Nem tudo está mal neste novo Moçambola

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Narciso Nhacila
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O Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, vulgo Moçambola, volta a partir deste ano a ser disputado em moldes regionais, no que representa a expressão maior da falta de liquidez da Liga Moçambicana de Futebol (LMF) para manter o modelo que esteve em vigor nos últimos, quase, 20 anos. O regresso ao modelo regional de disputa do Moçambola não surpreende, no seu todo, porque nos últimos anos vinha- -se agravando a crise financeira da LMF, mormente no que tange à disponibilidade de verbas para custear o transporte aéreo, o item mais oneroso da competição. Em 2018, recorde-se, teve que ser o próprio Presidente da República, Filipe Nyusi, a ordenar a injecção financeira directa na LMF para evitar que o Moçambola, ora iniciado, não parasse e não chegasse ao fim por falta de dinheiro. À época estava claro que em 2019, sem dinheiro dos patrocinadores, o Governo não faria milagres para manter o Moçambola, resistindo estoicamente, pelos vistos, aos apelos da importância política que o campeonato nacional tem no que ao estímulo da unidade nacional diz respeito. Aliás, em toda a sua história, a política foi o maior cliente do Moçambola. Era ela, a política, que mais comprava o Moçambola, quer directamente, por via do Fundo de Promoção Desportiva (FPD), ou por via de empresas públicas ou do sector empresarial do Estado, quase todas em resposta a uma ordem política. Só que com a crise económica que abala o país não só o Governo viu a sua capacidade financeira limitada quanto as empresas públicas e do sector empresarial do Estado, o que justifica a situação órfã em que se encontra a LMF. Mas esta crise deve ser uma oportunidade para o futebol nacional se reeinventar. É, aliás, para isso que vem este meu texto. É que para se ser curado pelo médico é mestre reconhecer a doença de que se padece e se dizer todo o histórico ao profissional de saúde para administrar os curativos apropriados. Há que considerar duas a três razões de fundo para se admitir que não estamos no apocalipse. Uma é de ordem geográfica. Aqui é bom admitirmos que Moçambique é um país imensíssimo que, por isso, liga-lo todos os fins-de-semana de avião para jogar futebol, durante oito meses, é deveras oneroso para um futebol que não produz só por si os milhares de meticais de que necessita.
 
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Moçambola 2019

Pos Equipe J V E D GC GM Pts DP
1. C. do Sol 30 20 6 4 25 56 64 +31
2. UD Songo 30 19 3 8 29 47 59 +18
3. Fer. Maputo 30 13 9 8 22 34 43 +12
4. Fer. Beira 30 12 9 9 25 34 43 +9
5. Fer. Nacala 30 12 5 13 31 28 40 -3
6. ENH 30 10 11 9 30 29 37 -1
7. LD Maputo 30 11 7 12 36 30 37 -6
8. Textafrica 30 11 7 12 30 22 37 -8
9. Des. Maputo 30 10 10 10 29 35 36 +6
10. Incomáti 30 10 10 10 31 29 36 -2
LD Maputo 5 : 4 Des. Maputo
Têx. Púnguè 1 : 1 Nacala
B. de Pemba 1 : 2 ENH
Chibuto 1 : 0 UD Songo
Fer. Nacala 1 : 0 Fer. Beira
Fer. Nampula 2 : 1 C. do Sol
Maxaquene 1 : 0 Fer. Maputo
Textafrica 1 : 1 Incomáti

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