Duas grandes equipas para um grande jogo

Com o campeonato a chegar ao fim, o jogo entre o Ferroviário de Nampula e o seu homónimo da Beira era, por isso e tal como fora vaticinado, um jogo de risco. Era importante para todos somar os três pontos para continuar a alimentar esperanças de se aproximarem do líder do campeonato e ir sonhando com o título.

E, obviamente que, jogando em sua casa, o Ferroviário de Nampula tinha responsabilidades acrescidas pois devia corresponder a um certo favoritismo que sobre si recaía.

E quando o jogo começou, a velocidade de Raul e Vivaldo na frente de ataque, o trabalho de Ndazione, Imo e Banda no meio-campo e os passes certeiros de Kalanka chegaram a desorientar até certo ponto a formação orientada pelo zambiano Wedson  Nyerenda nos primeiros 10 minutos.

Mas porque o futebol está cheio de surpresas, contra a corrente do jogo, o Ferroviário de Nampula viu-se em desvantagem no marcador.

Numa altura em que os anfitriões pressionavam o reduto mais recuado do seu adversário, os visitantes conseguem ganhar a bola e partir para um rápido contra-ataque. Quatro homens surgem na grande área dos donos da casa, com Nelito a baralhar os três defesas contrários. O ala esquerdo Gildo apareceu sozinho, em posição privilegiada a dominar a bola antes de escolher o melhor ângulo para rematar com êxito.

O Estádio 25 de Junho que vivia o calor dos ataques dos locais gelou por completo. O Ferroviário da Beira que parecia ter a lição estudada (surpreender o seu adversário com um golo madrugador), montou uma estrutura marcadamente defensiva.

Tentando correr atras do prejuízo, os pupilos de Arnaldo Salvado tiveram uma reação inicialmente muito apática e bastante contestada pelos adeptos. Continuou a desbobinar bom futebol, girando a bola de jogador para jogador, mas sem muita garra e muito menos determinação.

Com 40 minutos jogados o público chegou a gritar golo nas bancadas na sequência de um pontapé de canto apontado por Ndazione e cabeceado por Vivaldo, mas a bola acabou passando por cima do travessão.

Até ao intervalo, a via continuava com um único sentido, ainda que com um Ferroviário de Nampula decididamente perdulario, tudo aliado à forma adulta e experiente como os contrários defendiam a vantagem.

DO “KO”AO “OK”

Como fotocópia da primeira parte, a segunda metade do jogo praticamente iniciou com mais uma balde de água gelada sobre o Estádio 25 de Junho. Com oito minutos jogados e quando uma vez mais os donos de casa se balanceavam ao ataque, os “locomotivas” do Chiveve surpreenderam com outro contra-ataque, onde Maninho não teve dificuldades de fazer o 2-0.

Pensava-se que o jogo estava decidido, mas nada mais enganador. Imo reativou as esperanças dos nampulenses quando aos 59 minutos disse “sim” a um passe de Vivaldo. Vindo de trás para frente, Imo correspondeu ao passe de Vivaldo para marcar um grande golo, reduzindo a desvantagem no marcador.

Alias, fruto desse golo, quando já estavam jogados 70 minutos, o empate já se advinhava. Primeiro quando Banda chutou forte e ao lado da baliza de Soarito. Logo a seguir, Kliwali cruzou para o miolo da área e Vivaldo falhou o cabeceamento.

Mas foi este mesmo Banda perdulário que os adeptos pediam a sua substituição que finalizou com êxito de cabeça um cruzamento de Ndazione, restabelecendo a igualdade, aos 75 minutos de jogo.

Em perspetiva, a partir daí, 15 minutos finais fervescentes. O empate não satisfazia a nenhum dos contendores e com os dois treinadores de pé as equipas lançaram-se ao ataque, nalgumas vezes até de forma precipitada.

Passou a ser um jogo improprio para cardíacos. No Ferroviário da Beira, a tripla composta por Gildo, Maninho e Nelito sempre que subisse fazia-no com perigo, mas os donos da casa quando respondiam era também para criar um verdadeiro susto ao adversário.

Arnaldo Salvado ainda tratou de refrescar o seu sector mais adiantado com as entradas de Kliwali, Green, e mais tarde Amadeu. Alias tanto Ndazione como Raul e Vivaldo denotavamalguma quebra física.

Mas o empate a dois golos teimava em não ser desfeito.

Nem os cinco minutos de compensação dados pela equipa da arbitragem serviram para uma das equipas desfazer a igualdade. A emoção tomou conta do jogo e qualquer uma das equipas poderia ter marcado sobretudo o Ferroviário da Beira que no terceiro minuto da compensação ainda teve um remate de Fabrice que tirou tinta a barra da baliza defendida por Pinto.

Mas o apito final veio deixando uma justiça no resultado.

O trabalho do trio de arbitragem não merece muitos reparos se não uma e outra eventual distracção.