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A vontade não pode passar por cima das normas

A possibilidade do Ferroviário de Maputo não se fazer presente no Campeonato Nacional de Basquetebol, em seniores femininos, com a sua equipa “B”, provocou na semana passada um animado debate nas redes sociais.

Antes de anunciar a minha posição sobre essa possibilidade, afigura-se mestre situar os leitores sobre o que, de facto, está a acontecer.

Ocorre que para a disputa do Campeonato da Cidade de Maputo o Ferroviário de Maputo apresentou duas equipas, sendo uma principal e uma de segunda linha, constituída por atletas com potencial e, por isso, com larga margem de progressão.

Sendo ambas do mesmo clube, a principal, tricampeã nacional e vice-campeã africana, designou-se Ferroviário de Maputo “A” e a outra, Ferroviário de Maputo “B”. Até aqui tudo bem.

Ora, por norma da Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB) a cidade de Maputo qualifica para o Campeonato Nacional as quatro equipas primeiras classificadas no respectivo campeonato.

E aqui é onde, afinal, vêm a surgir os motivos do já referido debate.

É que as jovens locomotivas foram simplesmente a sensação do Campeonato da Cidade e terminaram a competição em terceiro lugar, portanto, em posição que as qualifica para o Campeonato Nacional.

A Associação de Basquetebol da Cidade da Cidade de Maputo (ABCM), entidade que organizou o respectivo campeonato, deve entregar em carta formal dirigida à FMB a lista dos quatro clubes sob sua alçada qualificados para o Campeonato Nacional.

E antes mesmo da ABCM se pronunciar formalmente, sabe que qualquer decisão que tomar não vai agradar a gregos e muito menos a troianos.

E o debate aludido deixou transparecer dois grupos. O dos que defendem a inclusão do Ferroviário “B” no “Nacional” porque, na sua óptica, a equipa ganhou o direito de disputar o evento em campo e, por isso, deve jogar.

Mas também há o grupo dos que defendem que o Ferroviário “B” não deve disputar o “Nacional” porque nenhum clube pode se fazer presente na principal competição do calendário desportivo do país com duas equipas.

Estes são a minoria, mas aos quais me junto.

Sei que é duro para as atletas e para o treinador, Mabé, que depois de ter sido despromovido da equipa principal para esta secundária superou a situação e montou uma equipa que foi apenas a sensação da capital do país.

Mas uma coisa é querer e outra coisa é ser capaz.

E ser capaz deriva da norma. Ora, as normas sobre as equipas “B” são claras, ao preverem a sua participação em campeonatos de divisão inferior à principal e na qual toma parte, também, a equipa “B” do mesmo clube.

É assim em todo o mundo, com particular destaque para Portugal, de onde Moçambique busca quase a totalidade das suas normas de Direito, com o Direito Desportivo incluído.

Há sensivelmente quatro anos, salvo erro, a equipa “B” do FC Porto conquistou o título de campeão nacional da II Liga, levou o prémio monetário, a Taça, as medalhas e afins, mas não subiu de divisão e na época seguinte o FC Porto não teve duas equipas na principal liga do futebol português.

E não deixar esta equipa “B” do Ferroviário de Maputo participar no Campeonato Nacional é, antes de mais, defender a verdade desportiva.

Se já é obra estarem a disputar a mesma competição várias equipas que têm o mesmo patrono, no caso os diversos Ferroviários que são todos clubes dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), com todo o risco que isso representa em termos de definição do campeão, imagine-se duas equipas do mesmo clube?

É nisto que se deve sacrificar esta equipa “B”.

Porque sou mais amante de basquetebol que muitos, serei generoso em ideias para fintar a lei.

Para o ano, caso o Ferroviário de Maputo tenha condições de ter duas equipas, então, que a segunda se apresente com outro nome. Nem que seja Ferroviário das Mahotas. Mesmo que treine nas instalações do Ferroviário de Maputo; que use os equipamentos do Ferroviário de Maputo e até dinheiro do Ferroviário de Maputo, mas desde que não se chame Ferroviário de Maputo caso queira qualificar a equipa para o “Nacional”.

Porque, em boa verdade, as equipas “B” têm uma lógica de tudo menos qualificatória a uma competição que é a mais importante do calendário desportivo do país.

Narciso Nhacila

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