Vitória sobre a petulância

Volvidas várias décadas, figuras ligadas às empresas que suportaram o Maxaquene vieram a terreiro, na semana passada, pôr em causa essa decisão do primeiro presidente de Moçambique independente, usando também a “fórmula” para manipular o voto nas eleições de sábado que levaram Arlindo Mapande à presidência dos tricolores. A justificação (em clara demonstração de força, como a querer dizer “quem tem dinheiro dita as regras do jogo), para a tentativa de voltar a colocar Nuro Americano – pessoa que admiro, admirei enquanto futebolista (o melhor guarda-redes que moçambique viu nascer, a par de Zé Luís), amigo e colega (quando passei pelo dirigismo tricolor a partir do fim da década de ‘90) –, na presidência do Maxaquene foi infeliz, quão petulante, atitude de bradar os céus, provocando também a ira a muitos desportistas, jornalistas e as demais pessoas que ouviram e viram que se o candidato Nuro Americano não ganhasse as eleições seria revisto o apoio das empresas integradoras ao clube tricolor, acrescentando-se que qualquer pessoa que não estivesse ligado às empresas não estaria preparado para governar o clube, neste momento. A infeliz estratégia de comunicação usada pelos representantes das empresas integradoras caiu mal na massa associativa, que uniu todas as suas forças para o preparo de uma vitória que se traduziu retumbante, humilhante, como também convincente sobre a respeitável figura do candidato Nuro Americano. Como por diversas vezes disse, a minha veia tricolor é pública e por isso estou à vontade para dizer que não creio que a intervenção feita durante a semana passada não tenha sido urdida pelas empresas integradoras, mas sim por algumas pessoas a elas ligadas, com o “patrocínio” de figuras já bem identificadas, que sempre se consideram donas e senhoras do clube tricolor, passando anos e anos a manipulá-lo durante anos e anos, mesmo sem dar a cara, acabando por arrastar a colectividade para um patamar distante da sua real categoria, por interesses que desconheço. Importa dizer que a tentativa de fazer regressar Nuro Americano esteve revestida de lapsos diversos. Por largo tempo a linha de continuidade não conseguiu encontrar um candidato, uma vez que as figuras de referências do Maxaquene não estavam dispostas a assumir o clube. Daí que Arlindo Mapande foi ganhando espaço, tornando-se mais consensual no seio da família tricolor. A candidatura de Nuro Americano surgiu por cima do joelho e confesso que não sei o que a sustentava, uma vez que Mapande pareceu ser a única figura que quis estar mais perto dos maxaquenenses e esses sócios, alguns com alguma influência, sentiram-se acolhidos pelo candidato, que veio a ter a designação “A” nas eleições, que arrastaram ex-guarda-redes do Maxaquene e da selecção nacional a uma vergonhosa derrota. Feita ou não a asneira de eleger Mapande para presidente tricolor, cabe-me agora, por antever que dias difíceis estão por vir, lançar um desafio aos “maxaca” e ao seu novo líder Arlindo Mapande a mudar por completo a filosofia do Maxaquene, dotando o clube de projectos rentáveis, traçando estratégia viáveis de rentabilização do seu património (sem pensar em alienar o campo de futebol, nem qualquer parte das infra-estruturas) para um sustento a médio e longo prazos. A revisão dos estatutos do Maxaquene é pertinente para que todas as acções futuras estejam protegidas por esse instrumento, para que não surjam, no futuro, situações similares às usadas pelos que preferiam a continuidade. O papel das empresas integradoras deve estar bem definido e respeitado. Em nenhum momento imagino a sobrevivência sem elas, mas não se deve confundir o clube como pertença da aviação. Mentalizem que independentemente do lugar que ocupe na tabela classificativa nas diversas modalidades praticadas pelo clube, o Maxaquene é um monstro e deve manter-se como tal. Porque não me sinto confortável com a forma como o Maxaquene estava a ser gerido, aconselho que se enverede, de imediato, para uma auditoria seria às suas contas. Por último, quero aqui lembrar que o Maxaquene deve avançar para as novas acções com alicerces e esses só se ganham com coesão. O Maxaquene deve unir-se e todos devem passar a mentalizar que não há mais maxaquenenses que os outros, independemente do que tenha significado como atletas ou dirigentes no passado. Viva a democracia!

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