Sporting desmitifica Hilário da Conceição

O lado insólito da vida de um ser humano é, infelizmente, como muitos irão concordar, a velhice. Se todos pudéssemos eternamente permanecer na juventude e gozar de todas as façanhas desta etapa da vida, seria tudo perfeito. Mas o desenvolvimento do ser humano obedece a etapas e, quer queira ou não, quando esta última chega, é muito doloroso. Para Hilário Rosário da Conceição, se o tempo voltasse para trás, faria exactamente o mesmo que fez no passado: jogar à bola. Hilário ingressou no Sporting em 1958, depois de ter deixado Lourenço Marques, hoje Maputo, onde nasceu em 1939. Saído do Sporting de Lourenço Marques, actual Maxaquene, depois de representar o Munhuanense Azar, Hilário seguiu com os outros moçambicanos destacáveis nas terras lusas, como Matateu, no Belenenses, e Coluna e Eusébio, no Benfica, sem descurar os tantos outros que vieram a completar o naipe dos jogadores moçambicanos a actuar em Portugal.

Chamaram-lhe, a par dos outros colegas da selecção das Quinas, “Magriços”, nome cuja história se encontra inspirada na lenda contada por Camões em “Os Lusíadas”, que alude à história de um português do século XIV, conhecido por “Magriço”, que parte com 11 cavaleiros para Inglaterra, para defender a honra de 12 donzelas. Em 1966, a história repete-se. Quatro jogadores moçambicanos sobressaem na equipa de Otto Glória: Hilário da Conceição, Vicente Lucas (Matateu), Mário Coluna e Eusébio da Silva. 

Tal como o próprio Hilário diz, “fui o Eusébio na minha posição”, pelo que o Gron, como é conhecido, merece mais do que o Sporting actual tem feito por ele. E o jornal desafio, atento aos grandes marcos, entrevistou em Lisboa e luso-moçambicano da Mafalala e símbolo “leonino”, campeão, recorde-se, como treinador, pelo Ferroviário e Matchedje de Maputo, lá para os anos 88/89 e 90, respectivamente, e com uma passagem não menos vistosa pelo comando técnico da Selecção Nacional de Moçambique.

O Sporting nasceu um dia sob o signo de “leão”, e nós aprendemos a amá-lo e a trazê-lo no coração, diz o refrão sportinguista. Hilário ama o “leão” como ninguém. Colecciona no seu livro várias distinções e troféus. 

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