NO LUGAR DE INSULTOS VISTAM O FATO DE TREINO E PRODUZAM ATLETAS

Confesso que não estou satisfeito com o estágio actual da modalidade, mas não venham com o chavão da crise porque a nossa fraqueza não está aí. Os 10 meses do mandato actual não sei se são suficientes para fazer avaliação do seu desempenho. Esqueceram-se que estão a sair de dois ciclos olímpicos com actuações pouco dignas e cosméticas dos elencos que lá passaram, o que exige uma campanha de moralização dos actos por parte dos actuais gestores da modalidade para recuperar a confiança e a esperança perdidas. Quando apostamos em Carlos Txuza os objectivos eram explorar a sua capacidade de gestão e não fomos felizes porque ficou pouco tempo por razões marginais à modalidade. Mas tivemos momentos memoráveis com Rodrigo Oliveira, Mumino Razaco e até com a tal Emília Chemane quando dirigiu a Comissão de Gestão. Não quero deixar de referir a passagem de Aurélio Le Bon na FMA, “idiota” por excelência, o homem das brilhantes ideias para o desenvolvimento da modalidade que desapareciam logo que tivesse recursos em mão. Estes companheiros da trincheira que se indignam com o alegado assalto à FMA hoje quando lá estiveram não fizeram o suficiente senão levar delegações desportivas a privações a ponto de fazê-los saltar o arame farpado para não pagar vistos de entrada – violando fronteiras – e como se isso não bastasse chegados lá os atletas sujeitaram-se a logística deficiente e não adequada no estrangeiro. A Sarifa era a esperança de dias melhores por ter sido alteta mas quando lá chegou também tivemos muitos problemas. Foi com o elenco dela que Carlos Evaristo com despesas pagas pela Associação em Harare foi impedido de competir porque a equipa técnica alegou que não tinha equipamento. E depois de confrontados que o atleta trazia equipamentos das cores nacionais acabaram tomando uma atitude absurda: negar-lhe a nacionalidade, ou seja, se quisesse inscrevê-lo não se devia dizer que era moçambicano. Não queremos indivíduos com atitudes anti-patrióticas na FMA porque põem em causa os princípios da carta olímpica e da unidade nacional. A história era a mesma não há dinheiro mas havia circulação de cheques com valor facial de três meticais falsificados para trinta mil meticais. Caros colegas, a FMA não é uma empresa e quem vai para lá tem de saber que vai encontrar dificuldades, mas as poucas fontes que existem bem aplicadas podem movimentar a modalidade no país de forma sustentável. Não queremos presidentes que todo momento irritam os amantes da modalidade com a história de que estão a gastar o dinheiro do seu bolso como se tivessem sido obrigados a entrar neste organismo. Como disse no princípio a incapacidade de sermos honestos e sinceros, ou por outras palavras a falta de gestão transparente dos últimos elencos que passaram pela Federação matou-nos completamente e perdemos todos nossos potenciais patrocinadores porque já não confiam em nós. Com estes analfabetos e poucos recursos mas corria-se em todo país. Lourenço Nhaúle pode ser analfabeto mas ama a modalidade e o que faz. Acima de tudo é competente por isso foi por várias vezes campeão nacional com seu Desportivo em femenino em detrimento dos treinadores intelectuais que pululam na cidade de Maputo. A animosidade Ludovina de Oliveira e Acácio Jaime não é de hoje, no ano que tinhamos apostado nela como secretária-geral da FMA, na Assemblei-Geral realizada no Chimoio este manipulou Aurelio Le Bon contra vontade das associações e desmontou-a alegando falta de experiência colocando no seu lugar Acácio Jaime. Este em menos de seis meses chefiou uma delegação para Harare e obrigou os miúdos passarem sorrateiramente na fronteira de Machipanda sem vistos. No Zimbabwe passaram por muitas privações e no regresso a delegação ficou encalhada no Chimoio porque não tinha dinheiro de transporte para o regresso a Maputo. O meu amigo Paulo Sunia sabia que caso eu entrasse na Federação ia mexer com o país inteiro e iria introduzir reformas na FMA e fez tudo por tudo para trazer o Shafee e arquitectar “acrobacias” para mudar o sentido do voto. E em pouco tempo caiu fora do elenco porque Safira continuava a mexer os cordelinhos porque o novo inquilino da Federação não entendia nada do atletismo. Era previsível que essa aliança acabaria em queda do Sunia porque estes andavam desavindos durante o último ciclo olímpico de Safira. Ora percebe-se agora que houve alianças para impedir que o Shafee cumprisse o segundo mandato mas esqueceram que qualquer tentativa de Francisco Manheche incluir na sua lista “personas non gratas” lhe punha vulnerável à pedrada por todo lado porque as pessoas não se esqueceram do passado. Infelizmente paramos no tempo e desaparecemos dos grandes eventos do atletismo na região. O grupo alvo deste movimento associativo é o atleta, Shafee procurou onde existiam quatro paredes em cada província e gritou bem alto que construiu as sedes das associações mas do ponto de vista desportivo saiu de mal a pior: matamos os pintainhos ainda dentro dos seus ovos. Estou atento e me aguardem mas parem de fazer o atletismo no facebook e na imprensa, ponham o fato de treino e produzam atletas para sairmos desta estagnação.

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