De “chapa-100” se transporta o sonho do Mundial e do título

prolongando-se até o próximo domingo. Na estreia, sábado diante do Egipto, Moçambique venceu por 105-53 e ontem, frente ao Zimbabwe, a equipa de Nazir Salé voltou a atingir a “chapa-100”, vencendo por 117-28.

É de “chapa-100” que Moçambique transporta o sonho de qualificar-se pela primeira vez ao Campeonato do Mundo de Basquetebol em seniores femininos, depois de ter disputado os dois primeiros jogos do evento, integrados no Grupo-A.

Depois de ter visto a sua estreia atrasada em um dia dada a chegada tardia ao palco da competição e, por isso, não jogando como estava previsto na noite de sexta-feira, no sábado a equipa de Nazir Salé fez as delícias do público derrotando o Egipto por 105-53.

Bem melhor a atacar e a defender esteve a equipa ontem, dia em que jogou, finalmente, com o Zimbabwe, a quem “esmagou” por 117-28.

EQUIPA MELHORA

COM O TEMPO

Diante do Egipto, Moçambique acusou a ansiedade de querer começar a jogar de modo a quebrar o “gelo” depois de ter ficado um dia inteiro em branco, dai que os minutos iniciais tenham sido algo equilibrados e disputados.

Não que a equipa nacional tenha tido uma má entrada, até porque ao fim dos primeiros 10 minutos já vencia por 25-18, mas sim por algumas facilidades que concedeu às egípcias na sua defesa.

Mas o que é facto assinalável é que a Selecção Nacional melhorou de postura à medida que o tempo ia passando, como prova o facto de no segundo quarto do jogo marcou 19 pontos e sofreu 11, saindo para o intervalo a vencer por 46-29.

A pressionar bastante e a reduzir cada vez mais o espaço de manobra das adversárias, na segunda parte, a equipa nacional caminhou velozmente para uma vitória gorda e contou, para tanto, com a preciosa ajuda da jovem poste Leia Dongue, melhor marcadora do jogo com 22 pontos, seguida pela veterana Clarisse Machanguana, com 18 pontos.

O vitória parcial por 75-40 a 10 minutos do final do jogo fez acreditar que, de facto, seria possível chegar a um triunfo final depois de ultrapassar a barreira dos 100 pontos.

E foi isso o que aconteceu, com as pupilas de Nazir Salé a ganhar de forma convinte as egípcias por 105-53.

ESMAGAR SEM

APELO E NEM AGRAVO

Depois da vitória na jornada inaugural diante de um adversário relativamente melhor estruturado e com argumentos técnicos e tácticos, ontem, frente ao Zimbabwe, a equipa de Nazir Salé não deu campo de manobra às adversárias e esteve a quatro pontos dos 100 pontos no final do terceiro período.

Com 20 pontos marcados, a base Anabela Cossa foi a melhor marcadora do jogo, seguida pela extremo Rute Muianga com 18 pontos e a poste Clarisse Machanguana, com 14 marcados.

Numa partida sem história para se contar dada a gritante diferença de potencial entre as duas equipas, Moçambique animou-se e aumentou a expectativa do seu público em relação ao desempenho que pode ou deve ter em relação ao que resta do campeonato.

Sob arbitragem de Inci Elif, Chahinaz Bousseta e Tonton Banza, respectivamente da Tunísia, Marrocos e República Democrática do Congo, as duas equipas alinharam e marcaram da seguinte maneira:

Moçambique (117):Valerdina Manhonga (2), Deolinda Ngulela (13), Ana Flávia (10), Anabela Cossa (20), Clarisse Machanguana (14), Cátia Halar (3), Filomena Micato (5),   Leia Dongue (12), Rute Muianga (18), Cecília Henriques (4), Odélia Mafanela (9) e Deolinda Gimo (7).

Treinador:Nazir Salé

Zimbabwe (28):Fadzai Mabasa, Margaret Magwaro (2), Resina Chisale, Geraldine Chibonda (2), Serina Chareka, Margaret Kanyimo (2), Cleopatra Manda, Dorcas Marondera (12), Sharon Chamwarura (8), Pretty Tinarwo (2) e Patience Chinhoyi.

Treinador:Sikhumbuzo Ndlovu.

Jogadoras satisfeitas

pelos primeiros jogos

- Foram dois jogos bastante positivos e um bom começo. Infelizmente não foram jogos bastante exigentes da nossa parte, mas para começar o campeonato foram bons porque ajudaram a melhorar os níveis de motivação. Na minha óptica e sem querer menosprezar o Egipto e o Zimbabwe, o campeonato só começa amanhã – Deolinda Ngulela, base e capitã da Selecção Nacional de Moçambique.

- Acho que fizemos bons jogos. Penso que estávamos com muita vontade de jogarmos porque queríamos tirar para cá fora tudo o que treinamos. Eu penso que a equipa está bem animicamente e estamos a encarar os jogos como aquilo que treinamos – Ana Flávia Azinheira, extremo/poste da Selecção Nacional de Moçambique.

- Penso que fizemos bons jogos e espero que a cada dia que passe melhoremos as nossas prestações com vista a continuarmos a ganhar os próximos. Contra a Argélia, Costa do Marfim e o Senegal vamos entrar para os jogos com a mesma determinação e com total consideração para com as equipas adversárias – Deolinda Gimo, poste da Selecção Nacional de Moçambqiue.

A equipa está preparada

Para um bom trabalho

- Fernando Sumbana Jr., Ministro da Juventude e Desportos

- O jogo contra o Zimbabwe foi extremamente emocionante e no qual sentimos que a nossa selecção está preparada para fazer um bom trabalho em campo. Depois destas duas grandes vitórias sobre o Egipto e o Zimbabwe vão se criando cada vez mais expectativas no sentido de trazer bons resultados. Começamos bem, mas o mais importante é mantermos esta forma de jogar até ao fim do campeonato. Estamos a trabalhar todos como equipa, desde as atletas, equipa técnica, pessoal de apoio, Federação Moçambicana de Basquetebol, Governo, público, Comunicação Social e agentes do sector público e privado – Fernando Sumbana Júnior, Ministro da Juventude e Desportos.

Luíz Cezerilo preocupado

com “facilidades” defensivas

O antigo seleccionador nacional de basquetebol sénior feminino e vencedor dos V Jogos Africanos de Alexandria-91, Luís Cezerilo, disse em entrevista ao Jornal desafio que ofensivamente Moçambique está a jogar bem, mas deixa-lhe preocupado quando defende, onde abre espaço para as equipas adversárias marcarem.

No entanto, Cezerilo, que foi responsável por clamar Clarisse Machanguana aos Jogos Africanos de 1991 quando hoje mais velha jogadora da equipa (39) tinha, na época, 18 anos de idade, adverte que o facto dos adversários não terem criado tamanha oposição pode ter sido mau para a elevação dos níveis de concentração defensiva.

- Eu acho que a Selecção Nacional esteve muito bem e está de parabéns por estas duas primeiras vitórias, mas é importante notar que jogamos contra duas equipas que sob ponto de vista de competição os nossos adversários não têm grandes ambições nesta prova. Sob ponto de vista ofensivo Moçambique aparece muito bem estruturado, mas no meu ponto de vista estes dois jogos deveriam ter servido mais para organizar a equipa sob ponto de vista defensivo. Por isso, estes jogos deveriam ter servido exactamente para consolidar os processos defensivos tendo em vista os desafios dos próximos jogos que, de certeza, serão bem mais exigentes que os dois primeiros – disse o antigo seleccionador nacional.

- Se ofensivamente a equipa está bem, então o que lhe pareceu a acção defensiva da Selecção Nacional?

- Acho que ofensivamente a equipa está muitíssimo bem. Tem um excelente contra-ataque e preenchimento de corredores, uma grande capacidade de lançamentos triplos e de dois pontos, mas neste momento, defensivamente, não tenho uma imagem muito bonita da equipa. Mas também é importante notar que os adversários não ajudaram a testar a nossa valia em termos defensivos.

- Quais são os aspectos que lhe preocupam quando a equipa está a defender?

- São todos os aspectos que me preocupam. São todos porque ela ainda não defendeu.

- Acha que a equipa não está a defender como devia?

- Eu não posso dizer que ela não está como devia porque volto a reiterar que ainda não houve um adversário que nos impusesse a nós a necessidade de defendermos. No entanto, o que estou a afirmar é que deveríamos ter alguma preocupação a mais na nossa recuperação e organização defensiva independentemente do nível competitivo do adversário que tivermos pela frente – disse a finalizar.

Texto de Narciso Nhacila

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Fotos de Domingos Elias