Estranha demonstração de força

Esta autêntica comemoração segue-se à abertura sem brilho e sem fulgor do Moçambola, o mais importante campeonato de futebol de Moçambique, prova sob a égide, responsabilidade e alçada da Liga Moçambicana de Futebol, presidida pelo jovem e irreverente Ananias Coana, que falhou inauguração afim e provavelmente comparável à de Mueda, na frustrada cerimónia de Chimoio, mais concretamente no campo da Soalpo.

Estes dois momentos põem a descoberto uma vincada ideia de concorrência e competição entre duas instituições geminadas às emoções do futebol, tendo como motivação o protagonismo dos seus principais intérpretes, um dos quais com largos motivos para chamar a si a responsabilidade e o encargo de algumas pequenas reformas no nosso universo competitivo, como seja o alargamento do número de equipas e o início antecipado da época futebolística.

Se foram estas ou não as motivações para Mueda, a verdade é que esta estranha e desproporcionada demonstração de força por parte da Federação de Alberto Simango Jr. pode também ser vista como uma lição de sapiência de uma velha raposa que pretende passar a mensagem de que é possível organizar um campeonato nacional sem os queixumes e os gemidos que nos chegam diariamente da jovem raposa.

Mas mais importante do que conjecturar cenários que acomodem as muitas teorias de conspiração suscitadas pela inauguração do Campeonato Nacional da Divisão de Honra, a tribo do futebol deverá reter o magistério que nos chega do Planalto de Mueda e ter a coragem de reabrir a discussão sobre os moldes do Moçambola, num país com cerca de 800 mil quilómetros quadrados e condições económicas sofríveis.

Até porque já não existe muita margem de manobra.

Almiro Santos