Os milagres de Milagre

Com dificuldades esperadas, devido ao resultado tangencial conseguido em Maputo, era de esperar que as duas equipas jogassem com os nervos à flor da pele. Por via disso, Litos apostou numa equipa que, não abdicando das suas responsabilidades ofensivas, pelo menos redobrasse as atenções defensivas, uma vez que mais do que não marcar nenhum golo, o importante era não o sofrer. E com esta forma de encarar o jogo, a tarde acabou durando uma “eternidade”, pois tudo quando os jogadores da Liga Muçulmana pretendiam era ouvir o árbitro sul-africano soprar pela última vez o seu apito.

Mas, vejamos, como, individualmente, se comportaram os homens escalados por Litos, nesta campanha de Antananarivo, que é apenas de (eventuais) que ainda virão pela frente, a começar pelo Kaizer Chief, da vizinha África do Sul.

DEFESA

Milagre:Este jovem tem vindo a merecer a confiança de Litos, desde o meados da temporada passada, impondo-se ao brasileiro Caio, já fora da Liga Muçulmana, e Nelito, com boas temporadas de emblema muçulmana ao peito. Este guarda-redes esteve muito bem nos momentos de sufoco na defesa do representante moçambicano, com intervenções de se lhe tirar o chapéu. Merece, sim, o mérito na passagem da Liga Muçulmana, para a eliminatória seguinte.

Bheu: Ainda em período de integração no novo grupo de trabalho e com a missão de substituir o “mais velho” Cantoná, agora Director Desportivo da Liga Muçulmana, Bheu teve uma actuação que, longe de poder ser classificada como má, acabou não sendo de todo feliz, aparentemente por não estar nas suas melhores condições físicas. Como lateral direito, viu a sua zona a ser apetecível para as investidas do CNaPS, levando muito perigo para a baliza de Milagre. Chegámos a sugerir, para os nossos botões, a sua substituição, mas Litos teve uma leitura diferente.

Chico: Num jogo de gestão, que Litos pretendia, como forma de levar a eliminatória para casa, Chico, um dos melhores centrais da actualidade, no futebol moçambicano, fez o seu papel, defendendo, quando fosse necessário e participando em missões ofensivas, em lances de bolas paradas, como cruzamentos de cantos, procurar fazer valer o seu valor de cabeceamento. Foi uma unidade bastante útil para os propósitos da sua equipa.

Aguiar:Na zona central da defesa da Liga Muçulmana, foi extremamente importante, para anular as veleidades do capitão Nono que, a partirdo jogo de Maputo, já havia dado indicações de ser uma peça “irrequieta” na manobra ofensiva do ataque da equipa campeã de Madagáscar. Esteve apenas bem.

Eusébio:Desde que regressou das aventuras europeias (portuguesas, em particular), o lateral esquerdo que se lançou ao serviço do Maxaquene tem estado a dar conta do recado. E ontem não foi excepção à regra,“secando” Siná, o número 21 do CNaPS, obrigando o técnico da turma malgaxe a substituí-lo quando estavam jogados apenas 32 minutos. Obra!

INTERMEDIÁRIA

Momed Hagi: Por força da sua vocação, Momed Hagi está“proibido” de jogar mal, ou de se apresentar em campo em dias em que não deve sair de casa. Tudo o que o capitão da Liga Muçulmana deve fazer (e fazer bem) é não errar. E na estratégia de Litos, grande parte da responsabilidade do jogo e, quiçá, da eliminatória, passava por este trinco, que tinha, por missão, estancar os ataques contrários, a partir da zona do meio-campo. È claro que Momed Hagi fez este papem com a devida preocupação.

Gildo: Contrariando todas as nossas expectativas, Gildfo, que na partida da primeira mão esteve a jogar ao lado de Aguiar, como um dos centrais, viu-se“emigrado” para a zona intermediária, para fazer parelha com Momed Hagi, em detrimento de Liberty, que começou o jogo no banco. Confundiu-se um pouco na interpretação desta missão e Litos viu-se forçado a trocá-lo por Mustafá, no final dos primeiros 45 minutos. E Gildo acabaria fazendo todo o jogo.

Nando: Está ainda em fase de integração, na sua nova equipa, mas vai se virando e se adaptando à medida das pretensões do seu treinador. Foi bastante preponderante na manobra ofensiva da Liga Muçulmana, sempre que o conjunto fosse solicitado a atacar pelo lado direito. Pena foi não ter conseguido fazer um centro milimétrico, que levasse algum perigo à baliza de Leda.

Kito: No jogo com o Ferroviário da Beira, para a Supertaça, jogou a extremo direito. Na primeira “mão”, frente ao CNaPS Sport, com outros objectivos, Litos colocou-o como lateral direito. Ontem esteve, de início, colocado nas costas de Jerry e Sonito, mas viu a sua contribuição descompensada. Litos deve procurar perceber, com urgência, onde pode tirar melhor rendimento deste ex-jogador do Maxaquene.

Jerry: Não foi má a intenção de colocar o “canguru” a fazer parelha com Sonito, mas do pensamento à prática, a distância foi demasiadamente abissal. Jerry frustrou as expectativas, principalmente falhando a grande penalidade, em momento crucial, fazendo um “passe” para o guarda-redes Leda. Muita pena!

Sonito:Se não conseguindo marcar, consegue fazer um papel decorativo, como unidade mais adiantada do sector ofensivo, há que parabenizar a presença de Sonito em campo. Foi obreiro da façanha que culminou com a cobrança de grande penalidades, desperdiçada por Jerry, o grande amigo Simão Mate, agora ao serviço do Levante, da I Divisão de Espanha.

NAS ALTERNATIVAS…

Liberty, meu Deus!!!

Litos não se viu feliz com a actuação da sua equipa, ao longo do primeiro tempo e, vai daí, na segunda parte, entra com uma substituição, com entrada de Mustafá, para o lugar de Gildo. Pareceu-nos estranho, mas Litos assim já havia decidido.

Mustafá:Entrou logo aos primeiros minutos do segundo tempo. Pelas circunstâncias do jogo, teve que flectir para a posição de lateral direito, obrigando Bheu a flectir ligeiramente para a zona central. Valeu a pena.

Liberty e Avelino: Os dois entraram quando estavam jogados 77 minutos, numa altura em que, para a Liga Muçulmana, só interessava vitória da eliminatória, que passava por não sofrer golo e evitar que o adversário marcasse. Aos quatro minutos de compensação, quando o guarda-redes malgaxe tentava apoiar iniciativas atacantes, Liberty tentou fazer um chapéu a Leda, mas viu a bola passar ao lado, desperdiçando a possibilidade de “matar o jogo”.

César Langa

nosso enviado especial a Antananarivo

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