Trinta anos de proximidade

A verdade é que desafio chega aos 30 anos assumindo o mesmo realismo mágico criado pelo também autor do “Amor nos Tempos da Cólera”, tendo sido essa crueza de relato e de reporte que às vezes nos custou o rótulo e a etiqueta de arautos de alguma coisa que não fosse o desporto e os seus naturais alvoroços.

Durante estes 30 anos desafio resistiu com obstinação e teimosia às tentativas torpes de vetar a verdade e o rigor que caracterizam o seu jornalismo de autenticidade, marca e distintivos que criaram vínculos e uma emblemática ligação com o desporto e as suas gentes, mas muito especialmente esta confidente relação com o leitor.

Foi acalentando esta nutritiva intimidade com o leitor que desafio gerou indestrutíveis laços de proximidade com um público que igualmente se mostrou próximo e confinante, nunca desistindo de alimentar a fornalha que nos aqueceu a esperança de fazer sempre um jornal melhor que o outro.Obrigado por isso.

Juntos partilhamos as alegrias e os júbilos das vitórias, mas também as tristezas e as amarguras das derrotas, próprias de um desporto feito à medida das nossas possibilidades, mas sobretudo feito com a magia e a genialidade dos ídolos que juntos geramos e veneramos com justificada fascinação e encantamento.

Tal como na idade da adolescência e da puberdade intelectual que remonta dos primórdios do jornal, no momento cumpre-nos a gratificante tarefa de alimentar o compromisso de continuar a fomentar e até incitar esta indelével conexão com o desporto e as suas gentes, mesmo contra as adversidades e os estorvos que nos surgem pelo caminho.

Pela perseverança, mas sobretudo pela casmurrice, estamos todos de parabéns!

Almiro Santos