A vingança serve-se… picante!

E, apesar de não se aludir a ressentimentos, a verdade é que esta partida está a gerar uma grande expectativa aqui em Goa, mesmo entre os muitos simpatizantes indianos desta modalidade, a maior parte dos quais desconhecedores dos “traumas” do último Moçambique-Angola para o Afrobasket do ano passado em Maputo.

Almiro Santos, nosso enviado a Goa, Índia

Desde logo, as jogadoras moçambicanas remeteram-se num silêncio quando indagadas sobre a possibilidade de aqui em Goa se reencontrarem com as angolanas de má memória. Aliás, foi mesmo durante as conexões aéreas efectuadas pela delegação moçambicana que se soube que Angola não levaria a equipa que em Maputo se sagrou campeã africana.

Mesmo assim, a verdade é que a motivação subiu de tom para o jogo desta noite aqui em Goa, transbordando para todas as outras selecções nacionais, mesmo a colegial Macau, à qual Moçambique infligiu a “chapa-100” (acabou em 111-29), na abertura do torneio, marca que deixou assustadas as angolanas que assistiram ao jogo no Pavilhão da Universidade de Goa, e à mesma equipa cilindrada por Moçambique quedaram-se ganharam por 102-31.

Depois de Macau seguiu-se a Índia, e as anfitriãs ainda esperavam poder dar luta às moçambicanas, mas o resultado, sem ter atingido a “chapa-100”, já demonstra o desnível que existe entre as duas equipas, apesar da respeitosa estatura das indianas. O jogo terminaria num convincente 92-43, fruto de um jogo com momentos de verdadeira pressão sobre as indianas, dificultando claramente as suas armadoras.

Registo para alguns momentos tórridos protagonizados por Deolinda Gimo, que numa clara expressão de autoridade física se sobrepôs por várias vezes à sua oponente, Preethi Kumari, debaixo das tabelas, com algum requinte de espectáculo.

Apesar da sua pouca estatura e robustez física, registo igualmente para Shireen Limaye, da Índia, que apesar dos seus atributos técnicos foi imponente para fazer frente à base Deolinda Ngulela, e depois para parar Valerdina Manhonga, quando se fez ao jogo e protagonizou dois lançamentos triplos de grande importância para Moçambique.

Masculinos com o trauma do costume

Por seu turno, a Selecção Nacional de Basquetebol masculina de Moçambique perdeu ontem frente a Angola por 71-55, e deve disputar hoje o terceiro lugar do torneio, que dá direito à medalha de bronze.

Porém, a equipa que até então havia jogado bem frente à aguerrida formação de Cabo Verde ontem cedeu frente aos angolanos, que para este jogo demonstraram ter um ritmo competitivo superior ao de Moçambique.

Como de resto tem acontecido, Horácio Martins, seleccionador nacional, negou-se a comparecer à sala destinada às conferências de Imprensa.

Arredada dos dois primeiros lugares, a selecção masculina disputa hoje com Cabo Verde o terceiro lugar do torneio, sendo que a final será decidida entre Angola e Índia, que também ontem bateu Cabo Verde por 67-52.

Matine tem equipa afinada para terça-feira

A Selecção Nacional de Sub-23, os “Mambinhas”, disputa terça-feira a final do torneio de futebol destes III Jogos da Lusofonia, e o seleccionador nacional, Augusto Matine, tem a equipa afinada para um jogo que, na pior das hipóteses, deve proporcionar a Moçambique uma medalha de prata.

Depois de dois jogos frente à Índia relativos ao Grupo B, os “Mambinhas” jogaram sábado frente ao Sri Lanka uma partida difícil, com os cingalenses a mostrarem por que razão são temidos pela Índia, como fica provado com os contornos do sorteio para os jogos destas meias-finais (vide peça ao lado).

Com oportunidades divididas, as equipas tiveram de disputar um prolongamento de 30 minutos, durante os quais foi notória a capacidade física dos moçambicanos e indisfarçável a fragilidade da equipa do Sri Lanka que, apesar de tudo, lutou até ao final.

Esta foi mais uma bela partida de futebol, à semelhança do que acontecera no segundo jogo dos “Mambinhas” frente à Índia.

Um sorteio transparente demais!

Depois dos dois jogos entre Moçambique e a Índia em futebol, foi preciso fazer-se um sorteio para se apurar o primeiro e o segundo lugar. É que no primeiro jogo Moçambique havia averbado uma derrota por 1-2, num jogo em que os “Mambinhas” entraram desconcentrados e no fim quiseram correr atrás do prejuízo, e no segundo conseguiram uma vitória tangencial por 1-0.

Mas este sorteio tem contornos que vale a pena recordar. A decisão do sorteio foi em cumprimento de uma adenda ao regulamento que os oficiais das equipas tiveram de assinar às pressas, e no caso de Moçambique ninguém se lembrou de ler o que estava escrito em… inglês!

Mesmo assim, reconhecendo ter recebido tal adenda, é preciso relatar em que condições foi feito o tal sorteio, uma vez que no Grupo A já se sabia que o Sri Lanka tinha o primeiro lugar garantido.

Lançados dois papéis dobrados para um pote, com os nomes das equipas inscritas, foi indicado ao delegado da Índia que retirasse uma dessas folhas. A verdade é que, mesmo dobrada, via-se claramente a inscrição “Índia” na folha de papel e, deste modo, garantindo o primeiro lugar, os anfitriões evitavam clamorosamente o primeiro do Grupo A, ou seja, o Sri Lanka, adversário de Moçambique este sábado.

Seis dólares para cada Mambinha?!

Por aqui em Goa até virou piada, embora ninguém da delegação moçambicana confirme se são, realmente, 6 dólares (menos de 200 meticais) o “per diem” atribuído pela Federação Moçambicana de Futebol para cada “Mambinha” que compõe a delegação que, na pior das hipóteses, será medalha de prata destes Jogos da Lusofonia.

Depois da polémica que resultou do facto de a equipa se negar a ocupar um quarto por cada três elementos, desta vez vem à tona este alegado “pocket-money” que, ao que se diz, parece ter encontrado alguma sensibilidade por parte de Marcelino Macome, presidente do Comité Olímpico de Moçambique e vice-presidente da ACOLOP.

Vale recordar que esta equipa de futebol foi convidada pelos organizadores destes jogos, que insistiram na sua presença a ponto de pagarem as passagens aéreas dos jogadores, alojamento e alimentação aqui em Goa, num compromisso em que a FMF arcava com o resto, ou seja, o “pocket-money”.

Dupla de vólei de praia ganha bronze

A dupla moçambicana Sátira Chongo e Joaquina Roque conquistou ontem a medalha de bronze no torneio de voleibol de praia destes III Jogos da Lusofonia, vencendo a sua congénere do Sri Lanka por 2-1, com parciais 21-16, 19-21 e 15-11.

Esta dupla havia sido derrotada no dia anterior pelas portuguesas Ana Freches e Juliana Antunes por parciais 21-15 e 21-14, perdendo deste modo a possibilidade de chegar à final.

Ontem, as moçambicanas não desperdiçaram a oportunidade de arrecadar o consolo do bronze, muito embora tenham aberto o flanco no segundo set, ganho pela dupla do Sri Lanka.

No terceiro set, Sátira e Joaquina entraram fortes e venceram por 15-11, conquistando um bronze que sabe a ouro para o emergente grupo de voleibol de praia, sendo a décima medalha conquistada por Moçambique nestes III Jogos da Lusofonia.