Kamo-Kamo: dos pelados do Ka mucoreana à rampa da ascensão

Por: Raimundo Zandamela
Fotos de Arquivo
 
A sua relação com a bola na verdade é algo que já havia sido desenhado no seu ADN, muito por culpa do seu pai, o responsável pela transmissão do “vírus do desporto-rei”. Coube à sua progenitora, Sara Suzana Javane, esperar 12 meses para dar à luz ao menino que veio a dar-se o nome de Kamo-Kamo Kevin Cumbane, no Natal Sprint Hospital Katlehong, África do Sul, no dia 19 de Julho de 1999. É lá onde o seu cordão umbilical ficou, longe da terra dos seus progenitores e dos seus ancestrais. Como forma de mostrar gratidão e honrar a memória do seu pai, António Kamo-Kamo Cumbane, pai do recém-nascido, atribui o nome Kamo-Kamo ao seu filho, neste caso o menino Kevin, eternizando, assim, àquele que para si foi a sua maior fonte de inspiração. – “Ele não conheceu o seu avô e a única forma de manter viva a imagem do meu pai passava por atribuir o seu nome ao meu filho. Amo o meu filho tanto quanto ao meu pai”, conta Christhopher Chabalala ou DJ Malola, como é tratado pelos mais achegados. Com o desejo de regressar ao seu país de origem, o casal Cumbane viu-se obrigado a ter que permanecer em KwaZulu Natal por dois anos, segundo recomendações médicas, uma vez que o recém-nascido tinha de cumprir com a medicação completa, tal como preconiza a lei sul-africana. Contra a sua vontade, os pais nada mais fizeram senão acatar as ordens médicas, afinal a saúde do menino Kamo-Kamo estava em jogo. Mas é na terra do saudoso Madiba que Kamo-Kamo manifesta os primeiros sinais da paixão pelo futebol. Afinal quando é que acontece o primeiro contacto com a bola? Já lá vamos. Antes disso importa dizer que António Kamo-Kamo Cumbane, seu pai, tal como já havíamos referenciado anteriormente, embora não tivesse jogado ao mais alto nível ocupava o seu tempo nas peladinhas nas horas vagas. Aliás, o mesmo teve uma curta passagem pelo Clube de Minkadjuíne (ex-Atlético Maometano), onde foi treinado por Nacir Armando, Tonecas, Mussá “e tantos outros que já não me vêm à memória”. De lá para cá apenas a paixão pelo futebol ficou habitando em si.