Empatados e desesperados

Quem esperava mais Chibuto, teoricamente melhor emocionalmente, e menos um Desportivo, já a fazer as contas da “segundona”, enganou-se porque foi tudo ao contrário. Um Desportivo de boa qualidade, ainda que perdulário, perante um Chibuto atabalhoado, talvez pela ansiedade de fazer história.

Ainda que tenha sido aos 34 minutos, não terá surpreendido o golo inaugural dos “alvi-negros”, ao qual os “guerreiros” responderam aos 49 e fizeram os seus aficionados cantarem o conhecido “Ximbutsu, muzaya: xiwa ni ku pfuka”, qualquer coisa como “É Chibuto, senhor: cai-se e reergue-se”, mas desta vez não se reergueu, permitindo que o Desportivo se assenhoreasse da partida, sendo o 1-1 um tanto ou quanto lisonjeiro para os treinados de João Chissano, um técnico que ao cabo de 13 jornadas continua à procura do primeiro triunfo.

Por culpa dos “guerreiros”, o jogo começou desinteressante e lento, mas a equipa de João Chissano ainda tentou mostrar melhor postura e maior combatividade atacante através do incansável Eva Nga, entretanto nem sempre essa intenção teve melhor acompanhamento dos colegas. Zacarias foi obrigado a estar mais atento que Joaquim. Primeiro foi Sidique que colocou o esférico em Infren, este que rematou sem a perfeição desejada, tal como fez logo a seguir Eva Nga.

A resposta ou reacção do Chibuto fez-se lentamente e sem qualidade porque o seu meio-campo não funcionava, até porque Payó estava em dia não. Isso fez com que o ataque desaparecesse e víssemos Chawa e Cedric sem acção nesta fase.

E foi por mérito que os “alvi-negros” chegaram ao golo através de Eva Nga, que ganhou o esférico junto à área e encheu o pé direito para o golo inaugural, aos 35 minutos, numa jogada de contra-ataque em resposta a uma incursão dos “guerreiros” que foi travada por Joaquim.

Até final da primeira parte, viu-se um Desportivo tranquilo, que até teve o 2-0 travado pelo poste esquerdo da baliza de Zacarias, após livre executado por Naftal.

VEIO O EMPATE E A QUALIDADE SUBIU

A primeira parte do Chibuto não era de uma equipa que sonha em manter-se na luta pelo título. E o intervalo só fez bem a Lucas Barrarijo, que foi a tempo de melhorar a produção do jogo com alterações no meio-campo, trocando Payó e Christophe por Abbas e Micheque, jogadores que trouxeram alguma dinâmica, e talvez seja por aí que tenha surgido o empate, na sequência de um lance de insistência em que o remate certeiro coube a Ino, aos 49 minutos.

O golo teve como consequência imediata o melhoramento do jogo. É que a igualdade não servia para as pretensões de nenhum dos conjuntos, pelo que tornaram a partida mais aberta, à procura do golo, e com isso o público saiu a ganhar porque esse acabou sendo o melhor período.

Mesmo com a balança um quanto ou quanto equilibrada, o certo é que o Desportivo continuava melhor, fazendo de tudo para quebrar o enguiço – não ganha desde que a 9 de Abril derrotou no mesmo local a União Desportiva do Songo –, e por duas vezes (65 e 70 minutos) Eva Nga falhou o alvo, numa partida que terminou com duas situações de perigo para o Chibuto, primeiro por Cedric, que viu Joaquim negar-lhe o golo (74’), e por Micheque, o qual falhou nos cálculos e atirou o esférico por cima.

E assim terminou a partida dirigida com alguma intranquilidade por Filimão Filipe.

O desfecho coloca Chibuto a nove pontos do líder, sendo que na quarta-feira recebe o ENH, enquanto o Desportivo, que tem o caminho da despromoção já traçado, jogando agora para a honra, defronta….

Texto de Atanásio Zandamela

Fotos de Felisberto Machava