Apenas mais um clássico

O nome dos dois emblemas foi a grande razão da mobilização do público para o Matchiki-Tchiki que, não obstante o céu completamente nublado e com baixíssima temperatura neste advento de verão, se fez em número bem considerável. A expectativa era ver até que ponto, mesmo não tendo possibilidades práticas de chegar ao título, qualquer dos dois conjuntos defenderia a sua honra e o estatuto que ostenta no contexto do futebol moçambicano.

Motivado pela onda de resultados menos maus, desde que mudou de treinador, o Maxaquene entrou algo avassalador, xcontando com o grande contributo do vento, que soprava a seu favor. Mas também ficou claro que logo cedo conseguiu interpretar o seu 4x4x2, que por diversas vezes se desdobrava em 3x5x1, com constantes subidas de Butana para a intermediária, aliada ao ligeiro recuo de Isac, deixando que as missões ofensivas ficassem apenas a cargo de Luckman, para responder às solicitações de Danilo, que tinha o propósito de desgastar o lateral Pai e, a partir da linha de fundo, procurar despejar as bolas para a área de grande penalidade do guarda-redes Tchando.

Mas a tarefa não foi meramente fácil, nas hostes “tricolores”, pois Rui Évora também soube montar o seu esquadrão, comandado pelo m”capitão” Manuelito, pronto para refrear veleidades, quer de Isac, ou mesmo de Luckman, sempre que ousassem fazer alguma “gracinha”. Do lado direito, o treinador do Costa do Sol tinha Pai bem seguro de si, o mesmo acontecendo com o experiente Dito, do lado oposto que, para além de defender, ambos ensaiavam jogadas ofensivas, mas que encontravam a categórica resposta dos centrais “tricolores”.

JOGO ABERTO

Desta abordagem, resultou um jogo aberto, com jogadas de perigo a verificarem-se nos dois lados, com o primeiro registo para os 11 minutos, quando, num livre cobrado por Pai e a bola devolvida pela defesa, esta sobra para Manuelito, que atira ligeiramente ao lado do poste direito de Guirrugo.

O Maxaquene responde aos 17 minutos, mas Danilo não consegue tirar proveito da distracção da defesa “canarInha”, num contra-ataque, chegando tarde ao lance e ver a bola, caprichosamente, perder-se pela linha do fundo.     O segundo tempo começa como golo do Maxaquene, aos 49 minutos, numa jogada de contra-ataque conduzida do lado esquerdo do se ataque, iniciada por Paíto, indo a bola parar aos pés de Danilo, já nas proximidades da linha cabeceira. Vendo a desmarcação de Luckman, em forma de um “chuveirinho”, fez um cruzamento atrasado, para o nigeriano cabecear para o fundo da baliza.

O Costa do Sol não se deixou abalar. Pelo contrário, correu atrás do prejuízo, com um visível inconformismo no semblante de alguns dos seus jogadores, mas bem encarnado em Parkim que, aproveitando a concent5ração do Maxaquene em busca do tento de tranquilidade, descurou as missões defensivas e permitiu um contra-ataque, fez o golo de igualdade, quando estavam jogados 60 minutos.

O jogo ganhou vivacidade, com lances de perigos a ameaçarem tanto Guirrugo como Tchando, mas o marcador manteve-se até ao último apito do árbitro.

Por falar em árbitro, temos a lamentar a actuação de Paiva Dias, que não nos pareceu de outros Dias, principalmente na primeira parte, com julgamentos discutíveis e bastante mal em termos disciplinares. Mais caricato foi não ter permitido que o Costa do Solo executasse o pontapé de canto que surgi no último minuto, preferindo da por terminado o jogo.

César Langa

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Fotos de Luís Muianga