Manifestações não têm a força do futebol

Ainda houve manifestações no dia do arranque da prova e ontem, assim como uma vaia à Presidente Dilma Rousseff e algumas pessoas feridas nasdiferentes cidades brasileiras.
O Rio de Janeiro assistiu ao protesto mais numeroso, com cerca de duas mil pessoas nas ruas. A manifestação começou por ser pacífica, até que um grupo de manifestantes se envolveu em confrontos com a polícia, que recorreu a gás lacrimogéneo para dispersas as pessoas.
Também nas cidades de Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Belo Horizonte (Minas Gerais) e Fortaleza (Ceará), houve protestos, havendo promessas de mais acções. 
Mas muito mais gente optou por uma “paz armada” porque para o povo brasileiro, que não aceitou que o país exibisse a sua pujança financeira com altos investimentos, o futebol é uma festa.

Entretanto, nas quatro linhas, começou o campeonato e pode-se dizer sem grandes surpresas senão os números (5-1) exagerados da derrota do campeão do mundo (Espanha) ante o finalista vencido da última edição (Holanda), o resto é até agora algo previsível, se bem que a vitória da Costa Rica ante Uruguai mereça destaque. O anfitrião entrou a vencer (3-1) a Croácia, mas a notícia não foi a vitória, mas sim a actuação do árbitro japonês, sobretudo na grande penalidade que permitiu a Neymar desfazer a igualdade.

Na terra do samba os africanos tiveram sortes diferentes na estreia, com o Camarões a perder (0-1) frente ao México e a Costa do Marfim a vencer (2-1) o Japão. Hoje às 21.00horas entram em acção a Nigéria defrontando o Irão de Carlos Queiroz e  às 00.00horas de amanhã o Gana enfrenta os EUA e na quarta-feira às 18.00horas a Argélia termina a participação na primeira jornada jogando com Bélgica.  

Apesar da pesada derrota da Espanha os principais candidatos continuam os mesmos de há quatro anos, nomeadamente Brasil, Argentina, Espanha e Alemanha. A tradição é favorável aos sul-americanos porque até agora os europeus nunca ousaram vencer um Mundial realizado por aquelas terras. Mas há quem diz que a tradição já não vale o que valeu no passado até porque há quatro anos a Espanha quebrou o enguiço por ter feito que uma equipa europeia vencesse fora do Velho Continente.

O Brasil, que joga em casa, tem uma teórica vantagem e sobretudo uma oportunidade para fazer esquecer o “Maracanaço” de há 64 anos (A última vez que o Maracanã recebeu um jogo de Copa, seu palco entrou para a mitologia da bola. A derrota do Brasil para o Uruguai na final marcou a história dos Mundiais e do próprio país). A Espanha, que surge na segunda posição das apostas, pode ter forçado à mudança dos apostadores não somente pela derrota mas acima de tudo pela exibição, uma vez que os seus jogadores mais importante ainda não estão ao nível que se exige (Xavi, Iniesta é só exemplo dos que perderam fulgor), mas o técnico espanhol está vivo e luta para igualar o Brasil como campeão de forma consecutiva e acima de tudo pode se tornar na primeira equipa a ganhar quatro grandes competições consecutivas (Euro-2008, Mundial-2010 e Euro-2012). E a Alemanha tem o desafio de voltar aos títulos mantendo a tradição de nunca ter ficado cinco edições sem vencer. Na Argentina, Messi tem mais uma oportunidade de calar os seus compatriotas que o acusam de ser mais espanhol que argentino.  

Outros candidatos são a Holanda, em função do que mostrou ante Espanha, a Itália e Inglaterra mostraram no jogo de estreia um nível que merece atenção e os outros ainda não entraram em acção.

Quanto a África que luta por chegar pela primeira vez às meias-finais viu-se uma Costa do Marfim que não desiste e um Camarões a entrar a perder e pior que tudo sempre envolvida em “casos” de indisciplina ou reivindicações. Gana, melhor africanos em 2010, está num grupo difícil e estreia-se hoje…