Locomotivas só estarão na Beira na quinta-feira

O Ferroviário da Beira pode vir a ter apenas dois dias para preparar condignamente em casa o jogo da segunda mão da Taça CAF, diante do AZAM FC da Tanzania, caso as autoridades desportivas e governamentais moçambicanas não consigam satisfazer o último pedido dos vice-campeões nacionais e vencedores da Taça de Moçambique/mCel.

É que depois de não terem conseguido convencer as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) a atrasar o voo de ligação de Dar-es-Salaam ao país, ontem, que partiu às 17h00 locais, quando o jogo diante do AZAM FC estava ao intervalo, agora, os “locomotivas” do Chiveve tentam que o próximo voo da LAM, marcado para depois de amanhã, quarta-feira, tenha uma escala - entretanto imprevista - na cidade da Beira, de modo a desembarcarem.

Caso contrário, e cumprindo-se escrupulosamente a escala do voo, o Ferroviário da Beira só deverá chegar ao seu destino final na manhã de quinta-feira.

Quando isso acontecer, o AZAM FC, seu adversário, estará perto de completar 24 horas na sua cidade e, muito provavelmente, depois de ter começado a treinar no palco do jogo do próximo domingo, algo que o seu anfitrião ainda não terá feito.

DESVIO DE ROTA PARA

CHEGAR CEDO A CASA

Um desvio de rota por parte da LAM pode ser suficiente para o Ferroviário da Beira conseguir ter mais tempo para a preparação do jogo em casa, mas tal facto está longe de ser decidido pelos “locomotivas”.

É que o voo da companhia aérea de bandeira que liga Dar-es-Salaam ao país tem apenas duas escalas antes de chegar ao destino final, que é Maputo, mas de permeio pode ter uma paragem na cidade da Beira para fazer desembarcar 33 elementos dos vice-campeões nacionais.

Se tal acontecer, então, a equipa terá mais tempo para preparar o jogo do próximo domingo em seu próprio terreno, algo que não fará caso, depois das escalas em Pemba - primeira paragem em solo moçambicano - e Nampula, o voo da LAM siga directo para Maputo.

Aliás, os próprios bilhetes dos elementos do Ferroviário da Beira prevêem que a equipa venha a Maputo para, só depois, seguir para o seu destino final que, a acontecer, será antes do fim da manhã de quinta-feira.

Dados em nosso poder indicam que diligências estão sendo feitas para que a LAM consiga, de facto, fazer com que o seu avião passe pela cidade da Beira antes de chegar à capital do país, de modo a que possam ficar os membros dos “locomotivas” do Chiveve, que têm esta cidade como seu destino final.

TEMOS EQUIPA PARA

VIRAR A ELIMINATÓRIA

O presidente do Ferroviário da Beira, Valdemar Oliveira, manifestou-se confiante na viragem da eliminatória no próximo domingo, quando a sua equipa receber em casa o AZAM FC da Tanzania, com quem perdeu ontem por 1-0.

Por outro lado, Oliveira adverte sobre a grande frustração que se pode abater sobre a direcção por ele liderada e a emprega patrona do clube, os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), caso os “locomotivas” do Chiveve sejam eliminados, tendo em conta o enorme investimento financeiro feito para a viabilização da pré-época.

Recorde-se que, depois de uma semana em estágio na África do Sul, a equipa cumpriu quase duas em Maputo e está fora da cidade da Beira desde o dia 14 de Janeiro último.

- O Ferroviário da Beira tem obrigação de mudar a eliminatória em casa, até porque no jogo de Dar-es-Salaam tivemos muitos factores a nosso desfavor, nomeadamente o relvado sintético onde os nosso jogadores se exibiram, as dimensões reduzidas do campo e, finalmente, o pouco tempo que tivemos para fazer um treino de adaptação a este mesmo campo. Nós só fizemos um treino de adaptação e não um treino propriamente dito. Com dois ou três treinos poderíamos ter tido uma melhor prestação, mas fora disso mostrámos que temos uma equipa que pode virar esta eliminatória- precisou Valdemar Oliveira, para quem a eliminatória ainda está em aberto.

- Mostrámos aqui que temos valor para tal, apesar de termos tido várias unidades em sub-rendimento. Nós acreditamos que na nossa casa outro galo cantará- reiterou o presidente dos vioce-campeões nacionais que, em relação ao jogo da cidade da Beira, espera muito do apoio do público local.

- Os jogadores sabem que não estiveram ao seu melhor nível, mas com o trabalho que os treinadores farão até ao dia do jogo e, depois, com o apoio do público e sendo o nosso campo uma relva natural e com dimensões grandes, acho que temos todas as condições para passar esta eliminatória- acredita o nosso interlocutor que, apesar o optimismo que tem, sabe que a esta altura quem está à frente da eliminatória é o AZAM FC.

- Se não passarmos a eliminatória, será muito triste e uma injustiça muito grande para aquilo que nós temos feito. É verdade que o investimento que estamos a fazer desde que abrimos a época não tem a ver apenas com a Taça CAF; inclui as competições nacionais, mas neste momento é nosso objectivo passarmos esta eliminatória e a próxima. Foi nesse sentido que os CFM nos apoiaram para a pré-época que tivemos. Esse apoio deve produzir resultados, pelo que se não passarmos esta eliminatória será penoso para o esforço financeiro despendido- disse Valdemar Oliveira.  

Todos acreditam

na viragem da eliminatória

- Foi um jogo difícil, principalmente porque jogámos numa relva sintética, enquanto nós estamos habituados a treinar e jogar numa relva natural. Mas acredito que em nossa casa vamos dar a volta à eliminatória. O AZAM FC está a 10 jornadas do fim do seu campeonato, que lidera com um ponto de avanço sobre o Yang Africa, por isso mostrou-se mais solto, mas em casa vamos passar a eliminatória- Emídio, defesa do Fer. Beira.

- O AZAM FC é uma equipa organizada e provou isso perante nós desde que chegámos aqui a Tanzania, mas acredito que em casa vamos virar a eliminatória. Está tudo em aberto. A derrota por 1-0 fora de casa não é um mau resultado, mas seria ainda melhor se tivéssemos marcado- Nelito, avançado do Fer. Beira.

- O jogo estava ao nosso alcance, mas foi uma pena não termos marcado e termos sofrido um golo. Vamos resolver a eliminatória em casa, lá onde nós mandamos. Tenho certeza de que vamos virar a eliminatória- Cufa, defesa do Fer. Beira.

- Esta eliminatória ainda se pode ganhar. O facto de termos perdido por 1-0 não nos apoquenta- Reinildo, médio do Fer. Beira.

- A eliminatória ainda está em aberto e vamos à Beira para ganhar o jogo com a diferença de golos de que precisamos para seguir em frente na Taça CAF. Temos de trabalhar muito porque, fazendo em casa o segundo jogo, então é tudo ou nada- Maninho, médio e capitão do Fer. Beira

Texto de Narciso Nhacila, nosso enviado especial a Dar-es-Salaam

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Fotos de Mohomed Ibrahim