Chiquinho trucida Akil em plena Páscoa

Foi sem dó e nem piedade que o Maxaquene arrancou a vitória diante do lanterna vermelha do Moçambola, o Desportivo de Nacala, que ao cabo de cinco jornadas ainda não conheceu o sabor da vitória. Apenas um empate e um golo marcado é o que a equipa nortenha conseguiu até aqui.

Jogando perante o seu público e vindo de uma senda de três animadoras vitórias, o Maxaquene tinha mais do que obrigação de ganhar o jogo e continuar a lutar para os objectivos a que se propôs para este campeonato: ganhar o título e conquistar tudo.

Embora Chiquinho Conde prefira manter um discurso humilde e sem embandeirar em arco, a verdade, porém, é que o Maxaquene mostrou que tem já traçado aquilo que são as suas pretensões para este campeonato.

O bombo da festa desta vez foi o Desportivo de Nacala, que em pleno domingo de Páscoa foi arrasado sem argumentos para contrariar o poderio ofensivo dos donos da casa. Os nacalenses apresentaram-se despidos de ideias e só se podem queixar de si mesmos, pois oportunidades não faltaram para dar réplica ao resultado.

Maxacasdemolidores

Foi o Maxaquene que desde o início da partida tomou as rédeas do jogo. Apostando num sistema táctico 4x4x2, os treinados de Conde foram os primeiros a lançar o aviso à navegação, deixando claro, logo nos minutos iniciais, as suas intenções.

Foram necessários apenas 12 minutos para chegarem ao golo. Betinho foi quem abriu o caminho para a retumbante vitória “tricolor”, apontando o primeiro tento da partida após uma jogada de insistência que teve início na asa esquerda, e numa posição privilegiada no interior da grande área marcou de cabeça, não dando hipóteses de defesa a Castro, que nada pôde fazer senão ver as redes abanando.

Três minutos depois, o atacante Carvalho, do Desportivo de Nacala, que por sinal foi único a ser sacrificado, aproveitando-se de um desentendimento dos centrais do Maxaquene, rouba a bola e galga até ao interior da grande área e, cara a cara com o guarda-redes contrário e com a baliza escancarada, chuta para o lado. Era a primeira situação flagrante de golo da turma visitante que não foi sabiamente aproveitada.

Os treinados de Akil Marcelino acusaram uma gritante falta de rigor e disciplina táctica,  trazendo consigo erros inadmissíveis a este nível. Enquanto isso, o Maxaquene ia tirando proveito dos erros, obrigando o seu adversário a jogar recuado no seu meio-campo.

Motivados, empenhados e com o seu público sedento de mais golos, os “tricolores”chegaram ao segundo por intermédio de Rachide quando estavam transcorridos 20 minutos da contenda.

Numa jogada que teve início na asa direita por Isac, tendo este cruzado para Vling, que estava descaído à esquerda, coube a este último fazer centro para Rachide, o qual não fez nada mais e nada menos que introduzir o esférico na baliza à guarda de Castro.

Cabia ao Desportivo de Nacala correr desesperadamente em busca de soluções que não apareciam.

Cinco minutos depois, Isac, que esteve endiabrado e em dia sim, voltou a levar calafrios à baliza de Castro, desta vez numa jogada individual. Passando por todos os centrais, ele remata forte para uma defesa espectacular de Castro.

As duas equipas recolheram aos balneários com a vitória a sorrir para os donos da casa.

ISAC SENTENCIA

À entrada para a segunda parte, o Desportivo de Nacala apareceu transfigurado e disposto a correr atrás do prejuízo. Foram quase dez minutos de um aparente domínio mas que em nada resultou, pois as poucas oportunidades criadas de golo foram desperdiçadas.

Depois, foi o Maxaquene a equipa mais esclarecida, havendo um sincronismo em quase todos os sectores operacionais, ante uma simpatia dos visitantes que só se limitavam a correr atrás da bola.

Isac voltou a entrar em cena fazendo aquele que seria o terceiro golo do desafio. Estavam transcorridos 55 minutos da partida. Betinho foi quem fez a assistência e, diga-se de passagem, um dos obreiros desta vitória.

Era o Maxaquene que exponenciava os seus processos de jogo e passeava a sua classe. O Desportivo de Nacala não via a hora de Ainade Ussene dar por terminada a partida, pois eram agonizantes os momentos que passava.

Isac fechou as contas marcando o quarto golo numa assistência que teve a assinatura de Betinho. Estavam jogados 80 minutos. Era um ambiente de consternação e desalento no banco técnico da equipa de Nacala.

Mesmo assim, os representantes do norte desperdiçaram uma oportunidade de marcar o tento de honra numa altura em que o árbitro da partida assinala a marcação de grande penalidade, depois de a bola ter tocado na mão de um central do Maxaquene. Estavam jogados 85 minutos. Chamado a converter, Carvalho manda a bola para as bancadas. Assim foi a história de um jogo de má memória para o Desportivo de Nacala.

O trio de arbitragem desempenhou cabalmente as suas funções.

Estádio Nacional do Zimpeto

Assistência:cerca de 700 espectadores

Arbitragem:Ainade Ussene, auxiliado por Abibo Abinane e Amisse Djume. Quarto árbitro: António Massango

Acção disciplinar: cartão amarelo para Sunde (Desp. Nacala), Vling (Maxaquene)

Golos: Betinho (12’), Rachid (20’) e Isac (55’ e 79’)

Maxaquene, 4

Simplex

Moniz (45’)

Calima

Narciso

Vling (75’)

Zabula

Betinho

Abílio

Isac

Rachid (55’)

Macamito

Suplente utilizados                    

Micas (45’)

Bush (75’)

Burramo (55’)

Suplentes não utilizados

Acácio

Romão

Nelson

Matlombe

Treinador: Chiquinho Conde

Desp. de Nacala

Castro

Norberto

Idrisse

Cândido

Miterland (73’)

Sissoko

Zuma (56’)

Sunde

Onélio (45’)

Carvalho

Suplentes utilizados

Laiton (45’)

Essien (56’)

Akil (73’)

Suplentes não utilizados

Gito

David

Rodjas

César Bento

Treinador: Akil Marcelino

 CABINES

Ainda não somos

candidatos ao título

– Chiquinho Conde, treinador do Maxaquene

“Prefiro dizer que não sou candidato ao título embora esteja numa senda de vitórias. Continuo firme nas minhas convicções. Mas não posso ser também hipócrita e não me assumir como tal. Esta equipa é candidata à conquista dos três pontos. Repito: a minha equipa ainda não é candidata ao título.”

Merecíamos perder

por menos golos

– Akil Marcelino, treinador do Desp. Nacala

“Devo dizer que o futebol é uma mentira. O Desportivo de Nacala foi a equipa que mais oportunidades criou e só pecou por não ter feito golos. Só temos de nos queixar de nós mesmos, pois não fomos eficazes e astutos para contrariar o nosso adversário. Cometemos muitos erros que acabaram sendo fatais. Merecíamos ter perdido por menos golos, mas também um empate seria justo.”

Texto de Raimundo Zandamela

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Fotos de Domingos Elias