Continuamos a melhor selecção de África

Para este, o sétimo lugar, que é a segunda melhor posição de sempre nos Campeonatos do Mundo, deve ser visto como uma posição que ainda dá a Moçambique o estatuto de melhor selecção de África na modalidade - melhor mesmo que a anfitriã Angola, que investiu seriamente na prova - apesar do fraco investimento.

O dirigente afirma, nesta entrevista-balanço da presença de Moçambique no “Mundial” de Angola, que o cruzamento com Portugal é que dificultou uma posição ainda melhor que o sétimo.

Com o Campeonato do Mundo que se realizou, Moçambique aprendeu muito e pretende melhorar tendo em vista o 42.º Mundial que terá lugar na França. É lá onde pretende não só que Moçambique conserve o estatuto de melhor de África, mas acima de tudo uma classificação boa.

Para já, sabe-se que em 2015 estará no Grupo B com Argentina, vice-campeã, Suíça, mais uma selecção sem grande expressão. Isso garante no mínimo a presença nos quartos-de-final.

CRIÁMOS TODAS AS CONDIÇÕES

PARA QUE A PRESTAÇÃO FOSSE BOA

Apesar de reconhecer que criou todas as condições para o bom desempenho da selecção no “Mundial”, não deixa de apontar que a preparação teve seus constrangimentos, destacando o facto de à última hora ter deixado de contar com Pedro Nunes, o obreiro do histórico quarto lugar de San Juan, assim como a falta de campo nalgum momento.

- Em termos logísticos, criámos as condições possíveis para que a prestação fosse boa. Mas devemos lembrar que tivemos constrangimentos antes do Mundial, o maior dos quais foi a mudança de seleccionador nacional, com a indicação de José Querido para substituir Pedro Nunes que já conhecia muito bem os atletas.

Em relação à análise que faz da participação no Mundial, Nicolau Manjate classifica-a de boa.

Mesmo com constrangimentos enfrentados no local, sobretudo as alterações dos horários dos jogos, falta de clareza nalgumas situações, de um modo geral posso dizer que a nossa participação foi boa. Vencemos três dos seis jogos feitos. Contra o Brasil, na luta pelo quinto lugar, perdemos injustamente num dia em que a arbitragem nos pareceu não ter estado bem. Felizmente fomos a tempo de recuperar e contra a França vencemos e assim alcançámos o sétimo lugar duma competição com 16 equipas/selecções. E o mais importante de tudo é que Moçambique ainda é a melhor selecção de hóquei em África. Em 2015, tudo temos de fazer para melhorar ainda mais.

PREPARAÇÃO DE 2015

É PARA COMEÇAR JÁ 

Para Nicolau Manjate, o Mundial de 2015 já está em processo de preparação e em simultâneo se pretendem criar bases sustentáveis para o desenvolvimento da modalidade.

- Queremos pensar no Mundial de 2014, sem esquecermos o mais importante, que é o desenvolvimento do hóquei internamente. Pretendemos fortificar ainda mais os clubes e tentar obter mais atletas internos na selecção. Isso tudo passa pela revitalização da modalidade. E nós sentimos que o maior trabalho para o sucesso da selecção deve ser feito aqui internamente e não esperar trabalhar com garra apenas nas vésperas do Mundial. Diria que o Mundial de 2015 já começou a ser preparado, garante Manjate.

FALTA DE INSTALAÇÕES NÃO CONCORRE

PARA OBTENÇÃO DE MELHORES RESULTADOS

Como se não bastassem as dificuldades financeiras com que vive, tal como acontece em muitas modalidades, o hóquei ainda enfrenta o problema de falta duma casa para a modalidade.

- A prática do hóquei a esta altura poderia estar mais extensiva, mas a falta de um pavilhão com características para a movimentação do hóquei condiciona o seu desenvolvimento. Nós, do hóquei, queremos trabalhar, queremos jogar, mas não temos campos.

Ainda de acordo com Manjate, neste momento é prioridade da Federação que a prática da modalidade seja efectiva também em Nampula e Quelimane.

- O anterior seleccionador nacional (Pedro Nunes) já estava a par do nosso projecto de revitalizar a modalidade. Não o queríamos só para a selecção, mas para um grande projecto que agora deverá ser repensado em função da pessoa que vai implementar. O certo é que temos de colocar Nampula, Quelimane e Maputo com um grande movimento. Espero termos instalações para o efeito. Se estiver a recordar, no início dos trabalhos tivemos de interromper a preparação por falta de campo. São essas coisas que não concorrem para obtenção de bons resultados.

Mesmo assim, afirma que a Federação vai continuar a fazer o que é possível para ajudar a melhorar o nível competitivo nacional.

Vamos continuar a trabalhar no sentido de desenvolver o hóquei. O que precisamos é de campo para jogarmos. Há dois anos tínhamos o Estrela Vermelha e dávamos algum contributo em contrapartida, porque queremos que o hóquei apareça aos olhos de todos como uma modalidade que merece ser seguida. Estamos a voltar dum Mundial e pode crer que uma selecção de hóquei forte dá prestígio não só a nós (como da modalidade), mas também ao país.  

É URGENTE TER UM SELECCIONADOR

NACIONAL CAPACITADO E PERMANENTE

Para além disso, Manjate diz ser intenção da Federação esperar num futuro não muito longínquo que a selecção nacional seja comandada por um seleccionador nacional capacitado e competente.

- É nossa intenção capacitar o seleccionador nacional adjunto, Pedro Tivane, de modo a que num futuro não distante seja o treinador principal, para garantir o comando e o controlo da prática da modalidade dentro do país. Concluímos que precisamos de capacitar o treinador Pedro Tivane e os árbitros nacionais de modo a que venham a ser membros da Comissão Internacional de Árbitros e aí poderem apitar jogos internacionais. A capacitação faz parte do principal desafio a que nos propusemos para os próximos tempos.

De acordo com Manjate, esta é a grande oportunidade que se abre para o seleccionador adjunto (Pedro Tivane), que em 2011 trabalhou com Pedro Nunes.

- É preciso não esquecer que este já trabalhou com o outro técnico (Pedro Nunes) no Mundial de 2011 e esteve noutros “mundiais” como atleta. Portanto, merece esta oportunidade. Estamos na esperança de ter um treinador com atitude, responsabilidade e competência. O certo é que se torna urgente ter um seleccionador nacional e capacitado para conduzir uma equipa em competições internacionais, o que passa pela capacitação do actual.

O SONHO DE ORGANIZAR

AFRICANO CONTINUA VIVO

Há muito que se fala da realização de um Campeonato Africano de Hóquei em Patins, mas sem se efectivar. Nicolau Manjate acredita que seja possível já em 2014.  

- Um dos grandes desafios que Moçambique tem é a efectivação do Africano da modalidade, se possível já em 2014. Este é um sonho que se transformou em desafio para nós como melhor a selecção de África no hóquei.

Boa prestação abre espaços

para competições internacionais

O facto de Moçambique estar firme no Grupo A desde à ascensão em 2007 faz com que a selecção comece a ser vista como sendo uma das que merecem um lugar nos torneios internacionais.

- Continuamos líderes de África, daí que noutros cantos o nosso nome apareça quando se pensa em torneios. Temos muitos convites internacionais, mas quero destacar os de Uruguai e Brasil, para além de abertura das equipas Portugal para realizarem jogos de controlo com a nossa selecção. As equipas estavam abertas quando éramos quartos classificados e continuam abertas mesmo agora. Esses intercâmbios são bem-vindos, pois permitirão dar maior rodagem à selecção. Para que isso aconteça, é preciso que internamente tenhamos competição em dia. O quarto e agora o sétimo lugar acabam-nos dando algum privilégio nesse sentido.

O CONTRATO ERA PARA O MUNDIAL MAS RENOVÁVEL

Continuidade de José Querido em dúvida

O seleccionador nacional, José Querido, foi contratado para o Mundial, daí que a sua continuidade ainda precisa de ser discutida, tal como frisou Manjate.

- Neste momento não podemos dizer se o seleccionador nacional, José Querido, contínua ou não. Conforme sabe, o nosso seleccionador era Pedro Nunes, com quem tínhamos compromisso. Este deveria trabalhar no sentido de ajudar a descobrir e lapidar talentos pelo país. Infelizmente, este (Nunes) aceitou outros desafios e aí acabámos contratando, com alguma urgência, o actual técnico, pois já não tínhamos tempo.

De acordo com Manjate, à altura da assinatura do contrato ficou claro que o mesmo era para levar a selecção ao Mundial.

- Não há nenhum registo que indique que o contrato com este (José Querido) é a longo prazo. Ficou claro que depois do Mundial poderíamos eventualmente sentar à mesa para analisar e definir o futuro. É o que estamos para fazer e caberá à direcção técnica e da FMP decidir qual é a vantagem e desvantagem de continuar com o mesmo. Quando chegar a hora, diremos alguma coisa.

Atanásio Zandamela

 

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