FMF DESCONFIA QUE HAJA MANDANTES DA VIOLÊNCIA

Por:A. Zandamela e C. Mugabe

De há alguns anos a esta parte tem se assistido ao aumento de casos de violência nos campos, na maioria das vezes protagonizados por adeptos. Enquanto ainda tentávamos digerir o caso da agressão ao árbitro Abdul Kadri em Pemba eis que semana passada assistimos mais uma violação, com a particularidade de, pela primeira vez, ter sido antes do jogo e contra jogadores da equipa que jogava fora de portas. E, na tentativa de busca de culpados, a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) não descarta a possibilidade de existirem mandantes, enquanto a psicologia aponta para a necessidade de educar as pessoas a serem adeptas, sob pena de as punições que são feitas não serem suficientes para desencorajar estes actos. Quem ainda não se pronunciou, apesar das tentativas feitas, foi o Comando-Geral da Polícia.   No último caso assistiu-se à agressão nalgum momento com sucesso e noutro não e de banho com água suja e salgada por parte dos adeptos do 1º de Maio aos jogadores do Textáfrica momentos antes de iniciar a partida entre ambas equipas a contar para a 20ª jornada do Moçambola. Estranhamente, estes actos acontecem sem que ninguém ligado à Direcção do 1º de Maio de Quelimane ou à segurança esteja por perto. Aliás, até a Associação Provincial de Futebol da Zambézia, a avaliar pelas declarações da respectiva presidente, sabia de tudo, daí o regozijo de Mariza do Rosário, que nas redes sociais praticamente passou a mensagem de que os cães ladram e a caravana passa. “Digam o que disserem, contas sanadas. Quem com ferro mata com ferro morre. Portanto, 1º de Maio de Quelimane, 1-Textáfrica, 0…, fui”, escreveu, num claro incentivo do tipo “olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe, ou então de pagar pela mesma moeda” esquecendo que uma vez Gandhi disse que “olho por olho e o mundo acabará cego”.

Trazemos este caso de Quelimane porque ao contrário doutros a violência é manifestada antes do jogo, o que é inédito, e a psicóloga Brígida Nhantumbo chama a isso de “chantagem intimidadora” mas que os promotores chamam de “limpeza”, já que consideram que o Textáfrica tem recorrido aos curandeiros para ganhar e aquele “banho”, recomendado por um outro curandeiro, era a única forma de acabar com o tal efeito.

Árbitros, Jogadores, Treinadores e Jornalisaas Todos JÁ foram violentados…
Com motivações diferentes, mas os casos tendem a crescer, não obstante os apelos que têm sido feitos. É altura para que mais do que simples apelo se faça mais alguma coisa. E ainda que difícil a criação de uma base de dados que permita a identificação de adeptos pode ser uma saída para travar o “hooliganismo” que tem estado a ganhar espaço entre nós.

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