e que “estamos juntos!”: nhibhonguile Muaga, hiwomo hatshapho!

Almiro Santos 

 

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