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Para que caixa de lixo mando a Inspecção do MJD?

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O degradante desempenho da Selecção Nacional Feminina de Basquetebol da categoria de Sub-16, sábado último terminado na cidade da Beira, fez-me ultrapassar as medidas da minha imensa quanto longa paciência para com quem dirige o basquetebol moçambicano, em particular, mas também, e de modo geral, para com a Inspecção do Ministério da Juventude e Desportos.

A humilhação com que Moçambique passou nos últimos dias na cidade da Beira tem caras: a Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB) e o Governo, mormente através do Ministério da Juventude e Desportos.

Mas vamos em partes para que a minha lógica de responsabilização destas duas instituições seja de fácil percepção por parte do estimado leitor.

Primeiro, responsabilizo a FMB, dirigida por Francisco Mabjaia, porque este órgão foi incapaz de desenhar um plano de organização do Afrobasket Sub-16 que culminasse com a apresentação de uma equipa capaz de lutar por um dos dois primeiros lugares da competição, o que automaticamente significaria a qualificação do nosso país para o Campeonato do Mundo de Sub-17 no próximo ano, na Espanha ou Bielorrússia.

Mas porquê a FMB de Francisco Mabjaia deve ter responsabilidade, de facto?

Porque do último Afrobasket da categoria havido em 2015, em Madagáscar, até agora, a FMB sabia que tinha dois anos para preparar uma selecção com atletas de idade igual ou inferior a 16 anos até à data do início da competição, mas só a escassos meses do evento é que, de facto, uma equipa técnica foi indicada para o início dos trabalhos com esse propósito.

Ou seja, a FMB negligenciou, na melhor das hipóteses, uns valentes 21 meses para, depois, faltando apenas três, começar a preparar, de facto, este Afrobasket.

Claro que nestas circunstâncias Moçambique até podia lograr chegar à final e conseguir, desde logo, um grande objectivo desportivo, que é a qualificação ao Mundial de Sub-17. Mas frise-se que seria um resultado mais acidental que construído e revelador do demérito dos demais participantes na competição.

Foi isso o que aconteceu. Bastou um bom nível de apresentação dos adversários para a fraca preparação do nosso país vir ao de cima.

De uma vez por todas, a FMB deve saber que por mais demorado seja o tempo, ele passa. E, neste caso, dois anos não é assim muito tempo para demorar o início de preparação de uma equipa, ademais de um escalão de formação.

Em dois anos a FMB tinha tempo para pesquisar e apresentar uma lista ambiciosa de atletas com idade igual ou inferior a 14 anos; submetê-las a um rigoroso processo de preparação que apontasse a sua maturação para Junho de 2017, altura em que, no calendário da FIBA, se espera a disputa do Afrobasket da categoria.

Isso não aconteceu. Tudo foi feito à última hora, o que abre espaço para aquelas justificações infelizes de que a culpa é dos clubes que preparam mal as atletas.

É verdade que os clubes preparam mal as atletas, mas nada proíbe a FMB que no âmbito dos seus planos de preparação das selecções dos escalões de formação e médio e longo prazo tenha sob sua tutela um grupo de atletas que treinam e cumprem um plano de preparação visando um Afrobasket.

Não basta dizer que a culpa é dos clubes. É preciso assumir que a FMB também tem vindo a falhar por falta desta visão utópica. Por falta desta visão para o encontro com o futuro.

Por exemplo, já o disse pessoalmente a Francisco Mabjaia e a outros presidentes que o antecederam que nada obsta que, querendo, a FMB pode, depois de chegar a acordo com os clubes (donos dos atletas), seleccionar um grupo de atletas que constituam uma equipa (sua) e que jogue uma prova como o Campeonato da Cidade de Maputo, mas sabendo-se que, na verdade, trata-se de uma selecção em permanente preparação.

Chegando a acordo com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, mandaria vir das províncias até à capital do país o(a)s melhores atletas jovens que, beneficiando-se de uma bolsa de estudos, continuariam a jogar basquetebol enquanto prosseguem com os estudos.

Não acho que isso seja impossível.

Tudo não tem sido feito.

Em 2018, por exemplo, teremos dois Afrobasket de Sub-18, em ambos os sexos e, querendo, a nossa FMB pode começar agora a preparar esses eventos. Mas o mais provável é que essa preparação vá começar, quando máximo, com apenas três meses de antecedência!

Depois, porquê responsabilizo a Inspecção do MJD pelo descalabro da Beira?

Porque, no meu entender, mais do que José Dimitri, inspector-geral do MJD, repetir o já gasto disco de que visita as federações e clubes para aferir o grau da sua legalidade, como se para se estar vivo e ter direitos é preciso ter documentos, esta entidade devia procurar saber quais, de facto, os planos de trabalho que têm as federações e clubes.

Porque, no nosso entender, José Dimitri deve saber que em Moçambique há existência formal e material.

São várias as federações, clubes e até núcleos desportivos que existem por este país fora que não são formalmente legais, mas fazem um louvável trabalho prático em termos desportivos. Por isso, aos olhos da opinião pública, pouco importa se legais ou não enquanto estiverem a fazer o que os legais não fazem.

Dito desta forma, a Inspecção do MJD tem culpa no cartório, porque ao longo dos últimos dois anos, quando passou pela FMB, foi para saber do nível da sua legalidade, ignorando o lado prático das suas funções.

O Governo não pode ter competência para exigir da legalidade de quem faz desporto no país, ademais as federações que recebem dinheiro seu no quadro de contratos-programa. Deve ter, sim, competência para mais, com os planos de preparação das selecções com prioridade.

Porque se ser inspector-geral do MJD é para fazer o que anda a fazer José Dimitri, então agradeço que não me façam convite para tal.

Narciso Nhacila

 

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