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Dêem futebol ao povo que não fala do preço de combustível

O futebol está a mostrar, desde a semana passada, que é mesmo uma força indispensável para o equilíbrio social e foi responsável por dar alegrias incontidas aos moçambicanos, na mesma altura em que o custo de vida era agravado pela subida do preço dos combustíveis e das telecomunicações.

Uma força tal há muito conhecida, mas que, infelizmente, parece que os políticos moçambicanos ignoram essa sua força e indispensabilidade a ponto de não investirem nele como era de esperar.

Aliás, há milénios que os romanos descobriram a força, a indispensabilidade e a necessidade do “espectáculo” como factor de criação de paz social de modo a que, quem governasse, o fizesse longe das pressões e tensões sociais causadas, algumas vezes, por políticas mal concebidas de quem governa.

Foi por isso que os romanos sentenciaram a importância do espectáculo para o equilíbrio social na célebre política do “pão e circo”.

Não compreendeu? Tão simples de explicar.

Quando a Roma tornou-se um Estado forte e rico, optou por uma política de expansão territorial. Sob domínio dos imperados romanos estavam vastos territórios, com muita gente a viver em condições de carências alimentares, de habitação, saneamento do meio e outras tantas dificuldades.

Estas condições eram perfeitas para a eclosão de convulsões sociais mas, astutos, os imperadores romanos criaram uma política de pão e circo que conduzisse o povo a não se manifestar perante as dificuldades da vida enquanto, do outro lado, quem governava o faria sem tensões sociais.

Para tanto, o Governo distribuía presentes ao povo, na sua maioria composto por cereais que garantiam que a “plebe” não morreria a fome. A acrescer, haviam 180 dias ao ano dedicados a diversos espectáculos de circo, entre eles os famosos combates dos gladiadores.

Com a política de “pão e circo”, o Governo garantia que o povo não morresse de fome e tampouco de aborrecimento devido às condições em que estava votado, por vezes devido a políticas mal feitas ou acções pouco acertadas do próprio Governo.

A vantagem da política de “pão e circo” era que, ao mesmo tempo em que a população ficava contente e apaziguada, a popularidade do Imperador entre os mais humildes ficava consolidada.

Assim, mesmo perante potenciais condições para haver convulsões sociais graves, a população continuava tranquila, enquanto o Governo, largamente aceite entre aqueles que deviam protesta-lo, ganhava tempo e espaço para corrigir eventuais erros até por si cometidos na gestão das políticas públicas.

É esta lição que, lamentavelmente, tenho que acreditar que os nossos políticos não aprenderam e que, com certeza, muita falta lhes falta.

Todos os governos do mundo sabem que se não for pela ditadura, para governarem sem grande oposição do próprio povo a que juraram servir e que, não raras vezes, mais decepcionam do que agradar, devem ter acções que se assemelhem à política romana de “pão e circo”.

Cá entre nós, parece que a semana finda foi rica em acontecimentos desportivos de grande revelo que desviaram as atenções do povo do agravamento do custo de vida, depois que o Governo decidiu por aumentar os preços dos combustíveis e a empresa de telefonia móvel, Vodacom, agravou por seu turno a tarifa das chamadas nesta rede.

Até porque um facto pode não ter nada a ver com o outro, mas o que é verdade é que se algum momento houve quem tivesse perdido o sorriso na cara pelo agravamento do preço dos combustíveis e das chamadas telefónicas na rede Vodacom, certo é que, ao longo da semana passada, outros tantos deram largas à vida com a qualificação do Ferroviário da Beira à fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos e à vitória dos Mambas diante de Angola, por 2-0, em jogo de carácter particular integrado na Data-FIFA.

Os que na passada quinta-feira ficaram até altas horas da noite à espera do chegada do Ferroviário, na cidade da Beira e os que, do Zimpeto e para o país todo celebraram a vitória dos Mambas, naquele momento e nos dias seguintes, de certeza que tiveram através do futebol um motivo de continuarem vivos que havia sido roubado pelo aumento dos preços de combustíveis e telecomunicações.

Portanto, quem governa não pode minimizar a força do futebol. E quando o der importância, mais do que se tornar pequeno aos seus pés, estará a ser politicamente astuto.

E caso os Mambas ganhem amanhã, na Beira, diante do Lesotho, serão outros tantos dias de celebração para este povo há muito sofrido e de cujo custo de vida sobe a cada dia.

Por isso, é mestre o Governo investir no futebol e outras modalidades desportivas como estratégia política. Mais do que para o alcance de fins desportivos, mas também e fundamentalmente para fins políticos.

Narciso Nhacila

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Classificação do Moçambola 2017

Equipas
J V E D GM GS P
1 U.D. Songo 24 16 4 4 30 14 52
2 Costa do Sol 23 13 6 4 31 13 45
3 F. de Nacala 24 10 7 7 20 17 37
4 Clube de Chibuto 24 10 7 7 24 22 37
5 D. Nacala 24 8 11 5 19 14 35
6 Liga Desportiva 24 9 7 8 30 26 34
7 F. de Maputo 24 9 6 9 21 20 33
8 F. da Beira 21 7 9 5 27 20 30
9 ENH de Vilankulo 23 7 9 7 24 22 30
10 F. de Nampula 24 5 14 5 18 17 29
11 Textáfrica de Chimoio 24 7 8 9 21 24 29
12 Maxaquene 24 6 9 9 20 22 27
13 Chingale de Tete 24 7 5 12 25 36 26
14 1º De Maio 24 6 7 11 26 34 25
15 UP Lichinga 23 5 7 11 11 20 22
16 A D Macuácua 24 3 6 15 12 38 15
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