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6ª Jornada do Moçambola

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Retrovisor

Quando ele também via o que nós não víamos

Com todos os outros o impulso começa precisamente na retina. De forma automática e inconsciente. É o órgão que, indiscriminadamente, comanda o dedo indicador, nervosamente postado por sob o aparelho. Assim como o soldado, entrincheirado numa qualquer frente de batalha, mantém o indicador instintivamente retesado, teso mesmo, porém suavemente encostado no gatilho da sua arma.

Com Domingos Elias era diferente. O processo de registo de emoções e de momentos era mais complexo, mais intrincado. A impulsão era instigada da alma e do coração, subia pelas artérias e por delicados vasos sensoriais até à retina. Depois retornava por aperfeiçoados sifões aperceptivos, bombeado por uma sensibilidade única, até ao momento em que o tempo parava e o registo ficava amoldado clamorosamente para a eternidade.

Assim foi o registo de uma grande parte da história contemporânea do desporto deste país. Ou talvez toda uma boa parte. Pela alma e pelo coração mais do que pelo calibre ou pelo tamanho de telescópicas lentes atreladas à sua inseparável máquina, de prodígios e de assombros, que toda a vida e carreira transportou a tiracolo, mas sobretudo levando-a atravancada e embaraçada ao peito e à alma.

Domingos Elias passa à reforma e deixa mais do que o espólio e o legado que nos faz singulares e únicos aos olhos dos leitores. O valor intrínseco dos momentos que registou ultrapassa o acontecimento, porque aos olhos do fotojornalista, mesmo as ocasiões mais disformes e desengraçadas ganhavam a graça e a forma que ele moldava. Carinhosamente, sem excepção e sem partição.

As rixas e as cotoveladas dos jogadores apareceram-nos como afectuosos abraços aos registos do Domingos; os pés em riste como simples disputas de bola desportivamente comprovadas; os golos dos adversários foram vistos como os nossos próprios golos; as lágrimas dos outros como a nossa dor e a alegria dos vencedores a comemoração dos vencidos. Tudo isto sem nunca se deixar arrebatar por assomos de clubismo e mesmo sem prejuízo da sua equipa de opção, o Matchedje. Porque aos olhos de Domingos Elias todos ganhavam, mesmo aqueles que perdiam. Por isso mesmo o desporto fotografado por Domingos Elias tinha o seu colorido sem mesmo o ter, tinha e seu imaginoso sem sequer chegar ao pitoresco.

Foi o mágico que transformou muitos sapos em príncipes; muitos campos de pastagem em monumentais relvados; muita grosseria em cortesia, enfim, muitos indivíduos de má catadura em indivíduos bem-apessoados. Foi assim que editamos um desporto melhor, mais higiénico e salubre, porque os aromas e os odores que impregnavam as imagens de Domingos nos contagiavam e nos induziam a escrever um desporto mais agradável do que aquele que se praticava.

Num último assomo de desnecessária lisonja, tomamos a liberdade de republicar esta imagem, da inauguração do Estádio Nacional do Zimpeto, cuja autoria é inquestionavelmente de Domingos Elias. Foi estampada num artífice que homenageou um Chefe de Estado, mas mais do que isso, prova o que temos estado a tentar poetizar, a aversão do fotógrafo pelo óbvio, pelo manifestamente fácil. A estória convertida por desta imagem é que estávamos todos no interior do Estádio, embevecidos e extasiados com o festival de fogo-de-artifício, quando o seu autor se esgueirou por todos nós e seguiu a sua intuição, colocando-se num ponto fora da exultação e do gáudio. Apenas um génio como Domingos se lembraria, num momento daqueles, de que a melhor imagem daquele tropel de júbilo e de exaltação colectiva estaria precisamente fora do Estádio…

De hoje em diante seremos como o Barcelona sem o Lionel Messi ou o Real Madrid sem o Cristiano Ronaldo, mas como recordou alguém na escassa homenagem que os colegas lhe renderam, um soldado não se reforma, passa à reserva.

Para terminar, na apoteose possível, recorremo-nos do nosso exíguo e acanhado bitonga para dizer “obrigado Domingos” e que “estamos juntos!”: nhibhonguile Muaga, hiwomo hatshapho!

Almiro Santos 

 

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Os novos feitores da “descomunicação” desportiva

Editorial

Aqui mais do que lá a “descomunicação” desportiva tem sido abusivamente usada para encapotar um atrasado conceito insular do desporto, ignorando os sinais cada vez mais claros de uma linguagem transparente e permanentemente exposta à avaliação pública.

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A lógica da confrontação

A dimensão e a grandeza do Clube Ferroviário de Maputo não deviam ser expostas numa vitrina de aparente depredação intelectual como parece ter acontecido em pelo menos dois episódios infelizes envolvendo dois fotojornalistas, coincidentemente ou não ambos associados a esta mesma equipa de trabalho.

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Classificação do Moçambola 2018

Equipas
J V E D GM GS P
1 U.D. Songo 5 4 1 0 8 1 13
2 F. de Maputo 6 4 0 2 9 6 12
3 Liga Desportiva 6 3 2 1 6 4 11
4 F. da Beira 6 2 4 0 10 4 10
5 F. de Nampula 6 2 3 1 7 4 9
6 Textáfrica de Chimoio 6 2 3 1 8 8 9
7 Clube de Chibuto 5 2 2 1 7 5 8
8 Costa do Sol 6 2 2 2 5 3 8
9 F. de Nacala 6 2 1 3 5 7 7
10 1º De Maio 6 2 1 3 6 9 7
11 Incomáti de Xinavane 6 1 3 2 2 3 6
12 D. Nacala 6 1 2 3 3 4 5
13 Maxaquene 6 1 2 3 6 8 5
14 UP de Manica 6 1 2 3 3 6 5
15 ENH de Vilankulo 6 1 2 3 3 8 5
16 Sporting de Nampula 6 1 2 3 4 12 5
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