Desafio

Nessa primeira edição, o então director-geral donotícias, José Catorze, escrevia em jeito de editorial:

Um novo jornal moçambicano inicia hoje a sua publicação. É o primeiro jornal desportivo criado desde a Independência Nacional e vem preencher uma lacuna que se fazia sentir na informação: a de um órgão totalmente virado para a cobertura da actividade desportiva nacional e internacional.

O novo jornal terá como prioridade a valorização do Desporto Nacional  - um desporto que se pretende de massas, com um alto nível competitivo, isento de clubismos doentios, um desporto que enriquece o homem moçambicano e que prestigie a República de Moçambique.

Lutaremos, no geral, por um desporto são, factor de desenvolvimento físico  e espiritual do homem, elemento positivo  na formação da nossa juventude, instrumento de consolidação e reforço da unidade nacional. Instrumento também de paz, de amizade e de competição entre os povos.

Surgindo num meio desportivo ainda dominado, em muitos casos, por interesses mesquinhos, rivalidades pessoais, intrigas e grupismos, o nosso jornal afirma-se, desde já, como independente de quaisquer grupos ou clubes e reivindica o direito de denunciar aqueles males onde quer que os detecte.  

desafioganhou rapidamente os seus leitores, o seu mercado e passou a ser uma referência quase que obrigatória nos clubes, nos atletas, dirigentes desportivos, sócios e simpatizantes da actividade desportiva, chegando a  empresa a ter uma tiragem de 35.000 jornais semanalmente!!!

Mas a estória deste jornal não é apenas de triunfalismos. Em 1990, com a marcha do Programa de Reabilitação Económica, a empresa teve que passar a  comprar pessoalmente o papel e os custos operacionais do desafio eram onerosos, tendo a empresa tomado a decisão de  adjudicar a exploração do jornal a uma empresa privada.

Assim, no dia 24 de Junho de 1994 foi assinado um contrato de cessão de exploração entre a SOCIEDADE do Notícias, SARL e a MOZSPORT, Lda. (Moçambique Desportos Lda.),

A nova empresa prometia reeditar o jornal  e arrancou com um capital de 260 milhões de meticais da antiga família, sendo que o BPD (Banco Popular de Desenvolvimento) detinha 40 por cento do capital inicial, os empresários Francisco Armando Cossa e Marcelino Macome, 30 por cento cada um.

Era igualmente anunciado que o novo jornal sairia com 16páginas, duas vezes por semana, às segunda e sextas-feiras.

Esta decisão implicou o encerramento do desafio por período de mais de um ano e alguns meses para efeitos de reorganização e modernização, uma vez que os novos “patrões” queriam que a produção do jornal fosse modernizado e introduzir os ventos da informatização que  já haviam chegado ao país.

De facto, fomos a primeira redacção totalmente informatizada na empresa, quando voltamos a sair a rua.

A Mozsport, Lda., então concessionária do desafio, apesar de ter herdado todo o quadro editorial que era da Sociedade do Notícias, SA, instalações e outras facilidades, acabou por ter graves problemas de gestão da publicação que se reflectia no não cumprimento das suas obrigações para com terceiros e os salários dos trabalhadores mensalmente estavam tremidos.

Esta situação fez com que grande parte do seu quadro redactorial deixasse a publicação e fosse alistar-se numa nova publicação que então nascia, também, eminentemente desportivo, o Semanário Campeão.

Esta situação foi gerida em Banho Maria entre a Sociedade do Notícias e Mozsport Lda. até que se chegou a uma situação insustentável onde se colocavam duas hipóteses:

- decretar a falência da Mozsport e consequentemente do jornal;

- a Sociedade do Notícias reaver a publicação e os quadros da área editorial e passar a geri-la.

Prevaleceu a segunda opção. A Sociedade do Notícias, SA reavia o jornal e rapidamente foram dados passos significativos para a sua reorganização e para lutar no mercado pela sua afirmação perante a concorrência que lhe era movida pelo Semanário Campeão.

Foram anos difíceis, mas com uma equipa liderada por Almiro Santos, tendo Boavida Funjua como Chefe de Redacção e alguns jovens que foram recortados, o jornal voltava a estabilizar-se em termos de vendas de número de leitores e com um grande suporte da Sociedade do Notícias, SA  voltava a afirmar-se no mercado.

De 18 passou passou para 24 páginas, chegou a dedicar um parte do seu espaço à actividade cultural, teve muitas mutações no seu layout e de preto a branco passou a ser colorido, saindo invariavelmente com edições de 32 páginas.

Tido como jornal de bandeira a nível desportivo, desafio tem vindo a cobrir toda a movimentação desportiva nacional, internacional, não havendo dúvidas de que é a preferência número dos leitores, mesmo hoje em dia em que há publicações similares.

É este desafio iniciado em 1987 que continua a desafiar todas as segundas-feiras, competindo ao leitor julgar se valeu a pena ou não a ideia dos que pensaram pela sua criação, passados todos estes anos todos.