Liga vai enfrentar um público fervoroso

No jogo de Maputo, horas antes do seu início, alguns adeptos ruandeses fizeram-se à estrada com bandeiras a preto e branco, caminhando em direcção à Machava, onde se situa o campo do Afrin, palco do jogo entre a Liga Desportiva, campeã nacional, e o Armée Patriotique Rwandaise Football Club(APR FC).

Em grupos de mais de dez elementos, os adeptos foram entrando no recinto, posicionando-se na bancada central, local que lhes foi reservado para assistir à referida partida, que teve honras da presença do Chefe de Estado moçambicano, Filipe Jacinto Nyusi, do ministro da Juventude e Desportos, Alberto Nkutumula, e do governador da província de Maputo, Raimundo Diomba.

No momento da entrada de Nyusi na tribuna de honra, os ruandeses, em coro, gritaram várias vezes o nome do Presidente moçambicano, batendo palmas que ecoaram ruidosas, abafando qualquer outra tentativa de protagonismo de quem quer que fosse naquele local. Antes, os referidos ruandeses, alguns provavelmente já sem esse estatuto de refugiados, vivendo maritalmente com cidadãos nacionais e ocupando espaços consideráveis em vários pontos do país, vendendo basicamente produtos alimentícios em contentores, vaiaram os jogadores da Liga Desportiva de Maputo. Bem parecia que a equipa moçambicana estivesse fora de portas. Talvez esse factor tenha influenciado a performance dos primeiros vinte minutos da equipa de Litos.

Em língua da sua terra, dirigiam-se por vezes de forma grosseira a alguns adeptos e jornalistas moçambicanos e, pelos gestos, davam a entender que iriam vender bem caro o resultado, o que infelizmente veio a acontecer. O APR levou para o seu país um precioso empate, embora um empate com golos, em Kigali, favoreça a turma moçambicana.

Certamente que, jogando em Kigali, a Liga poderá enfrentar bastantes dificuldades para ultrapassar o seu adversário, que goza de bastante prestígio no seu país, um país marcado por 100 dias de um genocídio que deixou marcas profundas no povo.

O Ruanda tem poucos recursos naturais, sendo que, até há alguns anos, 90 por cento da sua população trabalhava na agricultura, tida como principal fonte de subsistência. O café e o chá, principais fontes de exportação, baixaram consideravelmente em 2010.