SAUDADES QUE O TEMPO LEVOU

Na consulta do muito que se escreveu em jornais, revistas e livros, detive-me, em especial, no autor do “Isto de Futebóis”, Ângelo de Oliveira, jornalista desportivo de eleição no Notícias e no semanário domingo durante três décadas, nado em Quelimane, tendo jogado no Sporting de Lourenço Marques, tendo como colega Eusébio da Silva Ferreira e adversário Matateu, quando este actuava no 1° de Maio, antes de rumar para Portugal, onde representou o Belenenses.

Ângelo Rocha de Oliveira debruça-se sobre os melhores guarda-redes do período colonial e nomeia uma lista para depois escolher o melhor da então Província Ultramarina de Moçambique.

Mendonça (Desportivo), Felizardo e Octávio Sá (Sporting), Costa Pereira (Sporting e depois Ferroviário de Maputo) e Pedro Santos (Desportivo).

Carlos e Brassard, apesar de não terem sido referenciados por Ângelo de Oliveira, creio que por esquecimento, deviam, quanto a mim, figurar nessa lista dos melhores no período antes da independência nacional. Oliveira não incluiu o nome de Acúrcio Carrelo apenas por não ter sido moçambicano.

Na sua análise, Ângelo de Oliveira refere que, apesar de Costa Pereira ter chegado mais longe, por ter jogado no Benfica de Portugal e na selecção portuguesa, “não foi o melhor” e que o melhor, para ele, tinha sido ou foi Pedro Santos, que defendeu a baliza do Desportivo nas décadas 50 e 60 e várias vezes foi tentado para jogar na Europa, tendo sempre recusado. Na visão de Ângelo de Oliveira, depois de Pedro Santos talvez seguissem o Costa Pereira e o Octávio de Sá como melhores.

Confesso que tirando Carlos e Brassard, que não foram referenciado pelo autor de “Isto de Futebóis”, a maioria dos jogadores citados por Ângelo de Oliveira não são e nem foram do meu tempo, razão pela qual escuso-me a tecer qualquer consideração ou juízo de valor sobre eles, apesar de ter visto alguns deles a actuarem quando ainda era adolescente.

Eu pretendo, isso sim, debruçar-me no período pós-independência, portanto, de há 42 anos a esta parte, com conhecimento de causa, com alguma legitimidade como espectador e depois como jornalista.

Quando da proclamação da independência nacional eu era ainda um adolescente, com apenas 16 anos, mas já andava no Ensino Secundário, já jogava futebol na Escola Rebelo de Sousa, ali perto do Hospital Central de Maputo e no meu bairro – Maxaquene. Ia aos campos ver o Sporting, o Ferroviário, o Desportivo, 1° de Maio e Benfica de Lourenço Marques.

A caminho de ser sexagenário, mas ainda bem lúcido, sinto que tenho alguma legitimidade de falar daqueles que fizeram história no futebol do nosso país na pós-independência.

De algum tempo a esta parte falei dos melhores pontas-de-lança e hoje quero falar dos guarda-redes.

Não haveria espaço suficiente para mencionar a todos eles, razão pela qual tive de fazer várias triagens, estando, desde já, a pedir as minhas sinceras desculpas a muitos que prestaram ‘bons serviços” aos seus clubes.

De uma lista enorme, mas enorme mesmo, detive-me a recordar Williamo, Estêvão, Leonardo, Aleixo Fumo, Isaías, Manuel, Mussengue, Abudo, Rodrigo, Gervásio, Zé Luís, Nuro Americano, Filipe Chissequere, Rui Évora, Antoninho, Sérgio Maria e Kampango.

Disse que queria falar dos melhores, daqueles que marcaram uma geração nos seus clubes e na Selecção Nacional de Futebol.

Assim, impunha-se uma outra triagem, ficando:

Zé Luís (Textáfrica), Nuro Americano (Maxaquene), Sérgio Maria (Costa do Sol), Aleixo Fumo (Ferroviário de Maputo), Filipe Chissequere (Matchedje), Manuel (Maxaquene), Rui Évora (Costa do Sol), Antoninho (Costa do Sol) e Kampango (Ferroviário de Maputo). Todos eles actuaram também na Selecção Nacional de Futebol.

Posto isto, quem foi o melhor guarda-redes depois da independência nacional?

Foi Nuro Americano!

Sei que não haverá unanimidade, haverá controvérsia, haverá os prós e contras, mas respeito a opinião de outras pessoas, porque Zé Luís, Filipe Chissequere, Rui Évora e Kampango também foram “grandes” nos seus clubes e na Selecção Nacional, mas como tinha que escolher um lá me saiu NURO AMERICANO!

*A título póstumo

NR: Este texto é publicado em respeito ao último pedido de Boavida Funjua, num contacto telefónico que o malogrado manteve com o chefe da Redacção na última terça-feira, antes de dar entrada no HCM. Paz à sua alma!

Leia mais...