Até sempre, Mestre Funjua!

Incompreendido por alguns e idolatrado por outros escribas, sobretudo os que passaram por esta casa (Redacção do Desafio), mormente por causa dos seus métodos de ensinamento, Funjua é, mesmo assim, considerado por muitos como mestre e era o último embondeiro dos que fundaram este jornal que ainda partilhava o mesmo espaço connosco. Era um homem apaixonado pelo que fazia e sobretudo pelo desafio e acima de tudo com muita vontade de viver, facto demonstrado pela resistência em ficar em casa, ao ponto de mesmo doente ter procurado sempre escrever artigos de opinião, tendo transitado do “Contra-Ataque”, que o marcou durante largos anos, para “Saudades Que O Tempo Levou” (2017), através do qual contava suas memórias nos seus mais de 37 anos de carreira. A edição passada foi a última em que Funjua publicou um trabalho em vida, quando fez uma reportagem sobre a mudança da equipa técnica “canarinha”, mas nesta tem um artigo de memórias em que fala dos guarda-redes que viu actuar em Moçambique.

Neste espaço prestamos a nossa singela homenagem a um homem que com seus métodos, que apesar de nunca terem granjeado consensos, ensinou várias gerações de jornalistas desportivos deste país, alguns ainda no desafio e outros tantos espalhados pelos diferentes órgãos de informação do país. Funjua tinha defeitos como qualquer humano e o maior de todos era a sua frontalidade e pressa em ver seus ensinamentos assimilados, descurando factores como diferenças psicomotoras. Alguns de nós para que fôssemos rápidos a aprender como o Chefe da Redacção queria este até rasgava os nossos textos ou apagava-os do computador para que sentíssemos a dor de recomeçar com maior rapidez os seus métodos. Foi duro e nalgum momento não concordámos com ele, mas aprendemos muito com isso e vamos procurar nas entrevistas que formos a fazer “espremer o furúnculo até à exaustão”, como sempre quis que o fizéssemos.

 

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