Ferroviário da Beira escala Congo terra do AS Vita Club de Kinshasa

O Ferroviário da Beira ficou sozinho com a responsabilidade de representar o país nas Afrotaças, após a eliminação da Liga Desportiva de Maputo, na tentativa de chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos. O Petite Revière Noire, das ilhas Maurícias, adversário do Ferroviário da Beira na pré-eliminatória, ficou para trás. Agora é a hora e a vez de os “locomotivas” da capital provincial de Sofala demonstrarem a sua valentia perante um colosso do futebol africano e que dá pelo nome de AS Vita Club.

Fundado em 1935, o AS Vita Club (Association Sportive Vita Club) possui no seu palmarés 12 títulos conquistados na LINAFOOT (Liga Nacional de Futebol), divisão de elite do futebol congolês. É membro da tríade que detém a hegemonia deste país que no passado se chamou Zaire, juntamente com o nosso conhecido TP Mazembe (jogou com a Liga Desportiva de Maputo) e o também não estranho Motema Pembe, que teve como adversário o Costa do Sol na sua última passagem por Moçambique.

Dos títulos conquistados pelo AS Vita, os primeiros quatro são consecutivos (1970/71/72/73). Teve jejum de um ano e ganhou o quinto campeonato em 1977, o sexto em 1980, depois em 88, 93, 97, 2003, tendo o12.º e mais recente sido conseguido em 2010, passando a hegemonia para o TP Mazembe, que não perde títulos da LINAFOOT desde 2011.

O AS Vita Club já disputou duas finais da Liga dos Campeões Africanos e ganhou uma, em 1973, ganhando também o estatuto de 15.º melhor clube africano do século XX e segundo da RD Congo, atrás do TP Mazembe.

Para Valdemar Oliveira, presidente do Ferroviário da Beira, todo o adversário é tratado como se fosse a melhor equipa do mundo, principalmente quando se trata de uma campanha como a de representação do país. Foi assim na pré-eliminatória, frente ao Petite Revière Noire, das ilhas Maurícias.

– Temos tentado fazer o nosso melhor para que o país não fique mal. Preparamo-nos para a melhor prestação possível, como se estivéssemos a defrontar a melhor equipa do mundo. Porque é assim como tratamos todos os nossos adversários, principalmente em competições como estas, diz Valdemar Oliveira, que considera vantajoso começar a eliminatória jogando fora de portas e justifica a sua tese:

– Muitas vezes, em competições internacionais, é sempre bom começar fora de casa. Até porque, pelas situações que acontecem aqui em África, em que as delegações visitantes se deparam com más situações, torna-se vantajoso começar fora, pois quando se volta se traz na bagagem o conhecimento do adversário e as estratégias para se produzir melhor resultado, rumo aos objectivos traçados.