Witiness: um “Mamba” em ascensão

As suas qualidades precipitaram a sua ida ao clube insular da Madeira, Portugal, onde também militam outros moçambicanos nomeadamente, Zainadine Júnior e Reginaldo Faite. Aliás, foi também no Nacional da Madeira que o internacional moçambicano Mexer Sitoe esteve antes de representar o Rennes da França, que milita na primeira divisão francesa.

Ainda no ano passado, as suas excelentes exibições despertaram a atenção do clube campeão português, o Sport Lisboa e Benfica, onde ficou apenas três meses na equipa júnior. Na próxima época,Witiness Quembo regressa ao Nacional da Madeira para reforçar a equipa sénior que disputará a primeira Liga portuguesa de futebol, temporada 2015/2016. 

Recorde-se que o internacional moçambicano de 18 anos de idade chegou ao Nacional da Madeira por empréstimo da Liga Desportiva de Maputo de duas épocas.

Witi iniciou a sua carreira desportiva no Sporting da Beira, tendo feito lá toda a sua base de formação. O jovem internacional moçambicano tem uma força de carácter assinalável, tendo em conta a sua tenra idade, e na opinião da velha raposa Augusto Matine  “o miúdo tem tudo: vontade, instinto e personalidade”, sendo por isso que tem merecido confiança de João Chissano.

Tudo começou no Sporting da beira

– Pode-nos falar um pouco do seu percurso no futebol?

– A minha carreira começa exactamente no ano de 2011, na Beira. Tal como outros meninos da minha época, gostava de jogar à bola em qualquer sítio onde houvesse possibilidade para tal. Como o futebol sempre foi a minha paixão, tive a oportunidade de conhecer uma escola de futebol criada no âmbito do projecto “New Children”.  O projecto durou pouco mais de um ano e, antes de rumar ao Sporting da Beira, joguei no torneio infanto-juvenil Bebec. Foi bom porque a minha vontade de jogar se mantinha viva. No Sporting da Beira, já com 12 anos de idade, ingressei na escola de formação do clube. Fiz o escalão de juvenis e, poucos anos depois, passei a jogar nos juniores, com 15 anos de idade. Na altura, a equipa era orientada pelo coach Gimo. Joguei nos juniores apenas três meses. Depois disso, o “mister” Sérgio Faife convidou-me para treinar na equipa principal por ter visto qualidades em mim. Devo dizer que na equipa sénior fui campeão provincial. 

– E como é que se deu a passagem para a Liga Muçulmana?

 – A minha ida para a Liga Muçulmana começa exactamente em 2013. Mas, como ainda estava em idade de juniores, só alinhei nos seniores em 2014. Nos seniores tive a oportunidade de jogar algumas vezes a substituir e sempre dei o melhor de mim. Para mim, foi importante ter representado tanto a Liga Muçulmana assim como o Sporting da Beira, que considero minha primeira paixão, por razões óbvias. É uma honra para mim ter jogado num clube que me deu o título e abriu muitas portas para mim.

A sorte não esteve do nosso lado

–  Como é que chega  ao Nacional da Madeira?

Cheguei ao Nacional no ano passado. Foi um momento marcante na minha carreira. O meu processo de integração foi fácil porque encontrei um grupo de trabalho que me recebeu bem. Foi graças ao meu empresário que consegui chegar ao Nacional. Mesmo sabendo que iria jogar nos juniores, estava ciente de que novas portas se iriam abrir para mim. Tenho aprendido muito e espero aprender mais ainda.

– Já teve alguma passagem pelas selecções de formação? E quando é que representa a principal pela primeira vez?

– Tive, sim, passagens pela selecção de sub-20, e infelizmente ficámos pelo caminho ao sermos afastados pela Zâmbia nas eliminatórias para o CAN  da Costa do Marfim-2014. Foi uma experiência boa porque trabalhei com o “mister”Augusto Matine, pessoa que depositou confiança em mim. Nesse ano chegámos a acreditar que ganharíamos à Zâmbia, mas as coisas complicaram-se e voltámos a perder em casa do adversário.

– Quando é que acontece a primeira aparição pela Selecção Nacional?

– A minha primeira aparição acontece este ano, e desde já agradeço a confiança que está a ser depositada em mim pelo “mister” João Chissano. Tive a oportunidade de fazer três jogos no torneio da COSAFA. A minha estreia foi no jogo contra o Malawi e felizmente entrámos a ganhar. Foi uma estreia auspiciosa porque ajudei a equipa a vencer, e de lá até cá passei a ser assíduo na selecção e, graças a Deus, tem sido bom para mim. Agradeço a todos aqueles que me apoiam directa ou indirectamente na minha carreira, em especial à minha família, ao meu empresário Zuneid Sidat, que tem sido uma pessoa formidável na minha vida.

– O que terá acontecido para Moçambique não ter conquistado o torneio?

Eu penso que acima de tudo nos faltou sorte. A equipa estava determinada a ganhar, tanto é que fizemos um percurso que merecia ser prendado com a conquista do torneio, mas infelizmente as coisas não saíram tal como havíamos previsto. Acusámos nalgum momento a ansiedade. Está de parabéns o trabalho feito pela equipa técnica e pelos meus colegas. Mesmo assim, não deixamos de fazer a uma avaliação positiva da nossa prestação.  

– O facto de estar a merecer confiança do seleccionador nacional coloca-lhe alguma pressão?

– A selecção principal é onde todo o jogador sonha jogar e quando é sempre convocado acaba sendo motivo de satisfação para qualquer atleta. Eu não fujo à regra. Penso que a pressão, duma ou doutra maneira, faz parte da vida de um atleta. Ela sempre aparece naturalmente e de certo modo é algo com que o atleta acaba vivendo. Diria que recai em mim mais responsabilidade, sobretudo quando me é dado um voto de confiança tal como este. Sou um profissional e a resposta à confiança que me é atribuída é trabalho e seriedade, que é para não defraudar as expectativas dos que me elegem.

Jogar no Benfica foi um sonho

– O que falhou para não ficar no Benfica?

–  Prefiro não responder a esta questão. Somente o meu empresário pode responder. Mas não vou deixar de dizer que realizei um sonho de criança ao vestir a camisola do Benfica. Outros grandes desafios esperam-me pela frente. Agradeço ao meu empresário e a todos os que me têm apoiado. À Liga Desportiva de Maputo, Nacional e Benfica, por me terem dado a oportunidade de mostrar o meu valor. Espero um dia poder voltar para lá e dignificar os moçambicanos que por lá passaram e deixaram glórias.

BI do atleta

Nome: Witiness Chimoio João Quembo

Nacionalidade:moçambicana

Idade:18 anos

Altura:1,74 metro

Peso:65 kg

Posição:extremo nas duas alas

Clubes que representou:Sporting da Beira (2013, iniciação, com 13 anos), Liga Muçulmana (2014), Nacional da Madeira (2014/15) e SL Benfica (2015)

Clube actual:Nacional da Madeira

Internacionalizações: 4 (ao nível dos sub-20), 2 na selecção principal

Títulos conquistados:campeão pela Liga, campeão provincial pelo Sporting da Beira

Curiosidades: gosta de jogar futebol e é caseiro. Casa e família.