Sem vapor a locomotiva quase descarrilava em casa

Globalmente a equipa do Ferroviário da Beira esteve ontem em tarde para esquecer. As transições rápidas, que tem sido o seu forte, grosso modo estiverem ausentes muito por ter encontrado pela frente uma equipa tacticamente muito bem organizada e que, a espaços, lhe entregava as iniciativas do jogo mas depois partia em contra-ataques verdadeiramente venenosos. Lucas lançou ontem a mesma equipa que jogara diante da Liga Muçulmana para a Super Taça e, também, em Dar-es-Salaam, frente ao AZAM FC, mas nem por isso evitou que a sua equipa viu-se num colete de forcas do qual não conseguiu libertar-se embora tenta tido muita posse de bola. O representante moçambicano foi assim uma equipa sem capacidade de criar lances de golo. Por isso, o guarda-redes do Zesco teve mesmo uma tarde de relativa tranquilidade porque quase tudo o que aconteceu era para assistir, não para intervir. Um a um assim vejamos como actuaram os jogadores do Ferroviário da Beira:

DEFESA

Willard –Tal como havia acontecido no jogo da 2a mão contra o AZAM na Beira, Willard este ontem em tarde inspirada. O guarda-redes “locomotiva” foi um dos principais responsáveis por a sua equipa não ter perdido o jogo. Mostrou segurança, colocação e visão que lhe valeram a grande actuação que teve. Na segunda parte, como resultado dos momentos que se viviam na baliza a sua guarda, chegou a ficar lesionado mas recuperou e continuou até ao fim dos 90 minutos.

Butana –Na primeira parte deu nas vistas e teve mesmo algumas subidas a busca de cruzamentos para a área de rigor contrária. No segundo tempo, no entanto, desapareceu do jogo talvez a ressentir-se de uma queda que o deixou certamente algo tocado.

Emidio – Forte no jogo aéreo Emídio tentou remar contra a maré. Na segunda parte houve um lance em que esteve quase a comprometer quando, tentando jogar a bola, perdeu-a e depois não teve velocidade para travar um contrário que ganhou o lance e criou mais um perigo. Felizmente, os seus colegas foram a tempo de anular a situação. Uma actuação razoável.

Cufa –Assume-se como o patrão da defesa “locomotiva”. Defendeu mas também teve sempre a tarefa de preparar as saídas da equipa procurando os companheiros mais adiantados. Uma actuação que ajudou a equipa a não sofrer golos apesar daquele vendaval todo.

Edson –Começou mal o jogo porque teve logo pela frente um avançado contrário muito complicado, o terrível Mwanza, muito veloz e versátil. Edson teve dificuldades e do seu lado abriu-se um “corredor” por onde passaram as primeiras grandes ofensivas do Zesco que podiam dar em golo não fosse alguma imperícia dos avançados. Depois Lucas deslocou Reinildo para o apoiar e ai as coisas mudaram de cariz.

MEIO-CAMPO

Maninho –Numa equipa quase em apuros, o capitão Maninho foi das melhores unidades. Lutou para desapertar o cerco e ainda teve espaço para rematar a baliza. Uma boa actuação de Maninho mais para positiva do que negativa.

Mandava –Já tinha sido titular no jogo contra o AZAM em Dar-es-Salaam. Ontem recebeu a missão de controlar as operações no miolo do terreno. Não se saiu tão bem e teve dificuldades tanto mais que tinha pela frente o principal estratega do Zesco, o capitão Mtonga, e nesse frente-a-frente Mandava saiu a perder. Tanto foi assim que acabou sendo substituído por Coutinho.

Paito –Presumivelmente por estar a ainda a sair da lesão que o apoquentou Paito ainda esta a procura da sua melhor forma. Em claro subarrendamento passou ao lado do jogo nos minutos em que esteve em campo já que acabou igualmente por ser substituído.

Reinaldo –A par de Maninho, foi dos poucos que tentou dar outra vida ao jogo da sua equipa. Na primeira parte estava colocado do lado direito e estava a sair-se bem mas como a coisa estava a ficar para preta para o jovem Epson, Reinaldo teve que ser deslocado para apoia-lo e foi bom porque ajudou a estancar a avalanche adversaria por aquele lado. Uma boa actuação de Reinaldo.

ATAQUE

Nelito –Esteve relativamente melhor que o seu colega de ataque, Mário. Tinham, os dois, a difícil missão de desfeitear uns defesas do Zesco bem avantajados e altos. Mas o jogo que o Ferroviário tentou desenvolver não ajudava porque as bolas invariavelmente eram colocadas pelo ar. Mesmo assim, Nelito lutou e teve mesmo algumas tentativas de rasgar a defesa contrária, mas nunca chegou a ser bem sucedido e as solicitações que normalmente faz para Mário não aconteceram. Teve um “quase golo” quando, lançado por Paito, e tendo depois ultrapassado o próprio guarda-redes, rematou a baliza deserta mas apareceu o pé de um defesa a desviar para o canto. Já na segunda parte viu um cartão amarelo porque o árbitro entendeu que simulou uma falta num lance em que algum sector do público chegou a pedir penalti.

Mário –Desta vez o “super” foi “super-desactivado”. Mas, mesmo em desvantagem física, ainda tentou encontrar espaço para rematar a baliza como naquela insistência no final da primeira parte. Só que não chegou a criar qualquer lance que lhe permitisse violar a baliza contrária.

SUPLENTES

Coutinho –Entrou a substituir Mandava no miolo do terreno. E entrou francamente mal. Falhou passes que quase comprometiam. Depois pareceu-nos algo pesado e com dificuldades de mobilidade ou, se quisermos, de recuperação, tal como já havia mostrado no jogo com o AZAM. Não trouxe nada de novo a equipa.

Gildo –Este sim. Se há substituições que trazem mudanças numa equipa a de Gildo no jogo de ontem foi uma delas. Gildo entrou bem. Irrequieto, tentou segurar o jogo e ainda encontrou espaço para alguns remates à baliza, um dos quais passou a escassos centímetros da barra transversal. Boa Gildo!

Tinho –Entrou para o lugar de Nelito. Apesar de ter uma compleição física mais apropriada para enfrentar os defesas do Zesco não foi a tempo de mostrar fosse o que fosse.

Texto de Eliseu Bento

Fotos de António Luís