Passar ao lado duma goleada histórica

A equipa deixou de lado uma oportunidade de impor uma daquelas goleadas históricas, muito pela culpa do atacante Dayo, que se destacou num festival de falhanços de golos proporcionado pelo conjunto, que nos últimos dez minutos do desafio viu a sua qualificação tremida, pois o adversário estava perto de dar a volta na eliminatória, que a viu perdida desde o quarto minuto do encontro.

Os locomotivas do Chiveve, que entraram bem no jogo, estiveram pressionantes, com uma agressividade perfeita e com os olhos virados à baliza contrária, apostando em transições rápidas e passes compridos, explorando bem os flancos.

Os jogadores revelarem boa disposição táctica e comunicação, vontade de dissipar equívocos sobre a pálida imagem que deixaram no desafio da primeira "mão", disputado no penúltimo final de semana em Zanzibar, no qual perderam por 2-1, carregando o adversário de forma pressionante, sem dar espaço de manobra.

Como corolário disso, aos quatro minutos a equipa inaugurou o marcador por intermédio de Chelito, que com êxito e precisão, num estrondoso remate bem colocado, concluiu um passe cruzado de um companheiro do lado esquerdo como atacava o conjunto.

Com o tento marcado os índices de confiança do grupo aumentaram e do outro lado as coisas pioraram mais, pois até altura os militares de Zanzibar, que enfrentavam enormes dificuldades para estender seu jogo, entraram em colapso e viram o adversário a abrir muitas rotas no ataque, descendo várias vezes com perigo eminente de golo.

À passagem do minuto 21, Dayo, que já havia tido algumas oportunidades soltas de facturar golos, aumentou a vantagem da sua equipa para 2-0, ao aparecer solto e concluir de cabeça o cruzamento de Nelito. Oito minuto depois o atacante esteve perto de bisar no marcador, mas o seu remate na área foi contra o corpo de um adversário e na ressaca Gervásio rematou desenquadrado com a baliza, desperdiçando oportunidade clara de matar o jogo.

Até ao momento o Zimamoto, que no encontro da primeira "mão" deu um baile de futebol, estava irreconhecível no campo, não conseguindo espaço para explanar o seu futebol, já que as suas pedras preponderantes estavam bem fechadas.

O Ferroviário da Beira, com o apoio de mais de oito mil almas que coloriam as bancadas, fazia das suas em campo, dando troco ao oponente, que à entrada do último quarto de hora definhou o jogo dos locomotivas e equilibrou a partida.

O Zimamoto, com algumas jogadas lentas e bem desenhadas, que se circunscrevia na boa circulação de bola de pé para pé, aos poucos tentava aparecer no jogo, a criar situações claras de golo.

Os donos da casa, que já acusavam algum cansaço, apesar de perderem o domínio completo do jogo, foram mais produtivos em termos de ocasiões de golo nos últimos minuto desse período.

Por duas vezes em situações idênticas, nos contra-ataques rápidos, Dayo teve tudo para aumentar o score na sua conta pessoal, só com o keeper na cara. Num primeiro lance, aos 40 minutos, até tirou do caminho o guarda-redes Mwinyi, mas seu remate foi embater o poste esquerdo da baliza e na ressaca se embrulhou com a bola nos pés, abrindo espaço para recuperação de um adversário.

Já no segundo lance, após galgar terreno, isto um minuto depois do falhanço escandaloso, após driblar bem Mwinyi, Dayo perdeu o controlo do esférico e ângulo, permitindo a reposição da defesa contrária, para a decepção do grupo e do público que torcia pelos locomotivas beirenses.

Com consciência pesada dos seus falhanços, o atacante tentou abandonar as quatro linhas, por não resistir à zombaria dos adeptos, que não conseguiam conter os ânimos do seu descontentamento, pois o resultado era traiçoeiro. Sem outra estória de golo o desafio foi ao intervalo.

ZIMAMOTO PREGA SUSTO

No reatamento os dois conjuntos não estiveram muito indiferentes na sua actuação, apenas a turma visitante apareceu um pouco mais solta, procurou com alguma franquia equilibrar o jogo e virar a seu favor a eliminatória.

A par da etapa inicial, nesta os donos da casa criaram muitas situações de golos, com Dayo e Nelito a se destacarem num festival de falhanços. Aos 47 minutos, num contra-ataque rápido, Dayo, com tudo para fazer o 3-0, só com o keeper na sua frente, eventualmente com medo de voltar a desperdiçar golo, fez o mais difícil, tentando num passe cruzado assistir Nelito, que estava desequilibrado, ou mais adiantado, tendo este rematado frouxo e desenquadrado com a baliza.

Aos 62 minutos Babo, isto dez minutos após ver o seu companheiro da equipa Nelito a desperdiçar boa chance de marcar, não perdoou. Ensinou o colega Nelito como se finaliza uma jogada, concluindo de cabeça um cruzamento milimétrico do capitão Maninho, fazendo 3-0.

Pela ironia, com o tento sofrido o Zimamoto não caiu em crise de raciocínio. Renasceu no jogo, acreditou que a eliminatória não estava perdida, apesar do resultado, entregou-se à luta e foi atrás do golo, que surgiu aos 80 minutos. Numa incursão ofensiva sem vestígios de perigosidade, num cruzamento de Denge, Kamiss apareceu na pequena área solto e cabeceou a contar.

Após o tento a equipa cresceu em campo, mudou o sentido de jogo, passou com alguma ascendência a controlar as rédeas, ante um adversário que acusava cansaço da energia gasta na etapa inicial.

Nos últimos minutos foi a equipa mais visível em campo, várias vezes visitava com algum perigo a baliza contrária, convidando diversas vezes o guarda-redes Willard a se aplicar a fundo com defesas espectaculares em lances que deixavam o público com o coração nas mãos, pois em caso de golo os locomotivas ficariam eliminados.

Com a turma visitante na vanguarda de situações de perigo de golo, o jogo chegou ao fim, com boa actuação da equipa de arbitragem ida da Suazilândia.

Campo do Ferroviário da Beira, na Baixa

Assistência: cerca de oito mil espectadores

Arbitragem:Sibandge Ihulani, coadjuvado por Mbingo Petro e Simelane Zamani. Quarto arbitro: Fakudze Elliote

Acção disciplinar: cartão amarelo para Willard (Ferroviário da Beira) e Kamiss (Zimamoto Zanzibar)

Golos:  Chelito, aos quatro minutos, fez 1-0, aos 21 Dayo (2-0), Babo aos 62 (3-0) e Kamiss aos 80 (3-1).

Ferroviário da Beira, 3

Willard

Gervásio

Mambucho

Amorim

Edson

Fabrice

Amarachi

Andro

Chelito (40’)

Dayo (77’)

Nelito 55

Suplentes utilizados

Babo (40’)

Maninho (55’)

Mussa (77’)

Suplentes não utilizados

Soarito

Aurio

Cufa

Treinador:Aleixo Fumo

Zimamoto Zanzibar, 1

Mwinyi

Hassan

Jossue

Hagi Ali (76’)

Suleman

Abass

Jhofle (35’)

Makame

Ibrahim

Abdala (48’)

Kamiss

Suplentes utilizados

Salmin (35’)

Hussein (48’)

Denge (76’)

Suplentes não utilizados

Juma

Bakar

Amir

Treinador:Seif Nasor

Crónica de Chiruclério Ndatoma & Foto Mac