Moçambique termina “Mundial” em sétimo

 a 29 de Setembro. Esta posição representa uma descida de três posições em relação à edição de há dois anos disputada em San Juan, na Argentina.

Depois de perder com a Itália na primeira jornada do “Mundial” ficou claro que só um milagre poderia levar Moçambique à manutenção do quarto lugar, porque essa derrota colocava a Selecção Nacional no caminho de Portugal. E consumou-se o que se temia, com os portugueses a aplicarem uma pesada derrota (6-0) ao conjunto moçambicano.

Apesar dos números um tanto ou quanto exagerados, o ambiente de trabalho não mudou, pois havia necessidade de buscar forças para enfrentar o Brasil - na memória tínhamos o triunfo que garantiu a presença nas meias-finais em 2011 - para a atribuição do quinto lugar. No entanto, as coisas não correram bem e Moçambique perdeu (7-5), para o desalento de muitos integrantes, que já começavam a se preparar para o pior. Mas o triunfo (5-4) no sábado diante da França colocou Moçambique em sétimo, que é para já o segundo melhor de sempre, superado apenas pela edição de 2011. E mais do que tudo, desde 2007 que tem tido uma permanência tranquila no Grupo “A”.

PERDE ESTATUTO

DE CABEÇA-DE-SÉRIE

Das equipas que eram cabeças-de-série apenas Moçambique não chegou às meias-finais depois de ter chegado a Angola com o estatuto de cabeça do Grupo “D”. 

Esta posição poderá ter algum impacto no sorteio do 42º Campeonato do Mundo, a decorrer em 2015 na França. É que agora que deixou de ser cabeça-de-série o mais provável é que em função do sétimo lugar ocupado fique no escalonado no Grupo “B” ao lado da vice-campeã mundial (Argentina), da Suíça (10º) e de uma outra selecção que virá do “Mundial” do Grupo “B”.

TRÊS VITÓRIAS

E TRÊS DERROTAS

A campanha de Moçambique não foi a sonhada à saída do país, mas não foi das piores. Dos seis jogos realizados a selecção venceu três e perdeu igual número.  

Moçambique iniciou o “Mundial” com uma derrota (4-1) frente à Itália, mas redimiu-se frente aos Estados Unidos (4-2) e Colômbia (5-1) e garantiu a qualificação aos quartos-de-final.

Já nos “quartos” não teve nenhum argumento para discutir com Portugal, acabando por perder por claros 6-0, ficando fora do primeiro objectivo, que era a manutenção do quarto lugar alcançado em San Juan, Argentina.

Depois disso o quinto passou a ser a meta, mas perdeu (7-5) diante do Brasil, numa partida em que até entrou a vencer e teve tudo para assegurar a vitória.  

A situação só não foi pior porque no sábado a selecção venceu (5-4) e ocupou a sétima posição, que não deixa de ser de realçar.

Durante os seis jogos efectuados Moçambique marcou 20 golos (média de 3,3 por jogo) e sofreu 24 (média de quatro golo por jogo). Curiosamente, grande parte dos golos era resultado de jogadas efectuadas atrás da baliza nacional.

Os 20 golos marcados contaram com a contribuição de cinco dos oito jogadores de campo utilizados por José Querido. Destes, os principais artilheiros foram Nuno Araújo e Mário Rodrigues, com cinco golos cada. Os outros responsáveis pelos golos são: Frederico Saraiva (quatro), Bruno Pinto (três) e Ivan Esculudes (três).

MUAMAD BUANART

ÚNICO QUE NÃO JOGOU

Nesta competição nota negativa ai para a expulsão do guarda-redes Igor Alves diante do Brasil, o que fez com que não alinhasse frente à França.

Destaque para o facto de no jogo contra Portugal ter colocado todos os atletas disponíveis em campo, situação que permitiu aos mais jovens do conjunto ambientarem-se na perspectiva de poderem ser mais-valia em 2015. O único jogador que não chegou de ser utilizado foi Muamad Buanart, que era o 11º convocado, mas que só esteve no banco, de onde não saiu, diante da França.

O capitão da selecção, Spiros Esculudes (Kiko), foi quem mais esteve em campo, um privilégio que pertencia a Igor antes da expulsão.

A delegação nacional, que esteve fora do país mais de um mês - primeiro cumpriu um estágio de perto de 20 dias em Portugal, chegou à capital do país ontem à tarde, depois de ter saído de Luanda nas primeiras horas do mesmo dia. Uma vez que não existe nenhuma ligação directa entre Luanda e Maputo aos domingos, a comitiva optou por seguir via Joanesburgo, onde apanhou o voo que liga à capital do país.

PENTA SE CANTA

EM ESPANHOL

A Espanha venceu (4-3) a Argentina na final do 41º Campeonato Mundial de Hóquei em Patins e tornou-se na primeira selecção a conquistar cinco campeonatos consecutivos.

Depois deste triunfo conseguido na final de uma grande partida, os espanhóis passaram a somar 16 medalhas de ouro, 12 de prata e sete de bronze.

Mas em termos de “medalheiro” geral da prova, Portugal ainda é o país com mais medalhas conquistadas, com um total de 38, mais três que a Espanha (35), sendo 15 de ouro, nove de prata e 14 de bronze. Itália e Argentina ocupam o terceiro e quarto lugares do “medalheiro”, com 22 e 21 medalhas, respectivamente.

Além de Portugal, Espanha, Itália e Argentina apenas a Inglaterra, nas duas primeiras edições do Mundial, disputadas na Alemanha, em 1936, e na Suíça, em 1939, conseguiu alcançar o título.

G-8 DO “MUNDIAL” MANTÉM-SE

Do “Mundial” da Argentina a este (Angola) apenas houve mudanças no posicionamento, mas na prática as oito melhores de há dois anos são as mesmas neste momento.

Chile, que perdeu (10-3) sábado frente a Portugal, conseguiu entrar no grupo dos quatro, depois de há dois anos ter estado em sexto. Do grupo dos quatro saiu Moçambique, que passou a ocupar o sétimo posto.

Entretanto, o máximo que Angola, o primeiro país africano a organizar um “Mundial”, conseguiu foi o nono lugar da classificação geral, depois de ter vencido (4-1) a Suíça. Mesmo assim subiu dois degraus em relação ao anterior campeonato em que esteve em 11º. Porém, não igualou a sua melhor classificação de sempre (sexto).

EUA, ÁUSTRIA E URUGUAI

DESPROMOVIDOS AO GRUPO “B”

No que se refere às manutenções no Grupo “A” destaque para a África do Sul. Depois de ter sido último classificado em 2011, conseguiu ocupar nesta edição o 12º lugar atrás da Alemanha (11º), com quem perdeu sábado (3-6). A Colômbia, que vingou-se da derrota ante Estados Unidos da primeira jornada e venceu por 6-1, ocupou o último lugar (13º) que garante manutenção.

Despromovidos ao Grupo “B” estão Estados Unidos, Áustria e Uruguai, que no próximo ano vão disputar o “Mundial”  do Grupo “B”, que dá acesso ao Grupo “A”.

CLASSIFICAÇÃO FINAL DO “MUNDIAL”: 1º - Espanha; 2º - Argentina; 3º - Portugal; 4º - Chile; 5º - Itália; 6º - Brasil; 7º - Moçambique; 8º - França; 9º - Angola; 10º - Suíça; 11º - Alemanha; 12º - África do Sul; 13º - Colômbia; 14º - Estados Unidos; 15º - Áustria e 16º - Uruguai. 

TOY: EIS O LIMPA-CHÃO QUE

OFUSCOU O MASCOTE DA PROVA

Toy limpa-chão foi a maior estrela do “Mundial” do que propriamente o mascote do evento (Kaissarinha).

O facto de fazer o seu trabalho, que poderia ser desprezível para alguns, com tanta alegria, fez com que o público o considerasse uma das estrelas do “Mundial”. Além de limpar o chão, algo que faz com amor e afinco, Toy dá espectáculo e vai dançando enquanto trabalha, divertindo o público. Os mais sortudos ainda vêem os seus sapatos engraxados a rigor.

Toy limpa-chão é conhecido por limpar os pavilhões de basquetebol em Luanda, mas foi emprestado ao hóquei durante o “Mundial”.

O seu verdadeiro nome é António Lourenço Van-Dúnem e desde 1998 que se dedica a limpar os pisos dos pavilhões de Luanda.

Já tinha consciência de que

era difícil repetir o 4º lugar

José Querido, seleccionador nacional

Falando depois da vitória frente à França que garantiu a sétima posição do Campeonato do Mundo, o seleccionador nacional, José Querido, disse que à saída de Moçambique já sabia que era bastante difícil conseguir o quarto lugar, mas não fazia sentido nenhum transmitir esse negativismo aos atletas.

- Depois de não ter sido cumprido o principal objectivo, que era defender o quarto lugar, o sétimo acabou sendo boa posição para a selecção?

- Quer que eu seja sincero a responder? Se sim vou sê-lo. Defender o quarto lugar era muito difícil para este grupo, mas tínhamos que incutir sempre a necessidade de os jogadores quererem mais. Mas sempre tínhamos consciência, pelo menos eu como responsável técnico, que era muito difícil manter esta posição. Por isso, quero dar os meus parabéns ao grupo de trabalho por este lugar.

- Qual é a avaliação que faz da participação de Moçambique no “Mundial”?

- Foi muito boa. Moçambique está em sétimo lugar no grupo das melhores selecções do mundo. A modalidade tem futuro, porque Moçambique tem jovens que trabalhados podem dar um bom futuro.

- Por que diz que o quarto lugar era difícil de alcançar?

- Penso que acompanhou a nossa preparação e viu as condições em que estávamos a trabalhar. Chegar aqui conseguir o sétimo lugar é preciso levantar os braços e agradecer a Deus por nos ajudar e ao grande grupo de trabalho que tenho. Os colegas e os atletas foram enormes. Foi um grupo “grande” para as condições que temos neste momento. Peço sinceramente ao povo moçambicano: não deixem morrer o hóquei, mantenham-no vivo, porque faz muita falta ao país. Penso que o nosso objectivo foi cumprido. Mas é altura de Moçambique deixar de remendar e começar a trabalhar.

- O que é preciso fazer?

- É preciso trabalhar como deve ser. Não basta só chegar aos “Mundiais” e remendar as coisas para tentarmos fazer os melhores resultados possíveis. Penso que há um trabalho bastante profundo por se fazer em Moçambique. O quarto na Argentina e o sétimo aqui (em Angola) prova que há gente com qualidade e com seriedade para levar o hóquei em frente. Sabemos que isso é difícil porque ainda não temos infra-estruturas. Mas penso que se todos arregaçarmos as mangas Moçambique consegue ter mais infra-estruturas e condições para que volte a ser aquilo que já foi na modalidade.

Continuamos num

lugar de destaque

- Nicolau Manjate, presidente da FMP

Numa entrevista ao desafio a ser publicada nas próximas edições o presidente da Federação Moçambicana de Patinagem (FMP), Nicolau Manjate, avaliou a participação de Moçambique como tendo sido boa.

- Posso dizer que conseguimos passar a fase do grupo e estamos em sétimo lugar. Não fizemos mais porque tivemos menos sorte ao cruzarmos com Portugal, que é uma equipa com um hóquei altamente forte, nos quartos-de-final. Mas continuamos num lugar de destaque, porque fazemos parte dos oito melhores do mundo.

Ainda de acordo com Nicolau Manjate, os resultados de Moçambique estão a abrir mais espaços para intercâmbios.

- Já estamos a receber convites para disputar torneios, o que será positivo para dar maior competitividade à equipa.

Segundo o dirigente, os últimos dois “Mundiais” provaram que há potencial.

- Somos duma modalidade que tem potencial para ser apoiada para desta forma conseguir melhores resultados para o país. Das 16 equipas participantes estamos nas primeiras oito.

É ARNALDO QUEIROZ QUE O DIZ:

Continuaremos a trabalhar          

- Moçambique apresentou uma selecção renovada. Que futuro pode se espera desta selecção?

- Esta selecção só terá futuro se o trabalho feito até agora tiver continuidade. É preciso dar prosseguimento ao que já vem sendo desenvolvido, acreditando-se que é possível estarmos ainda melhores. É um trabalho longo que vai levar dois ou três anos, mas é preciso continuar a trabalhar. Se pararmos por aqui nos próximos anos estaremos a começar de novo e não teremos uma equipa coesa para enfrentar um “Mundial”.

Grande espectáculo de fogo

de artifício encerra “Mundial

Foi com o lançamento do fogo de artifício que se procedeu à entrega da taça ao campeão do mundo, que encerrou o 41º Mundial da modalidade. Foram cinco minutos de espectáculo no interior mais cerca de 30 minutos no exterior do pavilhão de Kilamba.

Mas antes foram distinguidos os melhores, com o capitão da Espanha, Pedro Gil, a ser o melhor jogador da prova, Cláudio Selva (Cacau), com 15 golos, o  melhor marcador, Carlos Grau, da Espanha (guarda-redes menos batido). Áustria é a equipa fair-play.

No intervalo do jogo da final a França, anfitriã da edição 42º, recebeu da Angola o testemunho.

Duas perguntas que

ficaram sem resposta! 

- Por que é que Moçambique, que fez o último jogo dos quartos-de-final (quinta-feira) frente a Portugal no dia seguinte fez o primeiro?

- Por que é que Patrícia Costa, de Angola, apitou dois jogos consecutivos da competição de Moçambique (quinta-feira frente a Portugal e sexta ante Brasil) numa competição que tinha 18 árbitros e todos perdidos?

TODOS RESULTADOS:

Primeira fase

Itália-Moçambique (4-1)

Moçambique-Estados Unidos (4-2)

Colômbia-Moçambique (1-5)

Quartos-de-final

Portugal-Moçambique (6-0)

Atribuição do quinto lugar

Brasil-Moçambique (7-5)

Atribuição do sétimo lugar

França-Moçambique (4-5)

Atanásio Zandamela, nosso enviado a Luanda

Fotos de Atanásio Zandamela e da Angop