A lógica da confrontação

O primeiro foi amesquinhado em pleno Estádio da Machava e a semana que se seguiu ao deslustroso acto mais do que nos aquietou o espírito em relação à perversidade moral contida no repreensível acto de violar a liberdade de imprensa e de expressão, como dilatou as nossas inquietações no seu concernente e ampliou a nossa desconfiança, mas sobretudo a nossa repugnância.

O segundo episódio teve lugar e cenário o quase celestial Pavilhão do Ferroviário da Beira, agravando esta flagrante transgressão às liberdades fundamentais de um escasso mas assegurado estado de direito, o facto de esses autênticos vitupérios terem sido cometidos contra uma das raras e aclamadas objectivas no feminino, a capacitada e versada Celeste Mac Artur.

Em ambos os casos parecem estar implícitas duas lógicas de choque e de altercação inapropriadas para uma instituição como o Clube Ferroviário de Maputo, conhecida precisamente por aglomerar os mais nobres sentimentos do desporto como elementos confederados às grandes emoções de massas.

Ao adoptar o embate e a colisão como fundamentais e essenciais para justificar os seus insucessos desportivos e até alguns fracassos de gestão, aqueles que conspurcam e pervertem a imagem da instituição ferroviária deviam ser serenados com alguma rispidez, até para que se restabeleça uma certa ordem num clube que precisa urgentemente de voltar a encontrar o asilo e a tranquilidade.

Até porque estas manifestações de pura arruaça e vandalismo apenas contribuem para depredar a imagem de um clube conhecido tradicionalmente pelos seus valores morais e tradicionalmente reputado como património de tolerância e de civilidade.

De resto, a esta lógica de confrontação que se procura institucionalizar, manteremos sempre aberta a lógica do diálogo e de um relacionamento higiénico e saudável, tal como aliás preservarmos com todas as outras entidades do universo desportivo.

Almiro Santos