O figurino que todos querem mas não dão apoio necessário

Mas a chegada de Alberto Simango Jr. à presidência da Liga Moçambicana de Futebol (LMF) trouxe na altura alguma tranquilidade, não se sabe como, contudo o actual presidente da Federação Moçambicana de Futebol conseguiu afastar por bons anos esse espectro de incertezas. A experiência foi seguida por Ananias Couana no primeiro ano de mandato até que a crise de que se fala bateu realmente à porta das grandes empresas, com algumas a deixar de apoiar ou a reduzirem o apoio.

E desde o ano passado que essa incerteza do final da prova voltou a pairar, porque ainda que seja do desejo de quase todos, no modelo actual os clubes são sujeitos a apoiarem praticamente por verem que ou cedem um pouco ou a prova não chega ao fim.

Foi assim que desde o ano passado os 16 clubes abdicam dos valores das transmissões televisivas para aliviar as despesas com o transporte aéreo, que ficou mais caro devidos à introdução da Taxa sobre os Combustíveis, avaliada em cerca de 33 milhões dos 80 milhões necessários para as 30 jornadas.

Mas mesmo com esta cedência o campeonato continua a ter uma fraca comparticipação dos clubes, que só pagam alimentação aos seus jogadores. E nem isso alguns o fazem com alguma elegância. Lembro-me que houve inclusive situações de take-away dos restaurantes móveis (carros) e outras situações como aquele caso do Desportivo do Niassa que chegou mesmo a faltar a um jogo por os jogadores não terem almoçado.

Sentindo dificuldades para viabilizar a prova, o ano passado a Direcção da Liga Moçambicana de Futebol chegou a ensaiar alguns modelos para a mudança do actual figurino para um menos oneroso em relação ao transporte aéreo, contudo ainda não teve o apoio necessário, até porque o modelo que promove a unidade nacional através do futebol – chega aos distritos – não agrada alguns decisores políticos, muito menos aos clubes.

Mas o que fazer perante esta realidade? Não estou a defender Ananias Couana, mas como as contas para às Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) tendem a aumentar ao contrário dos apoios que a LMF recebe – a tendência é decrescerem devido à crise que se vive no país – a solução é repensar seriamente no Moçambola.

Numa entrevista recente a este semanário Couana levantou três opções para manter o actual figurino, nomeadamente o Governo, estando interessado no modelo, assegurar a maior despesa da prova,  o transporte aéreo (i); isenção do pagamento das taxas sobre combustíveis avaliadas em mais de trinta e três milhões  (ii) e a mobilização, como vinha sendo prática, do empresariado para apoiar mais do que tem feito até agora  (iii). Como que a dizer ou isso ou a prova pode não chegar ao fim um cenário que esteve quase a acontecer ano passado. Aliás, não fosse o pagamento das dívidas por parte da Televisão de Moçambique – fala-se de mais de trinta milhões – não sei não... 

O que adianta insistir num modelo que se tem tornado inviável perante o cenário actual de crise económica que o país vive, onde se assiste empresas a fazerem cortes de funcionários e outras regalias necessárias para o funcionamento.

Pensemos se vale a pena insistir nesse modelo ou ensaiar um outro alternativo porque não basta querermos o modelo mais bonito ou abrangente e não tirarmos dinheiro para a sua viabilização como está acontecendo.

Atanásio Zandamela