Foi preciso saber e aceitar sofrer

Perante um adversário que mesmo trazendo uma vantagem de um golo e sabendo que até qualquer empate lhe servia, o Ferroviário da Beira voltou a encontrar dificuldades para abordar o jogo de ontem, agravadas pelo estado em que o seu próprio campo se encontrava. A primeira parte terá sido ligeiramente mais sofrida do que a segunda, porque o meio campo não atinava com as marcações deixando os jogadores contrários passear a sua classe. Por conseguinte, os adversários fizeram das suas. Por isso mesmo tudo sobrava para os defesas, principalmente Emídio e Cufa, e naturalmente para o guarda-redes. Na frente ataque só podemos assinalar o regresso da dupla habitual. Nelito e Mário estão de volta e o resultado foram as suas combinações com o segundo a assumir o papel de matador.

Willard -Terá sido uma das melhores unidades do Ferroviário. Foi mesmo um salva-vidas. Naqueles pontapés de canto “mortíferos” superiormente executados pela lateral xxxx, que criavam pânico, Willard foi um verdadeiro herói, com palmadas a afastar para cima da sua baliza como alguém que tinha descoberto a fórmula. Grande exibição de Willard, se calhar das melhores que já lhe vimos fazer.

Butana – Na primeira parte sofreu a valer para travar ora o ugandês Brian ora o costa-marfinense Kipre, autênticos diabos à solta. Já na segunda metade melhorou e estancou a “sangria” que acontecia do seu lado.

Emídio – Melhor na segunda parte. Na primeira ressentiu-se do buraco que havia à sua frente e como Butana e Edson eram quase sempre batidos pelos seus opositores directos Emídio nem sempre chegou a tempo do “pronto-socorro”. Na segunda parte, como dissemos, esteve muito melhor e no jogo aéreo então esteve quase imbatível.

Cufa – Se Emídio esteve melhor no segundo tempo Cufa esteve no primeiro. Conseguiu fechar a sua zona e mesmo sair a jogar, como é sua característica. Mas como a maré era muita alta nem sempre isso se recomendava e aí o recurso era o pontapé também dificultado pelo estado do piso.

Edson – Teve a mesma mácula do seu colega lateral Butana. Viu-se à nora para travar as cavalgadas de Brian e de Kipre. Numa delas teve que recorrer à falta e acabou sendo admoestado com cartão amarelo. Uma exibição algo discreta de um  jovem que mesmo assim ainda tem muito para dar.

Maninho – Também algo discreto, o “mamba” teve no entanto o mérito de aparecer em alguns momentos em bom plano. Teve na segunda parte um passe de mestre para Henry mas este preferiu fazer um bonito e perdeu-se um lance que podia ter resultado em golo.

Coutinho – O reforço do Ferroviário vindo de Nacala teve uma actuação que acabou marcando o desempenho da equipa. Na primeira parte esteve preso de movimentos e foi uma das vítimas do estado do piso. Andou perdido no meio campo sem chegar a tempo e a ser facilmente ultrapassado. Algum sector do público chegou a pedir a sua saída o que se antevia que pudesse acontecer ao intervalo. Mas Lucas Barrarijo assim não entendeu e manteve-o campo. E tinha razão o mister porque a segunda parte trouxe um Coutinho mais perto do seu real valor, segurando o jogo a meio e distribuindo-o pelos seus colegas mais adiantados num deles Mário podia ter marcado não fosse aquela poça que prendeu a bola.

Henry – Outro reforço. Sem ter, de facto, dado muito nas vistas, Henry terá sido uma das vítimas do estado do piso. Não conseguiu desenvolver o seu futebol mas quando foi a hora de defender fê-lo com algum acerto. Pode ter perdido um golo quando a passe de Maninho preferiu jogar de calcanhar mesmo à boca da baliza. Acabou sendo substituído por Mandava quando já não tinha forças para mais.

Reinildo -  Continua a dar cartas. Foi uma das unidades de maior rendimento principalmente na primeira parte. Jogou que se fartou, ao lado de Nelito, teve combinações bem conseguidas, uma das quais resultando no passe para o primeiro golo de Mário. E fez muito mais. Grande Reinildo!

Mário – Se a tarefa de um avançado é marcar golos o que podíamos pedir mais ao “super Mário”? Marcou dois e teve uma bola no poste. Voltou a mostrar a sua veia, fruto de uma assinalável frieza no momento certo.

Nelito – O facto de ter sido muito ovacionado pelo público à sua saída diz tudo da sua performance. Nelito lutou que se fartou e levou algumas pancadas. É preciso dizer neste entretanto que os defesas do AZAM são uns senhores bem “nutridos” que não brincam nas “horas de expediente” e Nelito, que quis fazer alguns daqueles seus raides em velocidade, teve que ajustar contas. Boa actuação de Nelito e se tivesse “engatado” um golito seria a cereja no topo do bolo.

Mandava e Djei – Dois jovens que Lucas está a lançar ao barulho. Não tiveram muito tempo para mostrar o que tinham vindo a treinar, tanto mais que entraram numa altura em que a equipa estava mais para defender do que para construir.

Texto de Eliseu Bento

Fotos de Mac e António Ração Luís