Um especial Sporting-Chaves

Nem foi preciso um cavalo de Tróia para lá entrarmos, tendo bastado para tanto inspirarmo-nos um pouco num desses policiais de Agatha Christie para irrompermos pelo reino do leão sem sermos notados. Desconstruindo a enigma: o Júlio Manjate, director do Notícias, homem de sete orgulhosos e verdes costados, não quis perder o ensejo de assistir a um Sporting-Chaves e arrastou para o metro de Lisboa uma abnegada e resistente infiel águia por galerias e túneis da estação de Campo Grande, que antecede a de Alvalade, onde praticamente obrigou o perjuro companheiro a enrolar um cachecol condizente com o meio circundante, acto contínuo arrastando-o para a bilheteira onde ao aludido foi extorquida a exorbitante soma de 26 euros, mais ou menos dois mil meticais. Para que conste para a posteridade e para as gerações vindouras, foi sob protesto que o desembolso foi feito, até porque todos os tostões eram poucos para esta viagem de inquirição e pesquisa realizada junto de alguns jornais portugueses. Mas afora o facto de ter sido coagido a enrolar o verde cachecol no pescoço,

até por razões de segurança, é preciso reconhecer que esta experiência permitiu tirar ilações sobre o nível do nosso futebol e dar razão ao Artur Semedo quando fala no “nosso futebolzinho subdesenvolvido”, e só por isso não pedimos para ser ressarcidos dos 26 euros entretanto espoliados. Mas que houve coacção intelectual e constrangimento, houve sim senhor!

Almiro Santos