Os Boateng acirram rivalidade

 Mas ver dois irmãos representando selecções diferentes já é um caso mais incomum. No dia 23 de Junho de 2010, porém, Kevin-Prince e Jérome Boateng foram ainda mais longe e fizeram história  ao enfrentarem-se no Mundial da vizinha África do Sul, com o primeiro defendendo as cores de Gana e o segundo as da Alemanha. 

Quatro anos depois, o destino ditou que os dois países ficassem novamente frente a frente na fase de grupos, com o duelo marcado para o dia 21 de Junho, em Fortaleza. E, mesmo que ainda seja cedo para se concentrar totalmente neste confronto, para a família Boateng não parece haver nada mais importante no momento. "Estou muito ansioso para o jogo", afirmou Kevin-Prince. "Claro que é algo especial enfrentar o irmão numa Copa do Mundo. E já será a segunda vez. É óbvio que a euforia para a Copa já é grande, mas para nós este será um momento ainda mais especial", acrescentou Jérome.

Filhos do mesmo pai, mas de mães diferentes, os meio-irmãos cresceram juntos em Berlim e chegaram a jogar nas categorias de base do Hertha. "Nunca me vou esquecer de quando disputávamos torneios juntos ou de quando fomos campeões alemães jogando lado a lado", afirmou o alemão. "E de quando um sofria uma falta e o outro aparecia para ajudar", explica Jérome, de 25 anos, 18 meses mais novo que Kevin-Prince.

Depois do Hertha, os dois seguiram caminhos distintos. Kevin-Prince, que costuma jogar mais centralizado atrás dos atacantes ou até mesmo no sector ofensivo, passou por clubes como Tottenham e Milan antes de retornar à Alemanha para defender o Schalke 04. Jérôme, defensor polivalente, defendeu o Hamburgo e o Manchester City até retornar ao seu país para vestir a camisa do Bayern de Munique.

Rivalidade também no Playstation

Pelos seus clubes os dois já se enfrentaram várias vezes. Agora, ficarão frente a frente pela segunda vez pelos seus países. E, como não poderia deixar de ser, o duelo particular provoca sentimentos antagónicos na família. “Para os nossos pais o mais importante não é quem vai vencer no final”, garante Jérome, que costuma levar a melhor contra o irmão, como regista o 1 a 0 da Alemanha sobre Gana em 2010. “Eles querem que façamos o nosso melhor, saiamos de campo sem contusões e fiquemos satisfeitos com o nosso desempenho pessoal.”

E embora o mundo esteja já a comentar sobre o futuro duelo, os dois irmãos admitem que já perderam a conta de quantas vezes se enfrentaram noutras modalidades, não exactamente nos relvados, mas por exemplo no vídeo game ou noutras modalidades desportivas

“Pensando rapidamente, consigo lembrar-me de basquete, ténis de mesa e também do ténis. E também sou melhor no Playstation”, brinca Jérome que, por outro lado, rasga elogios ao enumerar as qualidades do irmão. “Ele é daqueles que não desistem nunca, mesmo quando algo não dá certo. E após experiências negativas ele volta a ficar positivo muito rapidamente.”

Aliás, Kevin-Prince mostrou estas qualidades na África do Sul, sendo fundamentais para que ele seja hoje um dos líderes do conjunto ganês, ao lado de Michael Essien. “Podemos chegar até mais longe no torneio”, aposta, referindo-se aos quartas-de-final obtidos em 2010. “Eles têm uma equipa realmente perigosa", confirma Jérome, atento ao que os rivais podem fazer no Brasil.

Neste duelo em família, duas nações estarão em lados opostos. E, como Kevin-Prince já havia dito em 2010, nem mesmo a cordialidade entre os irmãos poderá superar o sentimento de vitória. “Prometo aos adeptos do Gana que farei de tudo para ganhar — não importa se for contra o meu irmão, o meu pai ou a minha mãe.”‑ garante.

Quatro anos depois a história repete-se. Os discursos também.