Vitória sobre a petulância

Joca Estêvão
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Na década de ‘70 o Presidente Samora Machel decidiu que os clubes se socorressem de empresas públicas, como integradoras ou patrocinadoras, por receio que algumas colectividades moçambicanas, sobretudo as históricas, passassem por uma crise que comprometesse a sua continuidade, uma vez que os “carolas” que as suportavam no país tinham dado uma retirada em debandada após a independência nacional.

Volvidas várias décadas, figuras ligadas às empresas que suportaram o Maxaquene vieram a terreiro, na semana passada, pôr em causa essa decisão do primeiro presidente de Moçambique independente, usando também a “fórmula” para manipular o voto nas eleições de sábado que levaram Arlindo Mapande à presidência dos tricolores. A justificação (em clara demonstração de força, como a querer dizer “quem tem dinheiro dita as regras do jogo), para a tentativa de voltar a colocar Nuro Americano – pessoa que admiro, admirei enquanto futebolista (o melhor guarda-redes que moçambique viu nascer, a par de Zé Luís), amigo e colega (quando passei pelo dirigismo tricolor a partir do fim da década de ‘90) –, na presidência do Maxaquene foi infeliz, quão petulante, atitude de bradar os céus, provocando também a ira a muitos desportistas, jornalistas e as demais pessoas que ouviram e viram que se o candidato Nuro Americano não ganhasse as eleições seria revisto o apoio das empresas integradoras ao clube tricolor, acrescentando-se que qualquer pessoa que não estivesse ligado às empresas não estaria preparado para governar o clube, neste momento. A infeliz estratégia de comunicação usada pelos representantes das empresas integradoras caiu mal na massa associativa, que uniu todas as suas forças para o preparo de uma vitória que se traduziu retumbante, humilhante, como também convincente sobre a respeitável figura do candidato Nuro Americano. Como por diversas vezes disse, a minha veia tricolor é pública e por isso estou à vontade para dizer que não creio que a intervenção feita durante a semana passada não tenha sido urdida pelas empresas integradoras, mas sim por algumas pessoas a elas ligadas, com o “patrocínio” de figuras já bem identificadas, que sempre se consideram donas e senhoras do clube tricolor, passando anos e anos a manipulá-lo durante anos e anos, mesmo sem dar a cara, acabando por arrastar a colectividade para um patamar distante da sua real categoria, por interesses que desconheço. Importa dizer que a tentativa de fazer regressar Nuro Americano esteve revestida de lapsos diversos. Por largo tempo a linha de continuidade não conseguiu encontrar um candidato, uma vez que as figuras de referências do Maxaquene não estavam dispostas a assumir o clube. Daí que Arlindo Mapande foi ganhando espaço, tornando-se mais consensual no seio da família tricolor. A candidatura de Nuro Americano surgiu por cima do joelho e confesso que não sei o que a sustentava, uma vez que Mapande pareceu ser a única figura que quis estar mais perto dos maxaquenenses e esses sócios, alguns com alguma influência, sentiram-se acolhidos pelo candidato, que veio a ter a designação “A” nas eleições, que arrastaram ex-guarda-redes do Maxaquene e da selecção nacional a uma vergonhosa derrota. Feita ou não a asneira de eleger Mapande para presidente tricolor, cabe-me agora, por antever que dias difíceis estão por vir, lançar um desafio aos “maxaca” e ao seu novo líder Arlindo Mapande a mudar por completo a filosofia do Maxaquene, dotando o clube de projectos rentáveis, traçando estratégia viáveis de rentabilização do seu património (sem pensar em alienar o campo de futebol, nem qualquer parte das infra-estruturas) para um sustento a médio e longo prazos. A revisão dos estatutos do Maxaquene é pertinente para que todas as acções futuras estejam protegidas por esse instrumento, para que não surjam, no futuro, situações similares às usadas pelos que preferiam a continuidade. O papel das empresas integradoras deve estar bem definido e respeitado. Em nenhum momento imagino a sobrevivência sem elas, mas não se deve confundir o clube como pertença da aviação. Mentalizem que independentemente do lugar que ocupe na tabela classificativa nas diversas modalidades praticadas pelo clube, o Maxaquene é um monstro e deve manter-se como tal. Porque não me sinto confortável com a forma como o Maxaquene estava a ser gerido, aconselho que se enverede, de imediato, para uma auditoria seria às suas contas. Por último, quero aqui lembrar que o Maxaquene deve avançar para as novas acções com alicerces e esses só se ganham com coesão. O Maxaquene deve unir-se e todos devem passar a mentalizar que não há mais maxaquenenses que os outros, independemente do que tenha significado como atletas ou dirigentes no passado. Viva a democracia!

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