Sem posse de bola não podia atacar

O Ferroviário da Beira fez um jogo sofrido em termos ofensivos, este domingo, em Dar-es-Salaam, onde perdeu por 1-0 diante do AZAM FC, em jogo da primeira mão da pré-eliminatória da Taça CAF.

Na verdade, o maior problema dos vice-campeões nacionais e vencedores da Taça de Moçambique/mCel da edição de 2013 foi a incapacidade demonstrada de ter a bola sob seu domínio para, depois, poder construir lances ofensivos.

E sem a posse de bola, com os médios não podendo construir lances de ataque, ao ataque dos “locomotivas” do Chiveve acabou acontecendo o que é lógico, que foi ver os seus jogadores sem receberem bolas jogáveis.

Foi por isso que Mário e Nelito, os dois avançados escalados por Lucas Bararijo para jogarem de início, ficaram minutos a fio sem poder ajudar, de facto, no ataque.

Mas, vejamos, individualmente, como actuaram os jogadores do Ferroviário da Beira, que neste jogo usou a mesma equipa inicial e o mesmo sistema táctico de 4x4x2 que alinhou de início no passado sábado, dia 6 de Fevereiro, diante da Liga Muçulmana, para a Supertaça.

GUARDA-REDES

Willard -O guarda-redes zimbabweano do Ferroviário da Beira esteve bem em quase todos os jogos, excepção para o lance do golo, aos 42 minutos, onde ficámos com a impressão de não ter visto a bola partir do pé direito do avançado costa-marfinense Kipre Tchetche. No lance, culpa vai também para a defesa, que não fez a cobertura necessária no segundo remate do jogador do AZAM FC. Aos 58 minutos negou o segundo golo dos tanzanianos com uma palmada para canto, num remate bem colocado por parte de Brian Umony. Aos 89 minutos saiu algo fora do tempo num lance em que a bola só não resultou em golo porque bateu no travessão da sua baliza. Teve um jogo difícil, mas sempre a corresponder.

DEFESA

Edson -Parece ser a figura certa para o corredor esquerdo da defesa do Ferroviário da Beira. Apenas uma vez, aos 33 minutos, foi batido por um adversário na sua zona de jurisdição. Na ocasião, e depois de largos minutos a fazer de gato e sapato a Butana, pela direita, Kipre Tchetche foi a esquerda passar por Edson em velocidade. Mas só foi esse lance. No lance do golo, atrasou reagir porque a bola passou perto dele sem esboçar uma reacção. Seja como for, parece que estamos perante um jogador a ter em conta para a época doméstica que se avizinha.

Cufa -O que mais caracteriza a actuação de Cufa é a sua tremenda disponibilidade ao sacrifício. E ontem não fugiu à regra, principalmente nas bolas altas, nas quais foi imperial. No lance do golo, até aliviou uma primeira bola e, depois, na sequência do lance, foi quem tentou oferecer o corpo à bola, mas já ia atrasado e o remate passou por toda a defesa até terminar em golo. Saiu lesionado, aos 77 minutos, e foi substituído por Kiki.

Emídio -Cumpriu com as suas responsabilidades defensivas, mas no lance do golo divide a culpa com os demais colegas. Depois do primeiro alívio de Cufa, faltou quem fosse cobrir o remate de ressaca, aquele que deu em golo. Na segunda parte cortou lances capitais. Tal como dissemos na semana passada, parece que Emídio está a voltar aos bons e velhos tempos.

Butana -Teve uma primeira parte bem difícil que lhe roçava a uma apreciação perto da pior unidade de equipa em campo, mas melhorou significativamente na segunda parte. Na etapa inicial do jogo, e depois do AZAM FC ter descoberto que do seu lado podia cavar uma mina de ouro, por aí direccionou seus ataques. O lance do golo foi desenvolvido pela direita antes de ser endossado ao coração da área. Mas depois do intervalo Butana apareceu mais tranquilo, com mais atenção e por isso próximo do ideal.

MEIO-CAMPO

Reinildo -Passou ao lado do jogo, mas não foi substituído. Nos minutos iniciais, deu dimensão ofensiva ao meio-campo, através do seu corredor mas, perto do intervalo e nos minutos iniciais da segunda parte, ficámos com a impressão de que já estava esgotado. Depois, quando se esperou que fosse substituído para continuar a ter alas ofensivas, nada disso aconteceu. Acabou o jogo como mais um elemento em campo, pouco ofensivo, mas se calhar, por isso, a não comprometer defensivamente.

Paito -Jogou no centro do meio-campo, ao lado de Mandava, mas com mais responsabilidade defensivas e só através da colocação de passes actuava ao ataque. Aliás, foi assim em grande parte do jogo até à altura em que, com Mandava em sub-rendimento, teve mesmo de se atrever ao ataque. Como médio defensivo esteve a um nível assinalável.

Mandava -Paga o preço de não ter rotina de jogo. Como trinco para atacar, ainda tem de melhorar. Por isso, ao intervalo, era candidato a sair, e Lucas Bararijo acertou a sua substituição por Henry. No próximo domingo não vai estranhar se começar o jogo como suplente de Henry.

Maninho -Parece ser uma perda enorme colocar Maninho a jogar encostado ao corredor direito. Parece-nos que teria grande aproveitamento a jogar na posição "9", atrás dos avançados Mário e Nelito, mas uma mudança de posição implicaria, também, a mudança de táctica. Logo, ou a equipa passaria a jogar a 3x4x3 ou a 4x3x3.

ATAQUE

Nelito -Não produziu aos níveis esperados porque não recebeu a bola em condições jogáveis. Naquilo que mais gosta de fazer, que é ser liberto em passes longos para correr, teve apenas uma vez para tanto, aos 53 minutos, por Henry. Só que no momento de remate sofreu obstrução. Saiu lesionado aos 72 minutos, sendo substituído por Djei.

Mário -Já lá vão dois jogos e o abono da família “locomotiva” segue em branco. Se contarmos os jogos dos “Mambas” no CAN Interno, então a média piora para um avançado. Dos seus atributos intelectuais e de imprevisibilidade a jogar não temos reparos, mas Mário tem de perceber que um avançado vive de golos. E esses golos há muito que não o vemos marcar.

SUBSTITUIÇÕES

Henry -Foi chamado ao jogo durante o intervalo, entrando para o lugar de Mandava. Deu alguma elasticidade às pretensões ofensivas do Ferroviário da Beira. Pelo que fez enquanto esteve em campo, também em função do que Mandava produziu quer na Supertaça assim como ontem em Dar-es-Salaam, não nos vamos surpreender se Henry jogar de início no próximo domingo.

Djei- Entrou a 18 minutos do fim do jogo para o lugar do lesionado Nelito e deu boas indicações. No toque rápido e no drible parece residir a sua identidade. Durante o estágio na África do Sul marcou alguns golos, pelo que dele se espera muito.

Kiki -Substituiu Cufa aos 77 minutos, numa altura em que as duas equipas já estavam a jogar sob esforço de tanto estarem cansadas. Lutou em algumas bolas altas e não comprometeu.

Texto de Narciso Nhacila, nosso enviado especial a Dar-es-Salaam

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Fotos de Mohomed Ibrahim