Dinâmica de desenvolvimento está inibida pela má estrutura dos clubes

As figuras do director desportivo e de director técnico são marginalizadas pelos clubes, ficando essas funções geridas pelos presidentes e vice-presidentes para a área de futebol, mesmo sem grande disponibilidade para as tais funções.

A maioria dos clubes moçambicanos desconhece os termos de referência para um director desportivo. Se têm conhecimento, negligenciam essa figura introduzida nos clubes para ajudar a estabelecer a ponte entre a direcção e a equipa técnica. Em muitos casos, alguns agentes desportivos com essa designação são limitados a coordenação de tarefas secundarias, como por exemplo a gestão de refeições, viagens, tratamento de expediente na materialização das inscrições dos componentes do plantel e um pouco menos. A direcção do clube, que devia ser um colégio deliberativo é, em grande medida, parte do executivo do clube. Exactamente por isso, de ano em ano, há presidentes, vice-presidentes, directores, chefes de departamentos engajados em fazer contratações de treinadores e jogadores para o mesmo plantel, obedecendo critérios pouco claros.

O grosso dessas colectividades têm o directores desportivos executivos como uma mera figura decorativa, ignorando por complecto que as verdadeiras funções desse elemento passam essencialmente por definir as políticas técnicas, sendo este elemento preponderante na sugestão à direcção do clube o perfil de futebol que se pretende para a equipa, desenho projectos para a equipa de futebol, escolha das peças consideradas fundamentais, do treinador com o perfil definido para as características do modelo de jogo a adoptar pela colectividade, em coordenação com o director técnico, outra figura decorativa.

Joca Estêvão