Apesar da vitória há que ficar preocupado

Valeu mesmo o cabeceamento oportuno de Sonito numa partida em que o ataque foi dos sectores menos produtivos num jogo em que no geral o campeão nacional foi sempre melhor do que o seu adversário. Teve melhor domínio dos aspectos importantes do jogo e chegou sem grandes dificuldades à vitória, no entanto pareceu-nos que ainda está sem ritmo e velocidade. O 1-0 é muito pouco para quem no final de semana jogará fora de portas.

Vejamos com individualmente actuou o campeão moçambicano.

Guarda-redes

Milagre:os malgaxes não deram de fazer ao guarda-redes moçambicano, pois estes pisaram terrenos bem distantes da sua grande área. Apesar de ter tido uma intervenção de grande qualidade já no período de descontos a verdade é que Milagre até poderia ter vestido o traje de gala, porque praticamente não teria sujado.

DEFESA

KITO: Foi aposta para jogar à lateral direito e portou-se como se fizesse aquilo sector já algum tempo. O jogador contratado ao Maxaquene depositou o talento que se reconhece e quando sentiu-se mais aliviado no processo defensivo ainda criou espaços para atacar. Grande trabalho a libertar os companheiros e uma capacidade de passe acima da média. A jogar na direita ou no centro foi lhe indiferente. 

AGUIAR: Teve muito trabalho para travar ou controlar a actuação do ponta de lança malgaxe (Nono) com quem se bateu e muito, felizmente sem consequência para a defensiva moçambicana, que não sofreu nenhum golo.

GILDO: Esteve sempre atento para as emendas que fossem necessárias durante a partida apesar de um e outro calafrio. No geral apagou muitos fogos em zona perigosa e foi dos responsáveis pela autoridade que se impôs na defensiva.

EUSÉBIO: Certamente cumpriu o que lhe foi pedido sem ter precisado de ser exuberante como nalgum tempo atrás. O lateral atacou menos e defendeu sem sobressaltos.

MEIO-CAMPO

NANDO: Não tremeu durante o jogo e até cansou-se de recuperar bolas e lançar o ataque. Aliás, conseguia empurrar a equipa para a frente com alguma dinâmica e ainda teve momentos para ensaiar alguns remates, sendo que um deles viu o guarda-redes malgaxe defender para canto.

MOMED HAGY: No seu papel algo invisível esteve bem a cortar as jogadas dos malgaxes e quando teve dificuldades recorreu às faltas cirúrgicas, uma da qual custou-lhe cartão amarelo. Essencialmente o capitão foi matando à nascença os problemas que a equipa podia ter em zona mais recuada. Ainda subiu para ensaiar remates à longa distância e teve o 2-0 aos 84 minutos, mas o seu remate saiu por cima e depois foi o guarda-redes quem defendeu o seu cabeceamento.

LIBERTY: A ausência de grandes trabalhos defensivos podia tê-lo conduzido a outras aventuras, mas pouco se atreveu. Procurou dar equilíbrio ao meio campo, mas perdeu consistência sobretudo no segundo tempo, tendo sido substituído aos 61 minutos por troca com Zé Luís.

MUANDRO: Início do jogo não acertado do médio que teve algumas falhas e perdas de bola. Mas foi serenando com o passar do tempo, mas não o suficiente para convencer Litos a mantê-lo em campo. Saiu no intervalo quando se acreditava que a equipa podia atacar mais. 

ATAQUE

IMO: Entrou cheio de vontade, mas não chegou a brilhar chegando a ser substituído ainda na primeira parte (31 minutos) por Avelino.

SONITO: Não fosse o seu golo – um cabeceamento bastante oportuno – a Liga poderia ter saído sem golo, mas nem isso faz com que a sua actuação seja considerada como sendo imaculada. Precisa de melhorar alguns aspectos técnicos.

SUPLENTES:

AVELINO: Entrou no lugar de Imo (31 minutos) e ainda mostrou ter muita energia, mas nem sempre com a eficácia que se exige. Conseguiu confundir marcações e abriu espaço. Bastante batalhador o que é muito bom para quem se estreia em competições internacionais. 

JERRY: Entrou na segunda parte na esperança de procurar mais um golo para garantir uma viagem tranquila. No entanto, apesar de os centrais malgaxes não terem dado muito trabalho, ele tratou de dificultar até o que parecia bastante simples. Viu-se claramente que não tem ritmo.

ZE LUÍS: Entro aos 61 minutos e conseguiu refrescar o meio campo e mostrou muita vontade, ajudando a pautar o futebol ofensivo da sua equipa.

Apreciação de Atanásio Zandamela

Foto de Domingos Elias