AFINAL NÃO PERDEMOS EM CAMPO!?!

Nunca uma selecção sénior masculina esteve tão perto de garantir o acesso ao principal evento planetário em basquetebol (masculino). Moçambique poderia ter se beneficiado do novo modelo introduzido pela FIBA (Federação Internacional de Basquetebol). A FIBA assumiu um protótipo que se assemelha ao usado pela FIFA (Federação Internacional de Futebol), apurando para a fase final cinco equipas africanas, sendo que no global serão 32 países, algo inédito. Com o efeito, Moçambique já partia com alguma vantagem, principalmente na primeira eliminatória, que foi disputada em Maputo, ainda que tivesse a forte oposição dos gigantes francófonos (Senegal e Costa do Marfim). A Selecção Nacional preparou-se apenas a 10 dias do evento, sem qualquer estágio internacional. Os atletas até que tentaram disfarçar a insatisfação, mas depois do jogo contra Senegal quase todos manifestaram indignação pela falta de condições e pouco tempo de preparação. Como guerreiros resilientes, revestiram-se de coragem e calaram todos os detractores, vencendo, a 23 de Fevereiro de 2018, Costa do Marfim por 66-53. Os moçambicanos deixaram as suas emoções manifestarem-se e lá foram à catedral do basquetebol para apoiarem os “rapazes”. Novamente o combinado nacional superou as suas dificuldades e levou a melhor diante da teimosa República Centro Africana (59-52). E o Senegal? Não havia nenhuma obrigação, mas deveríamos vencer para fortificar o ego e fazer alimentar ainda mais as possibilidades de transitarmos à última fase, sem necessidade de vencer nenhum jogo da segunda eliminatória em Dakar (Senegal). Depois de estarmos a vencer por 12-0, não conseguimos parar o Senegal (60-52). Uma das melhores lembranças foi a “bomba” de Pio Matos! O jogador do Ferroviário de Maputo levou a casa abaixo com um triplo do meio-campo, no último centésimo do primeiro período! A espectacular jogada de Lingras tornou-se viral e liderou o top-5 dos melhores momentos de qualificação africana, eleita pela FIBA. Terminada a primeira eliminatória, Moçambique ocupou o segundo lugar, com cinco pontos, os mesmos que Senegal, em primeiro. Pelo que matematicamente precisaríamos apenas de uma vitória em Senegal, palco da segunda eliminatória. Todavia, não chegámos a ter uma preparação de facto. Kendal Manuel foi a feliz surpresa naquela fase. O jogador de Oregon State dos EUA esteve disponível para partir, junto com a Selecção Nacional, para Ruanda, onde o combinado nacional fez dois jogos (amistosos) contra a selecção local. E foi a partir dali que tudo pode ter se desmoronado. Ao que indica, durante o estágio dois atletas foram encontrados ébrios e posteriormente suspensos. Já em Senegal soube-se que Pio Matos e David Canivete estavam lesionados. Fontes que por motivos de força maior não as posso revelar indicam que Canivete saiu de Maputo lesionado, não tendo revelado a sua situação clínica, daí que não tenha realizado nenhum jogo no Senegal. Verdade ou não, a Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB) tem/deve ter uma estrutura que inclui uma equipa médica, a mesma que poderia ver em que condições estava o plantel e com quem contaríamos para uma tão delicada e importantíssima fase de acesso ao “Mundial”. Moçambique acabou não estando na sua máxima força e deixou potenciais atletas, como Ivan Cossa, Francisco Macaringue, entre outros, que poderiam, junto com um pouco mais de bravura demonstrada em Maputo, ao menos vencer um jogo. Em Dakar somámos por derrotas os três jogos. Primeiro contra Costa do Marfim (65-42), seguiu-se a República Centro Africana (72-63) e depois o Senegal (78-63). Mais do que os números, preocupa-me a atitude de que resultou neles. A FMB tem a oportunidade de esclarecer todo o processo de preparação da Selecção Nacional (administrativo, desportivo e casos de um suposto boicote com que resultou a desqualificação de Moçambique). Quem nos liberta desta bola presa? 

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