AFINAL NÃO PERDEMOS EM CAMPO!?!

DEANOF POTOMPUANHA
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A desqualificação da Selecção Nacional Sénior Masculina de Basquetebol à penúltima fase de acesso ao Campeonato do Mundo, a decorrer de 31 de Agosto a 15 de Setembro de 2019 na China, deixou muitas fissuras, algumas difíceis de compreender, ainda que tenhamos antecedentes nada abonatórios.

A maior enchente de todos os tempos na Machava!

Inaugurado em 1968, portanto prestes a completar um século, ostentando o nome de Estádio Salazar, nome do ditador e fascista português, o célebre criador do Estado Novo, o actual Estádio da Machava, produto das contribuições dos trabalhadores ferro-portuários da altura, conheceu sucessivas e variáveis enchentes registadas:

UMA ILHA CHAMADA NACALA

 

Um dia me apaixonei por Nacala. Encantei-me pela simplicidade daquela região, pelos lugares rústicos, que distam alguns quilómetros da zona urbana, pelas mulheres lindas; que seduzem sem olhar.

O figurino que todos querem mas não dão apoio necessário

Replay 

Sábado arrancou, no Chibuto, um Moçambola de incertezas, lembrando os anos iniciais deste modelo de disputa em que a prova começava sem certezas se chegaria ao seu término. Aliás, houve ano em que até se fez um compasso de espera à busca de dinheiro.

Que não volte a faltar “honra”

Atanásio Zandamela
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Praticamente desde que iniciou a luta pela ascensão ao Moçambola não tem sido uma competição com a “honra” que o nome sugere: Campeonato Nacional da Divisão de Honra. Tudo porque no meio sempre surgem “espertos” e acima de tudo muita gente que não obstante estar desprovida de unhas pretende tocar uma guitarra.

Senhores, organizem-se!

Linha de passe

 

O último absurdo protagonizado pelos dirigentes dos clubes do Moçambola foi a manifestação do seu desagrado pela separação do sorteio da maior festa do nosso futebol da habitual assembleia-geral, que geralmente apresenta, discute as contas dos últimos exercícios e aprova o orçamento para a época seguinte.

Na óptica dos dirigentes, o sorteio e a assembleia-geral devem “casar-se” sempre, ou seja, a cerimónia do sorteio é para eles a cereja no topo do bolo, devendo acontecer logo após a magna cerimónia, o que, quanto a mim, demonstra estarmos anos-luz do que acontece a outros níveis. A incrível manifestação demoveu a ideia de Ananias Coana e do seu elenco de organizar o sorteio após o final do campeonato conquistado pela União Desportiva do Songo, como, aliás, acontecera em Dezembro de 2016 quando os clubes foram de férias já conhecendo os seus adversários e os percursos possíveis no campeonato.

Entristeceu-me ainda mais ter apercebido que os treinadores, os mais interessados em planificar a sua época, socorrendo-se desse calendário, fiquem mudos, se calhar porque a esmagadora maioria, como fiz referência numa edição anterior, não é contratada à base de competência ou das suas capacidades e domínios pelos conteúdos de treino, acabando por se sujeitar a situações como esta.

Até prova em contrário, continuarei a afirmar que os nossos treinadores são contratados por determinados clubes por amiguismo, troca de favores, hipocrisia e bajulação, estas duas últimas religiões que têm conquistado cada vez mais seguidores e espaço na nossa sociedade.

Também considero que a Federação (FMF), a Liga Moçambicana de Futebol (LMF), as associações provinciais (o que fazem as associações provinciais de futebol para a seu sustento, se as provas das camadas de formação que organizam, os torneios de início de época dos seniores não geram grandes receitas?) deviam organizar-se melhor para responderem aos apelos de desenvolvimento de forma a encarar melhor os desafios que o povo quer ver realizados, designadamente, um progresso que resulte em qualificações sustentadas e nunca por mero acaso ou de percursos de felizes coincidências.

Não se pode desenvolver o futebol e pensar numa estrutura melhor se continuamos a ter e a criar dirigentes que não estão em condições de gerir uma simples logística para garantir as viagens das suas equipas no Moçambola.

Chegou-me aos ouvidos que a ideia de transferir a logística da LMF para os clubes não foi bem recebida pelos dirigentes dos nossos clubes, se calhar porque receia-se que, se tal acontecesse, efectivamente, algumas equipas não conseguiriam viajar para cumprir os seus jogos, umas por desleixo e outras por incompetência dos seus directores.

Não me espantará se um dia os clubes solicitarem à LMF serviços para levar os talheres à boca dos atletas e dos dirigentes que acompanham as delegações, muitas vezes com a missão de cumprir mais um passeio.

Já se falou por diversas vezes que os clubes não fazem absolutamente nada para rentabilizar o que têm (para os que têm algo). Não se faz nenhum exercício para produzir dinheiro porque não há pensadores nos clubes. Alguns com maior orçamento confundem o “bolo” que recebem das empresas integradoras, patrocinadores “fixos”, ou das empresas que os geraram com organização e competência. O dinheiro facilita-lhes os movimentos, mas nunca lhes confere faculdades para, a partir desse dinheiro, criar para ganhar dinheiro. Estamos longe de ter clubes que funcionem como empresas, de facto, como se chegou a pretender.

Infelizmente continua difícil acreditar que os clubes, com os dirigentes que têm, possam gerar ideias e renda para o seu próprio sustento.

A outra questão que não quer calar é: o que seria desses clubes de maior orçamento se as empresas que os suportam fechassem a torneira?

Peço, uma vez mais, aos dirigentes para que levem a mão à consciência e reflictam sobre o que descrevo aqui, porque a realidade apresentada pelo país não é encorajadora para quem vai continuar como simples receptor.

 

Orlando Conde e Gil Guiamba eram o sal e a pimenta no futebol

SAUDADES QUE O TEMPO LEVOU

 

Sei que o assunto que abordo hoje é controverso, susceptível de provocar calorosas discussões, ideias paralelamente infinitas, mas sinto-me à vontade de o zurzir, porque acompanhei, primeiro como simples espectador e depois como jornalista desportivo, o desfile dos primeiros pontas-de-lança que o país teve no pós-independência nacional.

 

De entre uma lista enorme daqueles que actuaram nessa posição, quero, aqui e agora, fazer uma pequena triagem para facilitar a escolha, a minha escolha, respeitando sempre a opinião dos outros, dentro do pluralismo de ideias que sempre defendi.

Nessa triagem que fiz, ficam, sem prejuízo para os outros, sem querer passar um atestado de menoridade a tantos outros que jogaram na delicada área, os seguintes:

Orlando Conde, Gil Guiamba, Ângelo Jerónimo, Miguel, Cossa, Sitóe, Luís Siquice, João Howana, Lucas Barrarijo, Brás, Ramos, Nando, Geraldo Conde, Jordão, Nico, Adelino, Chiquinho Conde, Arnaldo Howana, Tico-Tico e Dário Monteiro.

Todos eles, nas suas respectivas épocas, foram pontas-de-lança de elevada qualidade de execução, e o denominador comum que eles tinham era o engodo pela baliza.

Sei que a maioria da nossa juventude não tem a culpa de ter nascido mais tarde, não acompanhou as carreiras de jogadores como Sitóe, Cossa, Orlando Conde, Gil Guiamba, Miguel, Luís Siquice, João Howana, Lucas Barrarijo e outros, mas de certeza já ouviu ou leu algo deles como se ouve e se lê de Eusébio, Matateu, Pelé, Ronaldo, o brasileiro, e não o português, o liberiano George Weah e o francês Michael Platini, etc., etc.

Os mais velhos recordam-se das cavalgadas de Sitóe, do seu jogo de cabeça, dos seus portentosos remates; lembram-se de Cossa, o tal dos cinco golos ao Lesotho e dois contra os Camarões, do seu jogo aéreo, da capacidade de rematar com os dois pés; lembram-se de Miguel, o valoroso ponta-de-lança do Textáfrica, a jogar de cabeça, com boa impulsão e sentido de desmarcação na aérea.

Lembram-se de Luís Siquice, dos seus tiros de canhão e que uma lesão o impediu de realizar uma grande carreira; lembram-se de possante, rematador e cabeceador Ângelo Jerónimo, que era uma espécie de bandeira do Textáfrica, hoje presidente da Associação de Futebol de Manica; lembram-se de João Honwana, um terror para os guarda-redes, lembram-se de Ramos e Geraldo Conde, o primeiro ao serviço do Ferroviário de Maputo, o segundo jogando pelo Maxaquene, que fizeram furor na década 80/90. Todos eles eram idolatrados, eram de referência, porque faziam diferença em termos comparativos e competitivos nos jogos das suas equipas.

Num passado não muito longínquo tivemos outros pontas-de-lança também de não se brincar com eles na grande aérea.

Falo de Jordão, Adelino, Nico, Chiquinho Conde, Arnaldo Howana, Tico-Tico e Dário Monteiro. A qualidade destes jogadores ainda é recordada e até hoje ainda não surgiu um que se assemelhe a eles ou que se iguale a eles. Foram notáveis. Nico, o danger man, ao serviço do Matchedje, era também um terror para os guarda-redes, Chiquinho Conde fez furor no Palmeiras da Beira, veio a Maputo representar o Maxaquene e era, de facto, o melhor jogador do país quando foi vendido por 160 mil dólares ao Belenenses de Portugal, em 1987, naquilo que foi oabrir de portas para o exterior. Na Selecção Nacional foi o que toda a agente ainda se recorda de Chiquinho Conde. Capitão, líder, ponta-de-lança que marcava golos, que tinha arranques demolidores, uma velocidade estonteante e uma capacidade de drible que trocava os olhos aos adversários.

Arnaldo Howana, muito do reinado do Costa do Sol foi feito graças a este jogador, juntamente com Riquito, que, como ponta-de-lança, era um cabeceador, rematador e finalizador.

Tico-Tico e Dário Monteiro fizeram a diferença no Desportivo, embora em épocas diferentes, e encontraram-se também na Selecção Nacional de Futebol. Os golos eram com eles, tanto nos alvi-negros, como nos Mambas.

Sei que não há unanimidade, sei que haverá um conflito de gerações, porque há quem diga ou defenda que não se pode comparar grandezas que não sejam da mesma época, que os jogadores não são iguais e nem podem igualizar-se

Eu não subscrevo a tese que alinha pelo mesmo diapasão de escolher o melhor entre Eusébio e Cristiano Ronaldo, entre Pelé e Romário ou entre Ronaldo e Neymar, pois actuaram em épocas e contextos diferentes, mas, entre nós, dos vários ponta-de-lança que actuaram depois da independência nacional, tiro “chapéu” a:

 Orlando Conde e Gil Guiamba.

 Orlando Conde tinha boa impulsão e um jogo de cabeça extraordinário na sua eficácia, rematava com os dois pés e era um goleador nato.

Gil Guiamba, por sua vez, era elegante a correr, a driblar, a desmarcar-se, a fazer golos e era possuidor de uma técnica de execução notável. Aquele golo contra os Camarões, em que vencemos por 3-0, foi o epíteto daquilo que foi Gil Guiamba como ponta-de-lança.

Qual é a equipa que hoje, entre nós, não gostaria de ter nas suas fileiras estes dois ilustres jogadores acima referenciados?

Falei sobre o assunto com vários treinadores, jogadores e dirigentes da época. Há divergências, há opiniões que não são unânimes, há referências que se aproximam umas das outras.

– Oh, Funjua, ainda não nos disse quem foi, na sua opinião, o melhor ponta-de-lança.

O melhor? Para mim, foram os dois, Orlando Conde e Gil Guiamba.

Respeito a opinião de quem indicar Cossa, Luís Siquice, Geraldo Conde, Chiquinho Conde, Tico-Tico ou Dário Monteiro, mas, para mim, Orlando Conde e Gil Guiamba eram fenomenais, foram os melhores.

São saudades que o tempo levou, lembrar aquela gente que fez diferença no nosso futebol. 

Boavida Funjua       

 

Um abraço especial ao Chris meu grande amigo de Chirundo

Deadline

 Sou biólogo e viajo muito pela savana do meu país. Nessas regiões encontro gente que não sabe ler livros. Mas que sabe ler o seu mundo. Nesse universo de outros saberes, sou eu o analfabeto. Não sei ler sinais da terra, das árvores e dos bichos. Não sei ler nuvens, nem o prenúncio das chuvas. Não sei falar com os mortos, perdi contacto com os antepassados que nos concedem o sentido da eternidade. Nessas visitas que faço à savana vou aprendendo sensibilidades que me ajudam a sair de mim e a afastar-me das minhas certezas. Nesse território, eu não tenho apenas sonhos. Eu sou sonhável.” (Mia Couto).

 

Ainda carrego comigo os resquícios do cansaço dos 2114km de puro asfalto percorridos de Maputo-Joanesburgo-Zimbabwe até Kitwe, Zâmbia feitos em cerca de 1718 minutos (28 horas). Quando me formularam o convite com Madame Sue, a “dona” da Cosafa, para fazer parte da estrutura organizativa de mais uma edição do torneio Sub-20 de futebol da Cosafa que teve lugar em Kitwe, aceitei-o sem hesitar, o que eu não esperava era o longo percurso que teria pela frente… a primeira vez que fui à Zâmbia foi de avião e não imaginava que desta vez a fastidiosa e aventurada viagem seria de autocarro.

Disse certo autor que “o medo é o inibidor da curiosidade, é uma recusa frente ao novo. Se vencermos o medo abrimos um novo horizonte”. E eu, como um amante aficionado em descobrir novos mares fui audaz e não me fiz de rogado.

No dia 1 deste mês, por volta das 5.28 horas, saía de Maputo a Joanesburgo como primeira escala, afinal seria lá onde tomaria o autocarro com destino à Zâmbia. Depois de cerca de 10 horas de viagem, considerando que a esta época do ano o tráfego é intenso e com várias paragens pelo caminho. Por volta das 20.00 horas entravámos no Park Station, a terminal localizada na agitada cidade de Jo’burg. Logo à entrada deparei-me com um fulano que trazia na sua mão uma placa com o meu nome gravado. Era o senhor David, o motorista que me levaria até ao hotel onde devia pernoitar antes de iniciar a minha odisseia.

–        Estou aqui a mais de quatro horas. A que se deveu o atraso? Perguntou o senhor com a cara franzida. Respondi prontamente que foi o congestionamento. A cidade estava um caos.

Para desanuviar o ambiente, visto que o homem estava stressado com a demora, apresentei-me. Ainda no meio da apresentação recebo uma chamada via WhatsApp do meu amigo e colega sul-africano Samuel. Ele é fotógrafo da backpagemedia, uma conceituada empresa de fotojornalistas. Ele saudou-me em Changana… Tal facto despertou a curiosidade do senhor David, que também em Changana perguntou-me: “Wu huma kwini? Percebi logo que podíamos nos comunicar na mesma língua. Dali para frente a cara amarrada do David deu lugar a um sorriso de orelha a orelha, afinal alguns dos seus ancestrais são oriundos de Moçambique. Passei a chamar-lhe de malume (tio). Foi divertido e o tratamento passou a ser de cordialidade.

Chegado ao hotel tive a informação de que teria a minha passagem à Zâmbia na estação dos autocarros da Juldan Motors, o local está a 10 minutos do hotel onde estava hospedado. Por volta das 5.00 horas eu já estava posicionado na recepção com as minhas trouxas na mão à espera do motorista, mas desta vez não foi o David que me veio buscar, já não me lembro do nome do tipo. O autocarro partia às 7.30 horas e o fulano só chegou ao hotel por volta das 6.55 horas…

Atrasado e com os passageiros dentro do carro, apressei-me em fazer o check-in, certifiquei-me se tudo estava em ordem ou não. Com o bilhete na mão, faltava-me apenas entrar no carro e seguir viagem. Quando pensava que tudo estava em ordem eis que o fiscal aparece e diz-me que a mala que eu trazia devia ficar e só a teria na semana seguinte pois já não havia mais espaço e eu devia ter trazido no dia anterior para ser arrumada… fiquei gelado, sem entender o porquê de tudo aquilo!! Pediram-me que eu me decidisse rápido, pois o carro pretendia partir. Fui firme e lhes disse que não podia deixar a mala porque a minha missão não faria sentido. Eis que no meio daquela apreensão surge o meu anjo da guarda.

A princípio estranhei e perguntei a mim mesmo que homem era aquele que se voluntariava para ajudar-me, numa altura em que vivemos uma época em que regista-se uma incrível perda de valores sociais, que se traduzem em vidas cada vez mais desorientadas e vazias. As pessoas andam desconfiadas umas das outras, a confiança deixou de fazer sentido, apenas o egoísmo caracteriza o ser humano. O facto é que depois de alguns minutos de conversação o “anjo” Chris consegue convencer ao chefão que a minha pequena mala cabia no autocarro e lá nos fizemos ao bus. Ainda assim continuava incrédulo perante aquele “bom samaritano”, que decidiu ajudar o moçambicano desesperado.

Apenas agradeci-lhe pelo gesto e o mesmo retorquiu dizendo que já havia passado por uma situação similar na Namíbia. “Percebi o teu desespero e entendi que não eras zambiano. Os estrangeiros passam por situações similares”… explicou o Chris. Nascia ali uma amizade que deixou marcas fortes em mim. Ao longo da viagem demos cabo de duas garrafas de ballantines que nos ajudaram aguentar a longa espera na caótica fronteira de Beitbridge (do lado zimbabweano). Quem já passou por lá sabe bem do que falo. Chris disse-me ao longo da viagem que teríamos mais uma paragem longa em Chirundo, a fronteira do lado zambiano e que por sinal é a localidade onde ele nasceu.

Chegado a Chirundo Chris apresentou-me aos irmãos, amigos influentes da Migração, bancários, anciãos, polícias e não só. Enquanto aguardávamos a vistoria do autocarro por parte das autoridades da Migração foi-me servido um banquete de pratos da gastronomia local. Ainda sobrou um tempinho para deliciar-me da vislumbrante paisagem hipnotizante do grande rio Zambeze, que serpenteia Chirundo. Aprendi muita coisa e quis aprender mais sobre Chirundo. Não deu tempo porque já estávamos com o “deadline”. Tinha que seguir viagem. Na memória ficam recordações de uma fascinante viagem que fica eternamente marcada em mim… até um dia Chirundo.

Raimundo Zandamela

 

 

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