Caló acusa João Eusébio de não partilhar ideias

Abre-se um grande dilema à volta das chicotadas psicológicas ora operadas precocemente, e as duas direcções não podem ficar isentas de responsabilidades pelos maus resultados que o Chibuto e o Têxtil do Púnguè tiveram na abertura do Moçambola-2014.

É que o Têxtil do Púnguè, por exemplo, que tem uma equipa com jogadores de média e baixa qualidade em comparação com as equipas de topo do futebol nacional, não se preparou convenientemente para o campeonato, não tendo efectuado jogos que conferissem à equipa algum ritmo competitivo para encarar o Moçambola.

Já o Chibuto, antes de contratar o treinador principal, tinha Caló como técnico-adjunto, altura em que também se contrataram alguns jogadores para a presente temporada. João Eusébio chegou ao Chibuto quando os trabalhos de preparação da equipa já tinham iniciado sob ordens de Caló, que já tinha sido treinador principal na temporada anterior pelo Têxtil do Púnguè.

À partida, e independentemente do carácter e princípios de cada um, atendendo às várias situações, como por exemplo as de natureza cultural, desconfiança (principalmente da parte de Eusébio), a passagem de informação era susceptível de lacunas. Caló, entretanto, afirma que o relacionamento era excelente entre ambos.

– João Eusébio é um homem fenomenal e não tínhamos problemas de relacionamento como se chegou a veicular. Estávamos hospedados no mesmo sítio e não existiam problemas, começou por dizer Caló.

desafiopercebeu que não existia, no entanto, um ponto convergência que pudesse tornar o trabalho saudável e procurou saber de Caló como era o relacionamento no trabalho com o técnico português, tendo em conta que tinha sido ele a iniciar com o trabalho.

– Nesse aspecto, João Eusébio era muito fechado. Como todos devem saber, eu é que iniciei com o trabalho e, por via disso, devia fazer-lhe chegar toda a informação, mas por vezes não houve espaço. Ele não partilhava as suas ideias, lamentou o técnico moçambicano.

OBJECTIVO MANTÉM-SE 

A direcção do Chibuto escolheu Caló para dirigir interinamente o Chibuto, enquanto não encontrar outro técnico que possa dar seguimento ao trabalho. A nossa Reportagem questionou Caló se estava preparado para levar avante o preconizado pelo Chibuto este ano, que passa pela luta por lugares cimeiros, abandonar a habitual luta pela manutenção, e o técnico respondeu positivamente.

– Os objectivos não mudaram em função dos resultados, nem do treinador. O grupo de trabalho está consciencializado de que deve lutar por esses objectivos e tudo faremos para dar o devido seguimento, rematou Caló.

Por seu turno, Junaide Lalgy, vice-presidente do Chibuto, tendo em conta o investimento feito, corroborou a opinião de Caló em relação aos objectivos do Chibuto para a presente temporada e desmentiu ter havido mau relacionamento com o técnico português, referindo, por outro lado, que a sua direcção está à procura de soluções para fazer face à saída de João Eusébio.

– Sempre tivemos um bom relacionamento com o João Eusébio, mas as condições criadas pelos maus resultados impediram-no de continuar. É preciso realçar que antes do jogo com o Maxaquene, durante uma sessão de treinos, os nossos adeptos insurgiram-se contra ele, instalando-se um ambiente hostil. Seguidamente, após a derrota com o Maxaquene, um adversário que estava ao nosso alcance, e confessamos que naquele jogo podíamos ter vencido, a sua situação piorou. Nesse contexto, não vimos outra situação que não fosse a interrupção do vínculo que tínhamos, referiu Lalgy, acrescentando que a direcção do Chibuto está à procura de um treinador no mercado nacional, bem como estrangeiro, para substituir João Eusébio. Neste momento, o mister Caló vai, interinamente, dirigir a equipa.

DEMISSÃO NO CHIVEVE

Fabrisaceitaram o pedido de Sábado para o proteger

A massa associativa e adepta do Têxtil do Púnguè não acolheu a situação das duas derrotas da sua equipa em igual número de jornadas do Moçambola, pelo que pediu a cabeça de António Sábado, que no final da partida contra o Ferroviário de Nampula, em pleno Chiveve, desapareceu sem deixar rastos.

Seguidamente, António Sábado solicitou à direcção dos “fabris” da Manga a sua demissão do comando técnico, alegando não existirem condições para continuar como treinador dos campeões nacionais de 1981. Por seu turno, a direcção do Púnguè aceitou o pedido de demissão, referindo que tal aconteceu como forma de proteger o técnico e indicou Abdul Taíbo, que era adjunto de Sábado, para conduzir os destinos da equipa rotulada como a mais amada da província de Sofala.

EM RELAÇÃO A 2013

Moçambola tem menos

três técnicos estrangeiros

O Moçambola-2014 iniciou com menos dois técnicos estrangeiros que no ano passado, que teve desde o pontapé de saída os portugueses Litos (Liga Muçulmana), Vítor Pontes (Chibuto), Victor Urbano (Ferroviário de Maputo), Diamantino Miranda (Costa do Sol), Rogério Gonçalves (Ferroviário de Nampula) e o zambiano Wedson Nyerenda (HCB do Songo).

Recorde-se que Litos abandonou o projecto da Liga Muçulmana antes do início do presente Moçambola, ficando no seu lugar Sérgio Faife Matsolo, coadjuvado por Daúde Razaque, ambos pertencentes ao quadro anterior. Sendo assim, a maior competição iniciou com quatro estrangeiros, nomeadamente Wedson Nyerenda (HCB), Vítor Pontes (Ferroviário de Maputo), Rogério Gonçalves (Ferroviário de Nampula) e João Eusébio (Chibuto).

Com a saída de João Eusébio do Chibuto, o Moçambola passa a ter apenas três técnicos estrangeiros, sendo que onze clubes têm, neste momento, moçambicanos a dirigir as suas equipas, designadamente Arnaldo Salvado (Costa do Sol), Artur Semedo (Desportivo), Chiquinho Conde (Maxaquene), Lucas Bararijo (Ferroviário da Beira), Zainadine Mulungo (Estrela Vermelha da Beira), Nacir Armando (Ferroviário de Quelimane), Sérgio Faife (Liga Muçulmana), Akil Marcelino (Desportivo de Nacala), Abdul Taíbo (Têxtil do Púnguè), Carlos Manuel (Chibuto) e Hilário Manjate (Ferroviário de Pemba).

POR FALTA DE CONDIÇÕES

Zainadine deixa Estrela

No final do da partida em que a sua equipa foi derrotada pelo Têxtil do Púnguè, o técnico Zainadine Mulungo anunciou a sua saída do Estrela Vermelha da Beira e consequente regresso a Maputo, onde tem a sua residência, alegando falta de condições para continuar a trabalhar.

O técnico queixou-se, sobretudo, dos salários em atraso e o facto de o clube alaranjado não conseguir disponibilizar refeições aos atletas. Aliás, é importante fazer menção que na véspera da partida em que a equipa beirense empatou (1-1) com o HCB, os jogadores ameaçaram não se fazerem às quatro linhas caso não fossem satisfeitas as suas reivindicações, situação ultrapassada quando a direcção prometeu que iria regularizá-las no decorrer da semana passada, o que não chegou a acontecer.

Esta foi a terceira chicotada psicológica no Moçambola-2014 e, pelo desenrolar dos acontecimentos, perspectivam-se outras tantas ainda no decorrer da primeira volta, motivadas desde os maus resultados até às desinteligências entre as direcções e os treinadores.

Texto de Joca Estêvão

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Fotos de Domingos Elias