Justa recompensa para quem correu com gosto

Uma ponta final estonteante protagonizada pelo APR FC deitou a perder o sonho da Liga Desportiva de Maputo, que consistia em brigar quanto bastasse para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos, competição de que já é um cliente assíduo e, por isso mesmo, com ambições que já ultrapassam as velhas ladainhas como "ganhar endurance, experiência".

O dia (sábado) acordou feio, com chuva e frio, o que deixou alguma inquietação quanto às condições climáticas em que o jogo seria disputado, mas, apesar da imprevisibilidade das coisas da natureza, os ruandeses com quem conversámos iam-nos dizendo que até à hora do jogo tudo estaria bem. Dito e feito, pouco antes das 13.00 horas, o sol já sorria e à hora do jogo o tempo estava bom, com vento e sol em doses comedidas.

O JOGO

Já se previa que a Liga enfrentaria dificuldades - público fervoroso e altitude (acima de 1500 metros acima do nível médio das águas do mar) ­-, o que veio, de facto, a acontecer, mas é preciso dizer que nas duas partes distintas do jogo (primeira parte algo lenta e parca em oportunidades de golo e segunda parte de um ritmo bem intenso), os moçambicanos chegaram a calar a boca aos locais.

Com a equipa a jogar em 4x5x1, e só com Nando como estranho ao onze do primeiro jogo (substituiu o engessado Telinho), Litos conseguiu inverter o cenário do jogo da primeira mão, em que o APR FC entrou melhor. Na verdade, neste jogo foi a Liga que se comportou melhor, circulando melhor a bola e não deixando o adversário criar mossa no seu último terço, situação que durou toda a primeira parte, em que houve apenas duas situações de remate com perigo, uma para cada lado, sendo Manuelito o autor de um tiro que Oliver defendeu sem muitas dificuldades.

 

E a Liga só tinha de agradecer a mansidão com que o APR se vinha apresentando e que em nada dava a entender estar a jogar em casa e, mais do que isso, estar a vir de uma goleada moralizadora contra o Rayon Sports (por 4-0), em jogo da 16.ª jornada do campeonato ruandês. Por certo estaria a acusar o peso da responsabilidade do jogo, que depois do 0-0 de Maputo colocava a Liga em vantagem, pois bastava-lhe o empate com golos para seguir em frente.