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Indisfarçável angústia de Xavier e jogadores

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Não venham com a história de amor à pátria, com trabalho sem remuneração. A pátria está em primeiro lugar, sim, mas é preciso que haja estímulo.

É preciso saber lidar com os jogadores, seja nos clubes como na selecção. Não se esqueçam que as suas carreiras, muitas vezes, não passam dos dez anos na alta competição.

Abordo este assunto sem modéstia, sem ódios, nem receios. Aliás, como sempre é-me característico. Repito e digo: sou indivíduo de ideias próprias e para dizer o que penso não me importo com o estatuto, nome, região ou raça do visado. Se calhar seja por isso que ando de peito aberto, enfrentando qualquer dirigente desportivo, entre outros agentes desportivos. Nasci, cresci e vivo comprometido com os factos. Espero que assim morra. Por essa forma, sigo em frente.

Criou-me um mal-estar ouvir por diversas vezes o seleccionador Abel Xavier a reclamar sobre um tratamento não profissionalizado ao seu grupo de trabalho, particularmente dos seus jogadores. Ao seu estilo, como nunca tinha demonstrado enquanto seleccionador, Abel Xavier não disfarçou a sua angústia pela ausência de profissionalismo por parte da federação de futebol em relação ao seu trabalho.

O técnico não quis tocar profundamente nos assuntos que derivam do seu amuo, preferindo apelar que fossem concedidas melhores condições à sua equipa, que é de todos nós, se Moçambique almeja chegar às grandes competições.

Aliás, certa imprensa portuguesa fez alusão a esse facto, pois era visível um tal mal-estar nos jogadores antes e depois do jogo contra o combinado cabo-verdiano. Pelo que soubemos, quem quiser que desminta, os jogadores ameaçaram não ir ao Complexo Desportivo Real Massamá, onde se realizou o último jogo dos Mambas. Travaram-se várias discussões antes do despique. Numa das circunstâncias, os jogadores pediram que os dirigentes da federação saíssem da sala para conversarem com os seus treinadores, mas apelaram que estes não interviessem nas suas reivindicações à Federação Moçambicana de Futebol (FMF), uma vez que os técnicos pressionavam-lhes para não faltar ao jogo.

Quando faltavam 45 minutos para o início do Cabo Verde-Moçambique os jogadores decidiram fazer-se ao campo, jogando, em nome da nação e pelos seus treinadores, que, segundo me constou, sempre estiveram juntos nos seus propósitos. Depois foi o que se viu. Num jogo bem conseguido, com solidariedade entre os jogadores, os Mambas venceram, e justamente, aos tubarões azuis por 1-0, com aquele golo, que lembrou a muitos, pela força do remate e distância da baliza, os grandes golos do finado Eusébio da Silva Ferreira, estrela saída do ex-Sporting Clube de Lourenço Marques (hoje Maxaquene) para o Sport Lisboa e Benfica e selecção portuguesa.

Os jogadores dedicaram, no fim, a vitória à nação e, naturalmente, aos seus treinadores. Não fizeram menção a nenhum dirigente da FMF. Facto curioso é que entre eles e os dirigentes não houve também aperto de mãos.

Afinal o que há de concreto?

Abel Xavier não quis se desdobrar em apresentar factos sobre o seu descontentamento, mesmo quando abordado pela imprensa portuguesa. Disse apenas que a federação sabia quais eram as condições exigidas. Dias depois a principal causa desse vukuvuku todo era a indefinição dos prémios de jogo e diárias pela federação.

A verdade é que os jogadores bem antes deste compromisso solicitaram a revisão da sua diária quando estivessem ao serviço dos Mambas.  

Os jogadores, como dizia anteriormente, solicitaram a melhoria na sua diária, ou seja, que a FMF passasse dos 250 dólares (a estada nos trabalhos da selecção) para 600 dólares quando os jogos são efectuados fora de portas e 400 dólares para os jogos em solo pátrio. Sem nenhum diálogo, a federação estipulou em 300 dólares a estada (independemente dos dias de serviço) e, mesmo assim, esse valor só é pago no fim da viagem. No entanto, os dirigentes recebem entre 500 e 300 dólares/dia, conforme a categoria. Triste, não é? Afinal quem é o artista?

Há, no meio desta bronca, dívidas de prémios de jogos particulares. Até entendo que não haja disponibilidade imediata, mas é preciso que se aproxime aos jogadores para explicar essa dificuldade, se for o caso. No jogo contra o Quénia a FMF ficou de pagar 15 mil meticais de prémio por jogador e 20 mil meticais na mesma circunstância para o jogo contra a África do Sul.

Em Portugal outra situação que entristece os jogadores é de eles não terem passado uma única refeição com o seu dirigente máximo.

Este imbróglio todo pode vir a custar caro a alguém ou assistiremos, doravante, a um casamento sem sal, nem pimenta.

 

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