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Um panegírico ao campeão Dominguez

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Numa noite de bucólica inspiração, o craque Elias Gaspar Pelembe (Dominguez para uns e “Puto Maravilha” para outros) provou que não se farta de coleccionar títulos (pessoais e colectivos) e, por tabela, de proporcionar inusitados momentos de alacridade aos seus milhares de fãs espalhados por esta Pérola do Índico e pela diáspora.

Com efeito, a noite de quarta-feira última (17/5/2017) ficará gravada com letras de ouro em algumas páginas da cartilha do desporto-rei, pois o capitão da Selecção Nacional de futebol de Moçambique voltou a conquistar mais um título (colectivo) de campeão da “Absa Premier League” da África do Sul, ornamentado por um outro (individual) de figura do jogo (“Man of The Match” na versão inglesa).

Para lograrem esse(s) intento(s), Dominguez e seus companheiros apenas precisaram de não deixar os seus créditos em mãos alheias, mostrando que em sua casa mandavam eles,  o suficiente para impingir uma inequívoca derrota ao Polokwane City por 2-0, com o moçambicano a ser determinante na construção de tão brilhante resultado, pese embora não tenha marcado um golito para colorir ainda mais o seu desempenho.

Se por algum acidente uterino (ou por outros lapsos do destino) Dominguez não fosse moçambicano, teríamos, nós, pouca motivação para virmos a terreiro manifestar a nossa incomensurável satisfação por este feito. Mas felizmente ele é moçambicano de gema, é daqui, é nosso, e não podíamos ficar indiferentes a mais este momento ímpar na sua lustrosa carreira, que enche de orgulho muitos compatriotas (e não só), como já tivemos o ensejo de acompanhar um pouco por todos os cantos, em particular nas redes sociais.

Muita boa gente não apegada ao futebol, por certo, não imagina a legitimidade desta “ode” ao capitão da equipa de todos nós (“Mambas”,no vulgo), mas para iluminar algumas mentes importa dizer que estamos perante um humilde rapaz descoberto no decadente Torneio Bebec, em 1996, aos verdes 13 anos, que cresceu e capitalizou a sua arte de bem jogar à bola, tornou-a exportável, saiu de Moçambique e, já maduro quanto baste, num no único jogador moçambicano na diáspora que conseguiu ser campeão em todos os clubes por onde passou, num total de quatro ocasiões, a saber: duas pelo Supersport United (sua porta de entrada no profissionalismo sul-africano, há sensivelmente 10 anos), Mamelodi Sundowns e, agora, Bidvest Wits.

Mas que se desengane quem eventualmente esteja a pensar que a sua carreira foi sempre um mar de rosas, pois há que realçar que o nosso compatriota deve servir de exemplo de perseverança e luta abnegada, particularmente nos últimos anos. É que não fosse a grandeza do seu carácter, se calhar não tivéssemos hoje motivos para tanto júbilo, visto que depois de muitos anos de brilho na terra de Madiba - em que inclusive foi considerado o Melhor Futebolista da “Absa Premier League” - Dominguez acabaria, inesperadamente, sendo descartado dos quadros do Sundowns, em 2015, experimentando, por isso, o primeiro momento de “travessia do deserto” da sua carreira.

Mas o rapaz soube erguer a cabeça e nunca virar a cara à luta. Com muita fé continuou a acreditar que tinha muito por dar ao futebol de lá, de cá ou de outras paragens. E aqui há que enaltecer o papel preponderante do treinador Gavin Hunt, que acreditou na mais-valia de Dominguez em qualquer equipa daquele campeonato, tendo o convidado a integrar um projecto ambicioso por si liderado nos “Clever Boy” (Bidvest Wits), que consistia em fazer daquela equipa, num breve lapso de tempo, uma referência no futebol sul-africano.

Dominguez segurou a oportunidade com duas mãos. Quando acabava de assinar o contrato entrevistámo-lo em Joanesburgo e, radiante com o fim do calvário, garantiu-nos que emprestaria todo o saber, experiência e forças que ainda lhe resta(va)m para ajudar o clube a chegar ao topo do futebol sul-africano. E esse desiderato não levou muito tempo, pois no ano passado o Bidvest conquistou a Taça MTN, curiosamente com uma saborosíssima vitória (3-0) na final sobre o clube que o descartou (Mamelodi Sundowns).

Era, por assim dizer, o cumprir da primeira etapa da promessa de Dominguez, facto que levou o treinador Gavin Hunt a oferecer-lhe a extensão do contrato por mais uma época. E isso nem deve espantar a ninguém, pois Hunt conhece muito bem o “Puto Maravilha”, bastando lembrar que aquele treinador foi quem o recebeu em 2007 quando chegou no profissionalismo sul-africano.

Depois da primeira grande conquista no ano passado, Dominguez e seus companheiros têm todas as razões deste mundo para hoje gritarem a plenos pulmões: CONSEGUIMOS!!! E conseguiram com todo o mérito levar o até bem pouco tempo modesto Bidvest Wits a atingir o topo do futebol sul-africano, pináculo das ambições de um clube que em 96 anos de existência nunca tinha logrado ganhar o Campeonato da África do Sul. Isto é obra, gente. Uma obra que ganha sabor redobrado para Dominguez, pois venceu a concorrência do clube que o deixara no desemprego, que era, até à noite de quarta-feira última, o único adversário capaz de impedir os “Clever Boy” de saborearem o primeiro título nacional da sua história.

Quis, porém, o destino que o Mamelodi Sundowns - dois pontos abaixo do Bidvest Wits, a uma jornada do fim da prova - empatasse (2-2), em casa, frente a um aguerrido Maritzburg United, permitindo que a equipa de Dominguez alargasse a vantagem para quatro pontos (60 contra 56) e se sagrasse virtual campeão. Deste modo, o jogo da última jornada, diante do Kaizer Chiefs, já não vai ser encarado com as preocupações que se conjecturavam, porque os “Clever Boy” entrarão em campo com o estatuto de novos reis do futebol sul-africano.

Por todo o exposto, é motivo para dizermos parabéns Elias Gaspar Pelembe pela maneira brilhante com que estás a fazer história no futebol sul-africano, em particular no Bidvest Wits. Parabéns por teres aprendido (e estares a ensinar!) que quem quer triunfar na vida deve fazer da perseverança a sua melhor amiga, deve fazer da experiência o seu conselheiro e da prudência o seu irmão mais velho.

Parabéns, enfim, por teres aprendido que a vitalidade é demonstrada não apenas por essa persistência que te caracteriza, mas também pela capacidade e prontidão para começar tudo de novo sempre que necessário.Até porque dizem os sábios que uma das maiores virtudes do Homem não reside no facto de nunca cair, mas sim na capacidade de se levantar sempre depois de cada queda.

Parabéns, “Clever Boy”!!!

Reginaldo Cumbana

 

P.S.:Uma palavra de apreço vai, também, para outros moçambicanos que também militam na África do Sul, nomeadamente Edmilson Dove, que ao serviço do Cape Town City tem já assegurado o terceiro lugar, e a Hélder Pelembe, que depende de terceiros para evitar a despromoção do seu Baroka FC.

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